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Economia Comportamental
Jaime Leitão
10/10/2017 01h00
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Quando pensamos em economia, logo vêm à nossa cabeça números, dados estatísticos, algo frio, separado do comportamento humano. E não tem sentido fazer essa separação, mas quase sempre ela ocorre. Ontem essa ideia foi deixada de lado com o anúncio, pela Academia Sueca, do ganhador do Prêmio Nobel de Economia,  o norte-americano Richard H. Thaler,  de 72 anos, especialista em economia comportamental.

Entre os estudos do economista, destaca-se o desenvolvimento da teoria da contabilidade mental, que comprova como indivíduos e mesmo empresas tomam decisões levados pelo impulso e por uma visão a partir de suas experiências individuais e culturais.

A economia não é algo para se entender e se explicar tomando como base só gráficos e planilhas. Antes deles, há indivíduos tomando atitudes que muitas vezes provocam estragos tanto na sua conta corrente como na saúde da empresa que dirigem, tomados pela vontade de conseguir mais e mais lucros, sem perceber os riscos que correm por apostar em formas de investimento heterodoxas,  muitas vezes fantasiosas e que não passam de armadilhas para conquistar novos clientes.

Segundo o Comitê da Academia Sueca, “em resumo, suas contribuições desenvolveram uma ponte entre a análise econômica e a psicológica na tomada de decisões individuais”.

Os economistas cometem muitos erros quando passam a fazer previsões sobre a economia em um futuro próximo ou um pouco mais distante. Esses erros têm a ver com a própria leitura individual que cada economista faz da realidade e do contexto em que estão inseridos.

Economia e psicologia estão intimamente ligados, mas demorou para que houvesse esse reconhecimento. No Brasil ainda estamos muito longe de estabelecer essa relação que poderá contribuir para que se evitem atitudes perniciosas capazes de provocar grandes desastres e rombos tanto em governos quanto nas empresas ou nas contas dos indivíduos. As decisões da ex-ministra da Economia Zélia Cardoso de Melo, durante o governo Collor, confiscando parte da poupança dos brasileiros, são um exemplo desse comportamento avassalador que tem muito mais relação com desequilíbrio psicológico do que com decisão equilibrada e baseada em uma necessidade do país e dos brasileiros. Até hoje não recebemos o dinheiro que nos foi arrancado.

O que parece simples, como controlar as contas, gastando menos do que se ganha, torna-se complicado quando está no controle (ou no descontrole?) alguém que gasta de forma exagerada, utilizando vários cartões de crédito ao mesmo tempo, sem enxergar as consequências que virão, com dívidas impagáveis e problemas de toda ordem, comprometendo seriamente a vida e a carreira de quem age assim.


Jaime Leitão

é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação


 
 
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