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Feliz coincidência
David Chagas
14/05/2017 06h00
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Tomara o dia de hoje ensine que Maio, de algum modo, sempre festejou a mulher. Ela, a Mãe, “pão maravilhoso que Deus divide, cada um tem a sua parte e todos a tem inteira”, sempre foi festejada. Hoje menos, porque a sociedade de consumo que nos consome abarcou os dias do ano e os fez um. Que pena! Bom seria se esquecêssemos isso e fizéssemos de todos os meses do ano, Maio, e de todos os dias, dela! 
 
Seja este, “um saber como verdade. Um enunciado do impossível”. Assim como se fosse lenda nova, novo mito. Como saber sem saber? Tentemos. 
 
A intenção é um discurso amoroso, preso aos sentimentos, à verdade da alma e minha alma está gritando isto, porque amor de mãe é amor que ninguém esquece. 
 
No período medieval, Maria, Mãe e Santa, fazendo ver os mitos da antiguidade clássica e sem ignorá-los, passa a ocupar altares em espaços religiosos criados em nome de seu Filho, não por obra do saber nem da verdade, mas pelo amor e pela fé. Só Ela mesma poderia tornar visíveis as maravilhas que o Senhor fez, porque, bendita entre as mulheres, trouxe ao mundo o fruto bendito de seu ventre. 
 
Exultar seu Espírito, sublima todas as mulheres mães. Umas, lutando por seus filhos, pelo seu futuro, com verdade e vida. Outras, chorando suas perdas, sobretudo em territórios como o nosso, marcados pela injustiça social, pelo desrespeito às diferenças, pela violência, pela miséria humana, pela fome. Na savana africana, entre miséria e dor, com sua prole grandiosa, olhar absorto diante da penúria, dos conflitos, da situação a que foram submetidos, tamanha a exploração a que foram e estão sujeitos, este pão de amor e vida também se divide em quantos sejam seus filhos.
 
Nos países em guerra, além do horror, seus meninos mortos. “Malhas que o império tece!” Resta-lhes, por quase todos os lados, pranto convulsivo.
 
“Por que Deus permite que as Mães vão-se embora?”
 
“Mãe não tem limite!” “Flor que se cumpre sem pergunta”! Muitas, jovens ainda, amadurecidas pela dor do parto oferecem vida ao mundo, por seus filhos, que nem sempre as reverenciam na sua grandeza.
 
Ainda há quem as considere fadadas a um opressivo destino biológico e lhes dê a equivocada condição de inferiores. Na verdade, por elas é que a criação ganha sentido. Não precisam santificar-se por isso. Nelas, a vida se manifesta. Ser, a partir delas, torna-se fato, realidade. 
 
Se desconsidera a condição de mãe, o homem se apequena. Saberá, por acaso de sua própria mãe? Se o desrespeito é da mulher, ela mesma se condena. A maioria, no entanto, cumpre com dignidade, sobretudo quando seus filhos reconhecem estes braços feitos de ternura e neles adormecem. Ao chegar o tempo em que o milagre da vida começa a titubear, ela, “veludo escondido na pele enrugada”, só não perde o viço na sua condição de mãe. 
 
Sempre que posso celebro. Não há como não reconhecer a “água pura, ar puro, puro pensamento”. Minha mãe, ausente, não me afastou dela. Sinto, com igual força, o espírito de amor que nos uniu e permanece. Sua presença, em tudo, por tudo e em todos, ainda afugenta o medo de fantasmas e oferece a bênção necessária para uma noite de paz. 
 
Com minha mãe, pequeno ainda, aprendi a amar Joana, na outra ponta da vida, quem soube tê-la como se a tivesse preparado, tecendo-lhe a vida. A sua filha! Joana, mãos estendidas a quem precisasse, dividiu sua força e seu amor com dezenas de outros, dentre estes, minha mãe, quem, por alguma razão que não se explica, fez-se dela, aninhando-se em seu coração acolhedor.
 
Maio dá-me oportunidade pra dividir estas lembranças e reflexões. Mês singular. Neste ano da graça, feliz coincidência: nossas mães se juntam à Maria, a do Menino, no centenário de sua aparição em Fátima, para que, olhando-nos, nos abençoe, cobrindo-nos de luz, como se fôssemos nós os pastorzinhos.
 
Ela e elas, amor sem limite, “tempo sem hora,/ luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba. “Por que Deus se lembra mistério profundo de tirá-la um dia?”

David Chagas

É jornalista e professor.


 
 
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