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É preciso dar um basta ao preconceito racial
Ana Carolina Carvalho Pascoalete
11/12/2017 17h08
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Pensar que vivemos num mundo em que as pessoas julgam as demais pela cor e raça é retroceder no tempo. Parece difícil acreditar, mas já existiu época em que negros africanos deslocavam-se para estudar em países europeus e possuíam cultura igual ou superior a qualquer outro estudante branco e ainda não existia nenhuma desigualdade que dificultasse a convivência entre as raças. Porém, atualmente, carregamos as marcas da desigualdade que foi instituída pelo tráfico escravista, tornando o Brasil um país muito distante da igualdade racial.
 
Pesquisas realizadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que brancos recebem salários superiores aos recebidos por negros que exercem a mesma função. O índice de desemprego é maior entre negros. Na educação, o analfabetismo, a repetência e a evasão escolar são acentuados para os negros. As taxas de homicídios são maiores em territórios de maioria negra, mulheres negras passam por número reduzido de consultas de pré-natal comparada com mulheres brancas no atendimento SUS (Sistema Único de Saúde).
 
O preconceito racial é um grave problema que enfrentamos, uma violação aos direitos humanos que o Brasil carrega desde o tempo de escravidão, onde o domínio dos brancos sobre os negros construiu uma historia de violência e desigualdade. Porém, o preconceito racial é uma forma de exclusão presente em todo o mundo.
 
Acabar com o preconceito é mudar a ideia que uma determinada etnia pode ser prejudicial à outra, é se permitir conhecer pessoas, raças, culturas para depois avaliar ou manifestar julgamento. O preconceito tem cor e está enraizada no racismo institucional que se estrutura a sociedade brasileira e se materializa por meio das políticas praticadas pelo estado, oferecendo a essas populações uma ilusão de integração por meio de políticas publicas que há muito abandonaram os princípios da justiça. Todos os dias presenciamos injustiças raciais, independente da classe social, porém, evidenciada entre os menos privilegiados, de forma escancarada ou velada.
 
Nos últimos dias houve destaque nas mídias sociais do caso envolvendo preconceito racial de Titi, filha do casal de atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, que foi agredida com comentários racistas por um vídeo gravado pela blogueira e socialite Day McCarthy e teve repercussão nacional, promovendo reflexão à população de que o racismo está por toda a parte, e muitas vezes está tão naturalizado que passa despercebido.
 
Para a psicanálise, as alianças inconscientes como uma formação psíquica são construídas pelo sujeito por intermédio de um vínculo para reforçar certos processos vindas da recusa ou recalque e da qual se obtém benefícios ligados a este vínculo, adquirindo vida psíquica. Portanto, o preconceito racial pode ser visto como uma aliança inconsciente fundada negativamente, que é recalcado coletivamente e retoma por meio de uma produção inconsciente, seja por meio de piadas ou manifestações racistas da nossa convivência de uma forma destorcida, e ainda para alguns de forma imperceptível. Disfarçado, o racismo não parece racismo, mas esse formato sutil é precisamente o que reforça e mantém o vínculo que o sustenta. Assim, o pacto inconsciente ocorre exatamente para que o preconceito racial seja garantido.

Ana Carolina Carvalho Pascoalete

É psicóloga e psicanalista clínica


 
 
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