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Falar menos e ouvir mais...
Plinio Montagner
08/08/2017 06h46
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Não foi só por estética que Deus deu ao homem dois ouvidos e uma boca. Com certeza foi para falar menos e ouvir mais. Porém algumas pessoas fazem o contrário: falam mais do que ouvem. Será que é por culpa da internet? Ninguém presta mais atenção no que o outro diz nem tem paciência de esperar sua vez de falar.

Como uma legião, há pessoas que se julgam mais importantes do que as outras, que têm prioridades a todo o momento e lugar. Falam muito de si e não querem saber nada do outro, principalmente de seus problemas. Deve ser mesmo reflexo da internet ou por elegância agredida.

Antigamente eram frequentes as conversas tranquilas sem olhar para o relógio. Agora, devido à assombrosa facilidade do contato com o universo, o efeito esperado de sobrar tempo para a contemplação diminuiu, zerou. O tempo não é mais generoso. Pouco sobra para a leitura de romances e de bater um papo.

Faltam espaços em nossas agendas: manicure, cabeleireiro, dentista, alongamentos, oculista, massagista, acupuntura, pintura, natação, balé, fisioterapia, clube, inglês, piano, violão, escola, trabalho, igreja, chácara... Ouvir com atenção se tornou uma chatice quando a conversa se estende por mais de dois minutos.

O hábito de fazer, de ter, de querer, tudo na hora, gerou desconforto ao ouvir frases assim: “Agora é só aguardar”; “Um minutinho só”; “Vou ver se fulano está”; “Fulano está em horário de almoço”. As pessoas vivem estressadas, ansiosas, impacientes. São raríssimos os diálogos sem pressa com os pais, a avó, o avô.

São eventos de outras décadas, de outras eras. Resumo: Não há espaço para assuntos que não interessam. A tecnologia tornou a humanidade apressada a tal ponto que nem adeptos em cursos de ioga suportam lentidão e a mesmice. Deixar de lado o celular? Só rindo mesmo. Impossível! Seria como deixar de respirar.

Ele faz parte de nosso trabalho como o bisturi ao cirurgião. É preciso recuperar a paciência e trocar o falar menos, fazer menos, ter menos por e ouvir, rir e cantar mais. As pessoas andam abarrotadas de informações, de conhecimentos e de bens inúteis.

As palavras são instrumentos a nosso favor, ou contra, porque, displicentemente, uma palavra ou frase impensada pode magoar as pessoas. Tudo devido à rapidez a nossa volta. Ficamos indiferentes ao conteúdo do que dizemos, fazemos ou deixamos de fazer. Prometemos tarefas sem ponderar possibilidades. Ofendemos pessoas no trânsito e no futebol. Empregamos sem critérios os “nãos” e os “sins”.

A palavra está ficando frágil, irrelevante, falsa.

E o escutar subordinado ao falar.


Plinio Montagner

 
 
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