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Francisco, Pregoeiro da Paz
David Chagas
05/11/2017 15h13
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Conta-me artigo sério, sobre mal que andam fazendo a Francisco, o Papa. Benfazejo, afetuoso, amigo, ocupado como nenhum outro da palavra de Deus na Terra, Francisco, pontificando sobre milhões de católicos esparramados pelo mundo, incomoda por sua simpatia e humildade.
 
A notícia me chega dias depois de ver atrizes representando de forma notável o comportamento de religiosas em novela ambientada no início do século passado. A encenação do recolhimento hipócrita tão sabido, mas pouco comentado, demonstra a maldade sub-reptícia, a ilícita troca de favores por dinheiro, a deslealdade, a tendência para enganar até mesmo nas jaculatórias ao sabor dos lábios. Foi tudo tão perfeito que me vi obrigado a repensar experiência vivida em que, antagonista, fui obrigado a supor ingenuidade persistente ao acreditar, apesar de tanta leitura, neste sussurrar de vozes em oração, com terços tilintando ave-marias e rostos contritos a caminho da comunhão. Comunhão de quê, me pergunto, se a maldade impera?! 
 
A Igreja jamais trouxe resposta às indagações humanas, porque não age como sal na terra. A Palavra, certa e sábia, fermenta nos que nela acreditam. Por sorte, a leitura e o aprendizado vindo dela e de outras tantas lições dá olhos para ver os erros gravíssimos cometidos por quem deveria estar a serviço do Senhor, como faz Francisco, sem percorrer jamais o caminho inverso do ditado por Ele. 
 
Indignou-me saber que o Papa é dos homens mais odiados do mundo. Não são ateus nem protestantes nem muçulmanos que o detestam, mas os que estão a seu lado, recitando igual catecismo, alimentados pela mesma fé. Bons atores, fazem do catecismo e da fé roteiro para a representação escolhida. 
 
Este sentimento repugnante vem de católicos, seus próprios seguidores, que não suportam conviver com ser humano acolhido por grande parte da humanidade, por características que encantam o mundo. 
 
Quem não se interessa em conhecer o comportamento de setores conservadores, o mesmo desde sua origem, e entende existir ali alguma verdade, pode dar razão às críticas vindas destes supostos cristãos que se incomodam com o trabalho de Bergoglio ao tocar temas emblemáticos e, com isso, revolucionar o pensamento tradicional da Igreja.
 
As afirmações a que me refiro foram publicadas pelo jornal The Guardian, assinadas pelo repórter Andrew Brown, que investiga os bastidores do Vaticano, onde perambulam vetustos sacerdotes ruminando críticas e se alimentando de inveja no vão desejo de obscurecer o caminho de luz que vai traçando Sua Santidade.
 
Você, como eu, por certo aplaude um sul-americano que teve coragem de reduzir o número de funcionários do Vaticano, saiu dirigindo seu velho carro Fiat e carrega suas próprias malas. Mais: lavou pés de refugiados numa cerimônia de Semana Santa e proclamou não competir a ele julgar homossexuais ou negar comunhão a divorciados, fugindo do que a tradição católica proclamava. 
 
Um dos religiosos, em tom suave e brando, como recomenda a vida no claustro, disse ao jornalista que os conservadores aguardam, ansiosos, a sua morte, chamando-o herege. Vomitam seu ódio sem nenhuma reserva e ficam ainda mais irritados ao verem que o povo de Deus, este que se deixa iluminar pela luz do Espírito, ama o Papa cada dia mais e clama por sua vida.

David Chagas

É jornalista e professor.


 
 
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