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Por que existe corrupção?
Francisco Ometto Júnior
25/05/2017 06h00
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Desde o momento que nascemos, nosso inconsciente registra todas as informações que recebemos (direta ou indiretamente) vindas de nossos pais, familiares, amigos, escola, sociedade, cultura, mídias, etc., e no decorrer da vida vamos construindo crenças e valores, aprendidos principalmente com os exemplos de nossos pais ou responsáveis. Portanto, cada pessoa forma sua estrutura e história psíquica. Diferente dos animais que seguem instintos, nós, seres humanos, construímos, mudamos, inventamos, o que envolve escolhas. E escolher é identificar a alternativa de melhor valor. Valor? Bem, aí está outro ponto crucial que nos remete ao início deste artigo. Sendo influenciados ou não, devemos ser os gestores do nosso destino, os únicos responsáveis por ele, pelo simples fato de recebermos um grande presente: o livre arbítrio. Quer uma prova? Quantos casos de filhos nascidos e criados numa mesma família que tiveram destinos bem diferentes um do outro, em vários e diferentes aspectos! 
 
Pois bem, o mundo é um grande palco e nós somos os atores. A diferença, portanto, é que temos a liberdade de escolher nosso papel. Problemas sempre vão aparecer no caminho, independente de classe social, raça ou lugar. E não tente fugir deles ou achar que está imune. Lembrando que um problema tem sempre dois lados. Podemos escolher em que lado caminhar. O que você tem a fazer (e pode fazer) é construir uma base sólida que vai te ajudar a enfrentá-los de maneira inteligente e sem sofrimento. Muita gente não está feliz com a vida que leva ou está enfrentando problemas emocionais, em diversos graus. Muitos estão doentes. Logicamente tudo tem uma explicação, uma causa na história da própria pessoa. “O que João consegue enfrentar, Paulo talvez não consiga”. “Por que Maria e Joana tem o mesmo problema e reagem de formas diferentes?” Veja como a heterogeneidade é algo real, importante e paradoxalmente essencial à nossa existência. O grande “trunfo” dos realizados é o equilíbrio. E quanto mais a pessoa consegue descobrir e romper com o que a influenciou “negativamente” em sua história, mais sucesso terá. O que você é hoje é fruto do que você recebeu e transformou até hoje.

Por isso digo sempre: não existe terapia perfeita. Não existe a receita pronta. Isso é ilusão. A própria heterogeneidade não permite isso. Existe a terapia adequada a cada história, a cada necessidade. Quantas pessoas hoje torcem para a semana acabar, para o dia acabar, para o semestre acabar. Cansaço é uma coisa, infelicidade é outra. Quando alguém torce para algo acabar, automaticamente está torcendo também para a vida acabar. Como diz o filósofo Clóvis de Barros Filho: “você sabe que encontrou a felicidade quando vive um momento que não quer que acabe”. 

Muitos procuram a felicidade, o bem-estar, mas estão distantes de si mesmos. Muito do que não está bem no mundo atual é reflexo desse desencontro. Estamos vivendo, por exemplo, mais um momento delicado no país e muitos me perguntam por que existe tanta corrupção. Caro leitor, reveja o início deste artigo, uma vez que ele também responde essa pergunta. Temos sérios problemas de formação. Corrupção e outras “feridas” da sociedade são construídas com o tempo. Não nascem prontas. Temos pessoas muito bem formadas academicamente. Temos mestres em vários assuntos. Entretanto, somos primários no gerenciamento emocional, na formação dos valores, da moral e da ética. Há em toda nossa história uma discrepância enorme entre escolarização e educação. Há um problema sério quanto à valorização da família. Não há um período na história brasileira em que não se encontrem denúncias e não podemos apenas condenar nossos colonizadores. Esse é um problema nosso. Somos, inclusive, muito tolerantes à corrupção e à desonestidade, que estão enraizadas nas mais diversas fases, desde a desonestidade “pequena” e “caseira” até a dos bilhões no colarinho branco... Mas todas vindas da mesma origem: desonestidade.
 
“O que faz o ladrão, portanto, não é a ocasião. O que faz o ladrão é o indivíduo, que pode ser ladrão ou não, aproveitar a ocasião. Em outras palavras, a ocasião faz o ladrão só quando há uma decisão por ser ladrão; não é a ocasião, mas o possível ladrão que decide. Portanto, a decisão continua a ser determinada pelo indivíduo e não pela circunstância”. (Mário Sergio Cortella).
 

Francisco Ometto Júnior

É professor e psicanalista


 
 
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