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Fofoca
Francisco Ometto Júnior
28/10/2017 16h43
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Existe explicação para o fato de algumas pessoas gostarem tanto de fofocar? Sim, existe! E vamos abordar isso no artigo de hoje, sob três ângulos diferentes.
 
Existem várias carências no campo inconsciente que “justificam” o uso da fofoca e, nesse caso, é importante ressaltar que o assunto não está sob a guarda do consciente. 
 
Lembro, meu caro leitor, que o tema de hoje trata da forma de comunicação mais antiga do mundo; fenômeno social que certamente já teve, está tendo ou terá interferência na sua e na minha vida. Me diga: você nunca foi vítima de um “fofoqueiro” de plantão? Não? Talvez você já tenha sido, então, o próprio “fofoqueiro”! Enfim, sem exceções, a fofoca faz parte da vida das pessoas — direta ou indiretamente.
 
Estamos sempre observando como o outro se comporta, talvez para aprender, talvez para fazer igual. Agora, se o comportamento do outro “fere” os padrões normais, aí é que a fofoca se instala poderosamente.
 
Fofocas nascem de amor ou de ódio. Uma pessoa bonita causa admiração para alguns e inveja para outros e esta é a raiz da nossa reflexão de hoje.
 
Uma fofoca pode ter a conotação (inconsciente) de agredir uma pessoa e esta conotação vem de uma fonte terrível: a inveja. Reparem: quanto maior a inveja, maior a força do ataque à pessoa invejada, e vou além: na maioria absoluta das vezes, o foco não é conseguir o que aquela pessoa tem, mas destruir.
 
Por trás de uma fofoca, pode estar também enraizado um sentimento de ciúme, causado pela necessidade da pessoa ter um amor que ela acha merecer ou que pode ter sido tirado dela, por algum motivo ou algum rival.
 
Entretanto, a fofoca pode ser motivada não apenas pela necessidade de atacar ou ferir alguém por inveja, ciúme ou outros sentimentos ruins. Quem faz a fofoca pode estar sendo levado pelo prazer de projetar em si algo que o outro viva ou tenha. Isso explica o fascínio das pessoas pela vida de artistas ou de pessoas famosas e também explica  por consequência -  o grande sucesso dos programas de televisão, de revistas ou de outras mídias que trabalham com o tema “fofoca”, e, então, se alimentam e se reproduzem dessa “necessidade inconsciente” das pessoas. Dessa forma, quem lê essas revistas ou assiste os programas, “vive” de forma ilusória o que aqueles famosos estão vivendo, numa espécie de tentativa de transferência, pois sabem que seria bem difícil experimentarem aquilo de forma real.
 
E, finalmente, atrás de uma fofoca, pode estar também aquela vontade gerada pela necessidade de comentar alguma coisa de outra pessoa, o que, na verdade, é um problema ou uma dificuldade da própria pessoa que está fofocando. O que ela faz, na verdade, é comentar de si mesma “usando” a outra pessoa e isto ocorre porque fica mais fácil falar do outro do que de si mesmo.
 
Independente de onde “encaixamos” a fofoca, é fundamental ressaltar que não estamos tratando de algo saudável ou positivo para corpo e mente, bem como vale lembrar de uma famosa frase de Freud sobre o tema de hoje, que deixo como reflexão: ‘Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo‘.

Francisco Ometto Júnior

É professor e psicanalista


 
 
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