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Corpo Desnudo
José Faganello
28/11/2017 13h34
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Foram os gregos que nos legaram a filosofia, dando-nos pela primeira vez, as ferramentas para chegarmos a uma concepção geral e racional do Universo e a da vida. Eles que nos brindaram, também, com suas incomparáveis obras teatrais, como Édipo Rei, Electra, Orestes etc. e sua arte monumental; afirmavam categóricos, que o Belo mais belo, mais digno de ser representado é um corpo humano perfeito.
 
A nudez, segundo a Bíblia, era o estado normal do Paraíso. O homem feliz, em estado de bem aventurança era nu. Os pintores do Renascimento retrataram anjos nus.
 
Os amantes, antes, muito antes de se tocarem com as mãos ou lábios, já se tocaram com os olhos. São os olhos que despem primeiramente a pessoa amada ou cobiçada.
 
Esse olhar devassador pode, é verdade, ter muitas facetas: — Ser o olhar do conquistador vulgar que apenas aspira dominação e o desfrute; outras vezes é o olhar de “voyer”, qual turista apressado que só quer fotografar, procurando, sofregamente, o maior número possível de belos corpos para despi-los com o olhar, sem a capacidade ou tempo para se deter em um e de fato, saboreá-lo, fundir-se com ele, enfim, amá-lo.
 
Há ainda os toques ocasionais, pura casualidade, sem a força da convergência, sem uma real descoberta, portanto, puro desperdício.
 
Despir, pela primeira vez, o corpo amado, é sentir o “frisson”, o calafrio, o deslumbramento inesquecível desse prelúdio. É como desembrulhar um presente, vagarosamente, desatando nó por nó, sopitando a ânsia da precipitação, para sentir o gozo deste lento desfolhar, inigualável, supremo.
 
É a mesma sensação de ver o mar pela primeira vez, aquela imensidão, aquele azul, aquele marulho, aquela emoção...
Talvez as antigas damas soubessem a emoção que sentiam seus pares a desnudá-las pela primeira vez, daí todas aquelas roupas... É verdade que hoje, diante da publica ostentação da nudez de nossas praias, piscinas, desfiles de carnaval e mesmo da moda, embora haja banalizado o nu, não eliminou a euforia, o prazer do ato: — dedos deslindando cordões, desatando botões, rompendo presilhas e os amantes se afogueando em beijos.
 
Despir um corpo pela primeira vez exige arte, arte sutil, a delicadeza do dedilhar de uma sinfonia, inesquecível, a inenarrável sinfonia do amor. O corpo, ao ser desnudado, não pode ter a sensação de perda e sim de ganho, não pode sofrer a ruptura, a quebra dos que não possuindo a calma, a mansidão de quem veio para usufruir o deslumbramento das primícias.
 
Esses sentimentos, com certeza, perpassam por qualquer um que possua o mínimo de sensibilidade.
 
O Belo deve ser exaltado, amado, enaltecido e não escondido, sufocado, tornando-se um tormento para as mentes jovens que querem e devem degustá-lo e são inoculadas com a idéia de que o Belo é um mal.
 
Se a beleza é fundamental, a nudez da beleza é extasiante.

José Faganello

é professor


 
 
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