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Dez hecatombes
Jaime Leitão
10/08/2017 10h22
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A palavra hecatombe, originalmente, na Antiguidade, significava “o sacrifício de cem bois”. Com o tempo o significado se expandiu para “massacre de um grande número de pessoas; mortandade, carnificina”.

A morte de mais de mil bois, mais precisamente, mil e cem, esta semana, em uma das principais fazendas de criação de gado de Mato Grosso do Sul, Fazenda Monica Cristina, em Ribas do Rio Pardo, representa mais de dez hecatombes.

Especialistas do setor afirmaram que não se lembram de uma mortalidade tão grande de animais no rebanho nacional devido a doenças. A empresa dona do rebanho, a 7 Pecuária, estima um prejuízo de R$ 2 milhões.

Até amanhã deve sair o laudo com o resultado da análise para que seja apontada a causa das mortes. O mais provável é que os bois tenham morrido vítimas de botulismo, já que foi encontrado bolor nos silos que armazenam a ração de milho.

Quando vi a primeira reportagem, pensei na Síndrome da Vaca Louca, que acometeu e matou milhares de animais em diversos países, na década de 1990 e pessoas que consumiram a carne contaminada.

Já o diretor -presidente da agência Estadual de Defesa Sanitária Animal, Luciano Chiochetta, afirmou: “A intoxicação é alimentar e não se trata de uma doença infectocontagiosa”, garantindo que não há risco de a doença se propagar e contaminar os rebanhos de fazendas vizinhas.

O que chama a atenção é que essa fazenda possui três veterinários, pelo que foi noticiado, e assim mesmo não foi verificado nenhum problema na ração.

A pergunta a se fazer é:- em uma fazenda com milhares de cabeças de gado, não havia nenhum profissional responsável pelo controle de qualidade da ração? Tenho muito medo de comida embolorada.

Já comprei pão integral dentro do prazo de validade que, após um dia, fui verificar, estava embolorado. Produtos à base de amendoim também emboloram fácil.

Quando acontece um fato grave como esse, há um receio por parte dos consumidores de que esses bois sejam comercializados. Os produtores e fiscais garantem que todos foram enterrados e não há possibilidade de que sejam vendidos. Sempre fica pairando uma dúvida em relação a isso.

Eu me lembrei agora do poema de Manuel Bandeira, “Boi Morto”, escrito há mais de seis décadas. Aqui, o belíssimo poema, na íntegra: “Como em turvas águas de enchente, / Me sinto meio submergido /Entre destroços do presente / Dividido, subdividido,/ Onde rola, enorme, o boi morto, Boi morto, boi morto, boi morto. //Árvores da paisagem calma, / Convosco altas tão marginais! /Fica a alma, a atônita alma, /Atônita para jamais. /Que o corpo, esse vai com o boi morto, /Boi morto, boi morto, boi morto. /Boi morto, boi descomedido, /Boi espantosamente, boi /Morto, sem forma ou sentido /Ou significado. O que foi /Ninguém sabe. Agora é boi morto,/ Boi morto, boi morto, boi morto”


Jaime Leitão

é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação


 
 
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