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Saídas, apostas e manobras
Jaime Leitão
31/05/2017 09h26
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A renúncia da presidente, agora ex, do BNDES, Maria Silvia Bastos Marque, é emblemática para ilustrar a configuração do sistema que nos domina. Por restringir drasticamente os empréstimos, que saíam com a maior facilidade durante os governos Lula e Dilma, ela sofreu forte pressão da indústria e de interessados em que tudo voltasse a ser como era antes: torneira aberta, como aquela que se abriu de forma vertiginosa, por exemplo, para a JBS. Fora as outras empresas. A caixa preta foi aberta só um pouquinho.
 
Apesar de afirmar que estava saindo do BNDES, após quase um ano de gestão séria, por motivos pessoais, os fatos apontam em outra direção. Quem tenta mudar as regras do jogo em um sistema que não admite mudanças acaba não resistindo.
 
Outra saída que ainda está dando o que falar é a do ministro Osmar Serraglio, da Pasta da Justiça, substituído por Torquato Jardim, que chegou com tudo, com duas sinalizações. De um lado, se apresentou como bombeiro para apagar o fogo da delação premiada do dono da JBS e salvar o mandato de seu amigo Michel Temer, de outro, como incendiário, para enfrentar a Polícia Federal e a Operação Lava Jato. Tarefa complicadíssima, que dificilmente conseguirá êxito. A chegada desse novo ministro da Justiça lembra a entrada já no estertor do governo Dilma, na mesma Pasta, de Eugênio Aragão, sinalizando que poderia mexer na direção da Polícia Federal e também interferir na Lava Jato. Foi um fracasso total. Anteontem, Aragão apareceu em um evento usando camiseta com a inscrição: “Fora, Temer”. De militante a ministro, de ministro a militante. No Brasil, acontece de tudo.
 
Um exemplo é o ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio, que deveria fazer a troca com Torquato Jardim, indo para o Ministério da Transparência, para garantir foro privilegiado para o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures, e que rejeitou a intimação-convite. Serraglio, que foi gravado em uma declaração suspeita na Operação Carne Fraca, volta para a Câmara. A manobra de Temer não deu certo, mas já está tentando mais uma para garantir o foro de Loures.
 
Outra manobra em curso tem por objetivo adiar o início do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com pedido de vista por parte de um ministro, marcada para o próximo dia 6. Políticos ligados ao governo estão apostando que ministro fará esse pedido para adiar o julgamento. Temer afirma que quer que o julgamento termine rápido, mas nos bastidores o que se vê não é isso.
 
Para que ministério da Transparência se a transparência é só um nome de uma Pasta que tem várias utilidades, menos revelar ao Brasil os conchavos que sempre se deram e continuam acontecendo?
 
Como é cansativo tudo isso. O que acontece na nossa política e altamente estressante e desgastante.

Jaime Leitão

é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação


 
 
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