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A beleza
José Faganello
27/06/2017 04h00
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“Oh! quanta formosura... mas não tem cérebro”
(Fedro  na fábula da raposa ao contemplar uma máscara de teatro)
 
Tomás de Aquino o grande filósofo da Baixa Idade Média define o belo como: “o que agrada ver”. A percepção da beleza, portanto, supõe um juízo que é produto da inteligência. O belo é deleitável: gera o desejo, amor, encanta. É fonte de satisfação constantemente revigorada.
 
Este deleite, esta satisfação renovada, no entanto, vêm de condições subjetivas. E, por este motivo, há o refrão popular: “Quem ama o feio, bonito lhe parece”.
 
O belo é gratuito, no sentido de que não tem, como tal, um fim útil. A obra artística tem como objetivo proporcionar a satisfação estética. A beleza por ela produzida pede respeito e veneração. Aliás, as coisas belas costumam provocar espanto e respeito. O homem se sente subjugado pela beleza e reverencia nela sua força espiritual. 
 
Como qualquer outro assunto provoca avaliações contraditórias. Porque em cada cabeça há uma sentença, em se tratando do assunto belo e beleza, não poderia ser diferente.
 
Para exemplificar, podemos começar com o deboche com classe de Millor Fernandes: “Beleza? Mas tem beleza demais, no mundo. Sons maravilhosos, odores indescritíveis, gostos inimagináveis, visões inenarráveis. Beleza em contato, em crenças, em pensamentos, em construções, em imaginação. Há mais beleza entre o céu e a Terra do que pode sonhar, ou consumir, nossa filosofia. Agora, pro morto de fome, só tem  uma coisa bonita  a figura dourada, sexy de um franguinho girando no espeto”. Ainda Millor, em sua filosofia de alcova: “A estética súbita de uma flor, de uma folha, a tranqüila emoção da luz do amanhecer, o esplendor de qualquer coisa ou de alguma coisa, não são um projeto, não têm um objetivo, não almejam o futuro ou a eternidade. Beleza (plenitude) é hiperqualidade natural, fim em si mesmo, supérfluo exibido e usufruído, sem quê e para quê”.
 
Há, como Shakespeare, quem conseguiu versejar com maestria, em variados enfoques: “Oh! ela ensina as luzes a brilhar” (Romeu e Julieta, Ato I); “Essa beleza bem mesclada, em que mão doce e sábia / Da natureza juntou o carmim e o branco; / Senhora sereis a mais cruel das mulheres, / se levardes à sepultura todas essas graças/ sem deixar ao mundo uma cópia”. (Noite de Reis, Ato I).
 
Houve mais enaltecedores da beleza: “Uma coisa bela é uma alegria para sempre; / Seu encanto só faz crescer; nunca / Ela se reduzirá a nada” (Keats). “Não tens corpo, nem pátria, nem família, / nem te curvas ao jogo dos tiranos. / Não tens preço na terra dos humanos, / Nem o tempo te rói. / És a essência dos anos, / o que vem e o que foi”. (Miguel Torga).
 
Estar com o belo, viver ao lado da beleza é o anseio de todos e todos, sem dúvida, gostariam de tê-la ao seu lado até o fim da vida, desejando exclamar como John Masefield: “Fique comigo, beleza, porque o fogo está morrendo”.
 
Outra preocupação das velhas gerações é que não se repita, com a juventude de hoje, cada vez mais bela, o que a raposa, da fábula de Fedro, constatou: “muita formosura, mas sem cérebro”.

José Faganello

é professor


 
 
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