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A intolerância que lidera nossa nação
Ana Carolina Carvalho Pascoalete
27/10/2017 16h17
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A tolerância é o direito que se disponibiliza aos outros construírem opiniões diferentes das nossas e a aceitação dessas diferenças ainda que ocorram diversidades. A intolerância consiste na dificuldade em reconhecer na expressão de outros indivíduos o que é diverso. Um dos caminhos que nos concede a tentativa de vencer a intolerância é o acesso à informação e a educação. 
 
Vivemos um momento na história da humanidade que nos coloca em contato com discussões em diversos ambientes que abordam a diversidade. Seja pela escola frequentada, pela religião escolhida ou mesmo pela cultura como um todo. 
 
Discutir sobre um tema ou uma situação, possibilita pensar sobre até que ponto existe um reconhecimento entre as partes. O que é possível perceber em muitos casos é que existe uma tolerância das diferenças. Ou seja: brancos que toleram negros, ricos que toleram pobres, porém, não reconhecem seus valores e direitos enquanto seres humanos. Portanto, reconhecer não é tolerar. Para reconhecer é necessário atribuir um valor diferente ou igual. 
 
As manifestações de intolerância tem explodido em todo o mundo por meio de guerras, atentados, xenofobia, crimes por ódio racial, homofobia. A intolerância atinge sérios níveis, sendo muito comum nas mídias sociais. Atitudes existentes e classificadas como fruto da intolerância estão associadas a uma cultura política pouco democrática ou autoritária, relativamente comum em países de democracia frágil como no Brasil. 
 
Ninguém é melhor ou superior a ninguém. A sociedade atual não tem tolerância com as causas diferentes do comum. Tudo que é novo, ou novo para alguns, é tratado com desprezo e intolerância. Hoje vivemos na “cultura do eu”, cada dia mais enraizada, com um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, que dissemina e exige das pessoas a superação, com foco em seu crescimento profissional e pessoal, incentivando o individualismo, que tem entre as consequências, a intolerância. 
 
Para a psicanálise; amar-odiar, ser-não-ser, criar-destruir, são movimentos existentes mentalmente nos indivíduos. Portanto, existe uma força que puxa para o repouso e outra que quer se expandir. Essa ambivalência sempre existiu e continuará a existir na espécie humana, cabe a cada um aprender a lidar com esse conflito e parar de tentar se livrar dele. 
 
Em todas as pessoas existe uma parte herdada e outra introjetada pela cultura. Tornando existente o desejo com uma força que busca realização, mas também uma não realização, com frustração desse desejo. A partir desse conflito humano de prazer e dor psíquica, como transitar em área de tolerância e intolerância sem enlouquecer, sem reagir a frustração por meio do ódio que presenciamos na nossa sociedade? 
 
Percebo que o mundo atual tem mostrado à intolerância a frustração, a não realização do desejo, como impedimentos que lesam a noção de limites e daí surgem os atos psicopatológicos tanto ao nível individual como grupal na sociedade. Nada mais pode se esperar, o mundo ficou veloz demais, e os indivíduos apresentam necessidades imediatas para realizar suas satisfações, caso contrário, a perversão entra em cena; e os indivíduos antes ajustados, não conseguem a contenção e também entram para a lista dos corruptores.
 
 

Ana Carolina Carvalho Pascoalete

É psicóloga e psicanalista clínica


 
 
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