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A casa em desordem
Jaime Leitão
01/06/2017 13h37
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Anteontem, em encontro com investidores em São Paulo, que teve por objetivo principal acalmar o mercado no meio dessa crise monstruosa, o presidente Michel Temer afirmou: “Chegaremos ao fim de 2018 com a casa em ordem”. Essa sua afirmação quis passar aos investidores um certo otimismo em um momento que não há espaço para ser otimista com o governo perdendo a cada dia apoio e condições de governabilidade. O governo esfarela e Temer tenta demonstrar que está mais sólido do que nunca. De que jeito acreditar nisso?
 
Como colocar a casa em ordem com toda essa desordem, Temer acuado por um processo no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e com interrogatório a ser respondido por ele para a Polícia Federal?
 
A casa-Planalto vive um clima de desarranjo profundo desde que foi divulgada a gravação de Temer em sua casa, no Palácio do Jaburu, tarde da noite, em uma conversa mais do que suspeita com um dos donos da JBS. A partir desse fato, a casa ficou de ponta cabeça e continua assim. É como se os móveis da sala tivessem sido lançados no quarto, os do quarto na sala, ficando todos de pernas pro ar. E não há sinais que essa casa-país fique em ordem enquanto Temer continuar insistindo que tudo caminha dentro da normalidade, que ele já colocou o país nos trilhos e outras frases feitas que não fazem nenhum efeito.
 
Ainda a fala de Temer: “ Muitos me dizem que estou tendo uma coragem extraordinária. Eu acho que é um pouco mais. É quase uma ousadia. Ao longo dos últimos anos, esboçaram ideias relativas à modernização da legislação trabalhista, e, evidentemente, da reforma previdenciária. Mas sempre foi difícil levar adiante”. Só que ele não disse que é impossível levar adiante reformas enquanto esse impasse permanecer, com denúncias que já surgiram e outras que poderão surgir. Como soterrar a crise, fingir que ela não existe , quando está mais do que evidente que os investidores não investirão no País nesse clima de instabilidade tão avassalador?
 
Temer criticou o populismo do governo Dilma, de forma indireta, mas não se referiu à corrupção que arrasta o seu governo para o abismo sem que ele tenha tocado nem de leve a esse fato.
 
Temer não dá sinais de que pretende renunciar, mas a sua resistência deverá alongar a crise ainda mais. Sem renúncia, o que resta é o STJ cassar a chapa Dilma-Temer. Não vejo outra saída possível. Um segundo impeachment em tão pouco tempo não é nenhuma maravilha, ainda mais quando não há líderes despontando para substituir Temer em uma eleição indireta. Mas a sua permanência, no meio de todo esse furacão, arruinará ainda mais a nossa  já combalida economia, podendo aumentar ainda mais o desemprego e a incerteza que vivenciamos hoje.

Jaime Leitão

é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação


 
 
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