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Nelson Xavier
Jaime Leitão
11/05/2017 13h18
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A morte do ator Nelson Xavier, em Uberlândia, aos 75 anos, representa uma perda para a televisão, mas também para o cinema brasileiro. Participou de diversas novelas na Globo, mas o seu papel mais significativo foi quando personificou Lampião, na minissérie “Maria Bonita”, em 1982. Em visita ao Nordeste, caracterizado de Lampião, foi confundido por uma mulher que esqueceu que o cangaceiro havia morrido havia décadas e conversou com Nelson como se ele fosse o próprio.

Nelson Xavier entrava fundo nos seus personagens e, para ele, era difícil se descolar deles mesmo depois de anos. Ele não se incomodava com isso, até gostava de se sentir tocado profundamente por um personagem da ficção que também existiu na vida real, como é o caso de Lampião.

A grande transformação do ator, talvez a definitiva, ocorreu quando Nelson encarnou Chico Xavier, no filme do mesmo nome. Com uma visão de mundo materialista, Nelson sofreu uma grande metamorfose durante o período das filmagens e após o filme. É como se ele estivesse vivendo uma experiência de cunho espiritual difícil de expressar em palavras, tanto que Nelson, nas entrevistas, chegava às lágrimas referindo-se à figura humana de Chico e ao sentimento dele em relação ao espírita.

 Nelson Xavier, nas palavras de sua mulher, aprendeu humildade com Chico, estudando durante meses a sua vida para assumir o papel no filme. Dias antes de morrer, pediu para que colocassem nele quando morresse o terno presenteado por Chico Xavier.

Internado em uma clínica de cuidados paliativos, em Uberlândia, para doentes terminais, teve, segundo a sua médica, uma recuperação significativa nos três meses em que esteve lá, e viveu um período de transcendência que comoveu a todos que conviveram com ele. É como se estivesse se preparando para morrer de uma forma leve, amparado por forças invisíveis, que durante a maior parte de sua vida ele negou.
 
Atuou em vários filmes como: “Dona Flor e os seus dois maridos”, “Lamarca”, “Césio 137-O Pesadelo de Goiânia” , “Benjamin”, “O Filme dos Espíritos” e muitos outros.
 
Nelson Xavier, nas suas últimas aparições na TV, também estava muito parecido com Chico Xavier fisicamente. Apesar do mesmo sobrenome, não eram parentes.
 
Por mais que uma pessoa se diga racional, não está imune à emoção e a viver experiências que fogem ao raciocínio lógico, entrando em terrenos que não são aceitos pela via da razão. Foi o que aconteceu com Nelson, esse ator que nos deixa uma lição: por mais que nos fechemos em uma única visão, estamos sujeitos a mudanças, o que é extraordinário. Quem se considera imutável não percebe a nossa fragilidade humana e a inconstância de tudo o que nos cerca.

Jaime Leitão

é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação


 
 
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