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O silêncio que viola o futuro do país
Floriano Pesaro
18/05/2017 06h58
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A violência sexual infantil é cercada por medos e omissões. As situações de abuso podem ser caracterizadas pelo chamado “pacto do silêncio” entre o agressor e a vítima, o que propicia a continuidade do crime e sua consequente impunidade. Dessa forma, mostra-se a necessidade que pais, responsáveis e os profissionais estejam atentos aos sinais de alterações de comportamento das crianças e adolescentes. Esses indícios se mostram nas mudanças de humor, ou nas agressões que muitas vezes são ocultadas pelas vítimas.
 
A curto e a longo prazo, o abuso sexual causa consequências irreversíveis, com alterações físicas, comportamentais, emocionais, sociais e sexuais. Dificuldades de relacionamento, depressão, baixo autoestima, distúrbios sexuais e, inclusive, tentativas de suicídio. Esses são fatores que podem se desenvolver em jovens que, desde cedo, vivenciam situações de violência.
 
A questão é tão presente em nossos dias que neste momento a série mais comentada da televisão é a “13 Reasons Why‘, na tradução em português, “Os 13 Porquês”, que tem como roteiro uma adolescente que planeja de forma detalhada os motivos do seu suicídio. A história é contada a partir de treze fitas cassete que ela deixa para pessoas consideradas cruciais em sua decisão de abandonar a vida. O machismo e o estupro são um dos principais tipos de abusos sofridos pela protagonista Hanna Baker.
 
Apesar de haver várias polêmicas entorno da ficção, o drama mostra como a cultura do estupro e o bullying estão presentes no cotidiano destes jovens em todo o mundo. O que talvez não chame a atenção dos telespectadores é que todo o sofrimento não foi compartilhado em nenhum momento com os pais e o silêncio foi a sua principal causa de morte.
 
Outra forma de violência é a exploração sexual, que acarreta na remuneração à criança, ao adolescente ou às outras pessoas envolvidas no crime. Neste sentido, meninos e meninas são tratados como objeto sexual e mercadoria, o que pode ocasionar gestação e abortos inseguros seguidos de morte. Suas vidas, seus sonhos e seus futuros são roubados.
 
Em 2016, o Estado de São Paulo recebeu 2.300 denúncias de violência sexual infantil, de acordo com o Disque 100 de Direitos Humanos do Governo Federal. Só na capital, foram 713 casos. Como cada denúncia pode conter mais de uma violação de direitos, o número total recebido foi 2.599. A maioria dos casos são de abuso sexual e exploração sexual, que correspondem a 1.897 e 457, respectivamente. No Brasil, foram feitas, no total, 15.708 denúncias relacionadas à violência sexual de crianças e adolescentes no período.
 
As estatísticas dão uma pequena mostra da gravidade do problema. O receio em denunciar e a grande subnotificação dos casos permitem que abusadores continuem impunes.
 
São Paulo atua com afinco por meio do Condeca (Conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente no Estado de São Paulo), como também nos serviços ligados à Proteção Social Especial. Com isso, o Governo apoia projetos de amparo e resgate de crianças e adolescentes vítimas das mais nefastas formas de abuso sexual. Um deles é o serviço de “Prevenção, Capacitação nas Situações de Violência e Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes”, do Instituto Sedes Sapientiae, que viabiliza a implantação de polos de prevenção ao abuso de crianças e adolescentes.
 
Com a proposta de atingir diretamente 2.050 pessoas, o programa capacita profissionais para identificar o problema e fazer o encaminhamento adequado. As ações visam sensibilizar e mobilizar crianças, adolescentes, pais e responsáveis para que sejam agentes multiplicadores de informações.
 
É necessário dar às nossas crianças e adolescentes o direito de brincar, crescer de forma saudável, se desenvolver e conviver com sua família e comunidade. Aos que sofreram com abuso e exploração sexual, vamos devolver a vida, os sonhos, os estudos e o futuro. Às demais crianças e adolescentes, devemos educá-las e agir de modo a combater estes problemas.
 
Quanto mais conversarmos com nossos filhos diminuiremos os riscos e o sofrimento de ameaças e humilhações. Todos os anos o futuro do país tem sido violado pelo silêncio de meninos e meninas. Somente uma sociedade comprometida poderá garantir a proteção de crianças e adolescentes para a garantia de uma vida digna e feliz.

Floriano Pesaro

É secretário de Estado de Desenvolvimento Social


 
 
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