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Segunda Carta à Tarsila.
David Chagas
25/06/2017 04h00
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Infanta:
Volto a escrever quando vais ao encontro da água que te saciará a sede de Amor e de Vida verdadeiros. Este encontro é significativo, mas simbólico. A água que transborda do espírito de Deus é a que lava coração, consciência e alma e faz das ações, dos gestos solidários, da verdade e da justiça, suas nascentes. Para tanto, Tarsila, é preciso humildade, brandura e firmeza. Evangelizar, pelo exemplo. Assim ensina Francisco, o Papa. Assim começa o real entendimento da presença do Espírito no homem. 
 
Na Igreja dos frades, onde, em Piracicaba, se abriga o coração de Jesus, há de materializar-se o vínculo que, pelo sopro divino, já existia. Quando adentrares não saberás, ainda, dos afrescos, dos altares, das imagens, da riqueza de dentro. Fora, a arquitetura singela preserva a beleza e a origem do templo, quando os capuchinhos, vindos da Itália, plantaram raízes no novo mundo. Hoje, no entanto, não haverá, nem fora nem dentro, maior riqueza que tu, Tarsila, sol da manhã, em junho, iluminando tudo. 
 
Um dia saberás, com discernimento, em que afluente do Jordão te banhaste, quem te ungiu com sal e óleo, de que forma, em ti, bebê, manifestou a divina onipotência. Somente a ti, Deus sussurrará: “Tu és minha filha muito amada, em quem depositei todo o meu favor”. Neste instante, além de ti e de outras tantas crianças que estiverem ali, contigo, ninguém mais poderá sentir a presença viva do Espírito de Amor pulsar nos corações. 

Batismo é isto. Não há marca alguma imposta por Deus senão a do Amor. Ele nos entrega à luz, livres de qualquer pecado, de qualquer erro, de qualquer falta. O ato de hoje reforça, na fragilidade de nossa condição humana, os sonhos de Deus para conosco. A leitura cuidada, o aprendizado constante, o amor fraterno, ao longo da vida ensinam tudo, verás. 

Hoje, neste gesto de amor sacramental, Deus indica o caminho. Nada mais que isto. Ele age com singeleza. Proselitismo de nada adianta, menos ainda retórica exagerada. Importante é não perder-se do amor de Deus. Nos tempos de agora, sorte nossa, Tarsila, termos Francisco, a cara e a voz de Deus, na terra.
 
Quando penso em ti, com este nome tão meu, tanto gosto dele, sendo recebida neste círculo de fé chamado igreja, me lembro de tua mãe em igual idade, para quem o batismo trouxe a bendição do instante. Vim antes, muito antes dela. Caminhei na frente por sertões e veredas, ruas e avenidas, espaços sem fim, aqui e longe daqui, não só para conhecer e aprender, mas para fortalecer meu espírito. Entendi, nestas andanças, o perigo, e conheci o bom da vida! Há, entre iguais, um estranhamento, uma intolerância, um desejo de ferir, um jeito próprio de ser que machuca, diferente do estado da graça que se revela enquanto somos crianças. É disso que Deus espera, jamais nos afastemos. 
 
Não é preciso muito na vida, Tarsila. Tudo se basta se pelos caminhos recolhemos flores. Se, sob o sol, nos deixamos iluminar por ele. Se aprendemos com o rio e saltamos felizes ou desviamos em curvas das pedras do caminho. Nada, no entanto, como a lua “que em cada lago, toda, brilha, porque alta vive”. 
 
O sofrimento, Tarsila, as marcas de dor e mágoa, a fadiga das retinas surgirão. Antes, no entanto, aspirar o sopro de Deus e tomar impulso para o amadurecimento. Não recuar jamais às ameaças. “Sê toda em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes!” 
 
Indefesa e frágil, teus pais, teus avós, os amigos verdadeiros fazem os primeiros roteiros de amor para seguires. Por certo responderás com esperança. Como? Nos sorrisos e gestos. No engatinhar, no tatibitate das primeiras palavras, nos primeiros passos, na descoberta do mundo pelo teu olhar.  No passar do tempo dando a você, aos poucos, a plenitude. A vida e o tempo. A vida ensinando que tudo pode o tempo.
 
Prossiga, Infanta, revelando quanto de Deus trouxeste contigo na alma e no rosto!

David Chagas

É jornalista e professor.


 
 
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