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O grito da ciência
Jaime Leitão
01/11/2017 10h33
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A ciência no Brasil grita, pede socorro e o pior é que não está sendo ouvida. Cientistas e pesquisadores das principais universidades do país expõem uma realidade perversa: equipamentos quebrados, freezers e estufas idem, materiais diversos  faltando nas prateleiras dos laboratórios.

Com isso, o país fica cada vez mais atrasado em relação àqueles que avançam em passos acelerados para dominar novas tecnologias, para inovar e conquistar terreno em um universo tão competitivo e que exige dos profissionais que atuam nele atualização constante. Mas como se atualizar sem recursos? Com verbas atrasadas, diminuindo a cada ano, só resta aos cientistas brasileiros reclamar, protestar, exigir melhoras urgentes, ou optar por desenvolver as suas pesquisas em outros países onde, com certeza, serão melhor recebidos e terão o respaldo que aqui não possuem.

Não só a ciência, mas o conhecimento como um todo é tratado no Brasil com o maior desprezo. É como se nos conformássemos com o atraso, sem uma visão que demonstre  vontade e ânsia de ir além de nossas limitações.

É trágico ver um país com o potencial do Brasil  ser jogado às traças, negligenciado por agentes do poder, que só pensam justamente no poder, não abrem caminho para expansão das ideias e de iniciativas que proporcionem aos cientistas brasileiros oportunidade de provar a capacidade que têm de desenvolver pesquisas tão importantes quanto as que são desenvolvidas nos países de primeiro mundo. A que mundo pertencemos hoje: segundo, terceiro, quarto mundo?

Quantos cientistas nossos prosperaram lá fora, quando poderiam aqui desenvolver projetos que seriam benéficos para toda a população. Pesquisadores do vírus zika em  Pernambuco, que tiveram as suas pesquisas valorizadas e elogiadas em revistas especializadas de ponta no ramo científico, por terem estabelecido pela primeira vez relação do vírus com os casos de microcefalia, agora se veem aprisionados pela falta de recursos, pelo contingenciamento de verbas. Não só eles sofrem com isso, mas professores e pesquisadores da USP, UNESP, UNICAMP e de quase todas as outras universidades públicas.

Retroagir no campo científico é um sinal evidente de que estamos condenados a viver cada vez mais longe da civilização, das descobertas, do saber, tão essenciais para que não fiquemos paralisados, voltando no calendário. 2017, 2016, 2015....1900...Andamos de ré em vez de irmos para a frente como deveria ser. Enquanto políticos discutem reformas que não reformam nada, ficamos à deriva. Brasil, barco de remos quebrados e sem comando, com água entrando por todos os buracos.

Ser cientista no Brasil, diante dessa situação de penúria, é uma tragédia. Quem vai mudar esse quadro? QUEM?


Jaime Leitão

é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação


 
 
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