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Natal
José Faganello
19/12/2017 13h36
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“Nasce um Deus. Outros morrem. A verdade/ nem veio, nem se foi: o Erro mudou./ Temos agora, outra Eternidade,/ E era sempre melhor o que passou” (Fernando Pessoa)
 
O homem, desde que, por indispensável necessidade, passou a viver em grupo, necessitou de identificações que reforçassem os laços, entre os componentes destes grupos. Uma destas identificações, aliás, muito forte, são os mitos, presentes em todas as culturas. Eles revelam as crenças em heróis, lugares, deuses fabulosos. Os lugares, habitados por seus antepassados, que viviam lado a lado com deuses e heróis, terra sem mal, paradisíaca e, em alguns casos, onde corria leite e mel, devia ser meta de todos, antes que uma última e anunciada catástrofe os eliminasse da face da Terra.
 
Os povos antigos e os atualmente chamados de primitivos conseguiram criar uma expressiva quantidade de mitos, a maior parte deles, além de promoverem a unidade tribal, são sustentáculos de religiões.
 
Das muitas religiões que sobreviveram à ação destruidora do tempo, o cristianismo, sem dúvida, é a mais destacada. Iniciou sua vitoriosa caminhada ao superar as perseguições romanas. Dos romanos copiou a organização administrativa, com forte poder centralizador e bem montada rede de administradores disciplinados. Adotou, adaptando-as, festas judaicas e festividades romanas. Embora a Páscoa devesse ser a principal festa cristã, pois o apostolo Paulo afirmou categórico: “se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé”, é o Natal que conseguiu alcançar maior envolvimento não só dos cristãos, mas até mesmo de não cristãos.
 
O nascimento de Cristo provocou a morte dos deuses gregos romanos, germânicos, fenícios e de incontáveis outros, como os dos povos colonizados pelos europeus cristãos.
 
O cristianismo fez do Natal uma festa muito bonita, recheada de músicas envolventes, reuniões familiares entorno de uma ceia, onde as famílias tentam, mesmo momentaneamente, apagar de seus corações, rancores acumulados. Os presépios, as arvores de Natal e as luzes em profusão criam um clima de tal porte, que não há outra que se lhe compare, como festa religiosa.
 
Assim como o Deus cristão conseguiu matar os deuses pagãos, um novo deus, cuja data exata de nascimento também é ignorada, que sequer procura apresentar-se como deus, mas se aproveita dos ainda cultuados, aos poucos, está se apossando das comemorações religiosas, como está fazendo com o Natal, quando transveste seu caracter religioso em profano.
 
Fartas ceias, presentes em profusão, festas grandiosas, milhares de arautos — Papai Noel, estão industrializando o tema, entronizando o novo deus, ou melhor, deusa, — a economia de mercado, que estendeu seus tentáculos por todo o globo e convenceu seus seguidores que o céu estás reservado àqueles que conseguem sucesso, riqueza.
 
O Deus menino, aos poucos, está passando por mero figurante. Povos etnias, credos, são subjugados pela nova “religião”, na qual o consumo é a principal parte do cerimonial.
 
Por este motivo, não obstante a profusão de alimentos, presentes, músicas, abraços e augúrios, para muitos — os deserdados e aqueles que se preocupam com eles, consideram o Natal uma festa triste.

José Faganello

é professor


 
 
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