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Despedida
José Faganello
12/12/2017 15h19
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“O olhar despede mais chama/ No instante de despedida./ E é na renúncia que se ama/ Mais intensamente a vida” (Stefan Zweig; Último Poema)
 
Estela, você sabe do meu amor. Costuma-se afirmar que ninguém é insubstituível. Estou convicto de que não conseguirei substituí-la. Apesar disto, estou me despedindo de você.
 
Os fatos demonstram que não estamos conseguindo aparar nossas arestas e, desta forma, será impossível alcançarmos aquele convívio ideal.
 
Você, com sua exuberância e transbordamento de emoções, conseguiu modificar meu modo de ser. 
 
O que será de cada um de nós, daqui para frente, é imprevisível. Terminar assim, abruptamente, um relacionamento, talvez seja uma precipitação. 
 
Em curto prazo, várias vezes, adiei minha decisão. Concluí que não disponho mais de muito tempo para aguardar o que quer que seja.
 
Não possuo ninguém em vista para substituí-la. 
 
Para você não será difícil encontrar quem lhe proporcione demonstrações mais calorosas de afeição, maior conforto material, talvez menos entraves familiares e de horários. Com igual lealdade, jamais.
 
Cada vez que seus rompantes de mau humor provocaram interrupções em nosso relacionamento, mesmo com o reatamento, após o perdão, estas alternâncias estressantes serviam para ir estilhaçando meu sonho. Ele é simples; ter uma vida sem tempestades, plena de entendimento.
 
Percebi que ele é bem menor que o seu. Não conseguiria, com certeza, dar-lhe a sensação de poder realizá-lo um dia. Está liberta para procurar alguém disposto a satisfazê-la e ajudá-la a alcançá-lo.
 
Continuarei com o meu. Talvez, por mais simples, consiga torná-lo realidade.
 
Não guardo mágoas. Não alimente ressentimentos. Eles envenenam o coração e não condizem com as muitas juras de amor alardeadas.
 
A fome de amor costuma ser maior do que a fome de pão. Para saciá-la é necessário parceria. Sozinho não é possível. Assim como nenhum tecido é feito de um único fio, o amor necessita de um par. Para formá-lo é necessária doação total e renúncia parcial.
 
Apenas espero que eu e você não tenhamos de passar pelo desespero de Manoel Bandeira, estampado nos versos: “Teu corpo dúbio, irresoluto? De intersexual disputadíssima, / Teu corpo magro não, enxuto/ Lavado, esfregado, batido, destilado, asséptico, insípido/ E perfeitamente inodoro/ É o flagelo de minha via, / Ó esquizóide! Ó leptosônica!/ Por ele sofro há bem dez anos/ ( Anos que mais parecem séculos) / Tamanhas atribulações,/ Que as vezes viro lobisomem./ E, estraçalhado de desejos/ Divago como cães danados/ A horas mortas por becos sórdidos!/ Põe paradeiro a este tormento! / Liberta-me do atroz recalque!/ Vem ao meu quarto desolado./ Por estas sombras de convento, e propicia aos meus sentidos/ Atônitos, horrorizados/ A folha morta, o parafuso./ O trauma, o estupor, o decúbito!”
 
Adeus,
 
Porto Alegre- 12/12.
 
P.S. Apenas um pedido: — Não me torne, de prenda, antes cobiçada, agora odiada.
Mauricio

José Faganello

é professor


 
 
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