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Advento
David Chagas
11/12/2017 17h22
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Quando menino, este tempo que antecede a festa do Natal me dava alegria, prazer mesmo. A arrumação da árvore, o presépio ajeitado em outro canto da sala, as poucas rezas recitadas com esperança e fé e a expectativa da noite suprema que trazia em si uma certa magia. Um dia, estas sensações todas se desfizeram e o Natal ganhou sentido novo. Diferente em tudo daquele e tão menos verdadeiro. Pequenos, tínhamos os nossos presentes, sem que nos perdêssemos da razão da data. 
 
A madura idade trouxe-me de volta não aqueles sentimentos todos, mas a certeza de que o Menino tinha interesse em ocupar de vez a atenção merecida.
 
Apesar da crise, neste ano, a economia traz contribuição inegável em favor do Natal, fazendo-o parecido ao da minha infância: nós, ali, os seis, juntos, felizes, cantarolando canções, desembrulhando um e outro pacote e sentindo, no que nos proporcionavam pai e mãe, prazer enorme em cantar para o Menino que nos congraçava. Era possível senti-lo entre nós, não nos presentes que embalavam a infância, mas nas canções que cantávamos, no abraço dado para fazer o laço de amor que nos unia, ainda que roto, algumas vezes, por uma ou outra desavença infantil.
 
Sentir o Menino era tão profundo a ponto de entender que viera para ensinar a Palavra ditada aos profetas por seu Pai e, agora, revestida de modo a ficar sensível a todos os que pretendessem seguir modelo de justiça e paz.
 
Ao redor de onde vivo, a crise obrigou uma parcela grande dos que se avizinham de mim a ter menos brilho nas árvores, nas casas. Há, também, menos alvoroço no comércio obrigando muitos dos que se haviam esquecido do real motivo da festa, a reencontrar a Luz que dá sentido à vida, esquecidos do pisca-piscar das lanterninhas chinesas. O Menino jamais cobrou dos seus seguidores festa alguma. O que deseja e quer é ajuntar tantos e todos numa comunhão fraterna, com simplicidade absoluta, reconhecendo o quanto na humildade de seu nascimento se revela a grandeza de Seu Amor.
 
Veio para estar junto, em meio a todos. Insiste, desde sempre, em sentir, no calor do coração de cada um, o latejar fundo e profundo do amor, a ponto de entender cada fremido como recado de boa vontade e paz.
 
Também espera o Menino que não ignoremos tantos que não dispõem de reunião familiar, de convívio entre amigos, verdadeiros amigos, sem pompa e circunstância.
 
Espera o Unigênito que nosso olhar alcance a todos na sua angústia, nas suas dores, no seu sofrimento, na sua fome. Não dispondo de pão para compartir, olhar e ver, acenar, esboçar um gesto de acolhimento espontâneo e delicado capaz de dar alguma alegria à noite dos desprotegidos. Esta aceitação do outro fará do Natal de agora, o que a Família Sagrada revelou na noite bendita. 
 
Se bem fizer, haverá uma estrela indicando o caminho, o local sagrado onde o Amor descansa e José, o bom e justo, e a Mãe, Senhora de tantos nomes, vigiam o Filho bem nascido. 
 
Nossa Senhora das Dores,/Do Bom Parto,/ Desatadora de Nós.
 
De nós? Quantos e quantos a humanidade é capaz!
 
Nossa Senhora de Lourdes, de Fátima,/  Guadalupe./ Do Rosário/ de homens pretos e brancos/ da rua por onde passo,/ da cidade onde moro,/ do país onde nasci.
 
Senhora Minha, Senhora,/ tantos nomes que te deram/ sem nenhuma precisão./ Eu te festejo, Senhora,/ pelo que em ti mais viceja/ da santa visitação/ e pelo que nos trouxeste da tua concepção./ Bendito o Filho que chega/ palavra de Deus cumprida./ Louvado o Filho surgido/ do teu puro Coração.

David Chagas

É jornalista e professor.


 
 
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