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Ano Novo
José Faganello
16/01/2018 17h23
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A celebração máxima do 1º de janeiro é a festa de Réveillon, termo originado do verbo francês réveiller, que em português significa despertar.
 
Essa comemoração teve sua origem no decreto do triunvero romano Júlio César, que fixou o 1º de janeiro como o dia do Ano Novo a partir de 46 a.C.
 
O nome janeiro deriva de Jano, deus romano bifronte, ou seja, uma face voltada para frente (o futuro) e a outra olhando para traz (passado).
 
Essa simbologia nos ensina que não podemos retroceder para corrigir os erros que cometemos, no entanto, devemos nos esforçar para não repeti-los.
 
Esse propósito é muito importante para cada indivíduo e, evidentemente, para toda a sociedade.
 
O ideal é estimular a virtude cívica nas pessoas, quer em nosso país como, com a globalização em marcha, em todas as pessoas de nosso planeta.
 
Maquiavel, que viveu na cidade de Florença, na Itália (1469-1527), deixou-nos uma importante mensagem — toda sociedade deve se esforçar ao máximo para conseguir praticar esse ensinamento: “O povo é, ou deveria ser, o guardião da liberdade, já que é ele que deve agir contra qualquer opressão ou contra o receio de ser oprimido”.
 
Ele comentou também sobre o povo corrompido, que em oposição àqueles que têm a intenção de alcançar o bem comum, apresentam leis tendo em vista o próprio poder e interesses. Pergunta ele, porque deixar nas mãos de uma minoria a formulação de leis quando o povo deveria participar ativamente da feitura delas? Por que o povo acata leis que o arruina? Um povo virtuoso não se deixa governar por tiranos, enquanto o corrompido, não consegue reconhecer os benefícios de um governo justo.
 
Nossa atual formação política é resultante do projeto iluminista desencadeado por intelectuais do século 17.
Immanuel Kant defendeu a importância do processo de esclarecimento da população: “a saída do homem de sua menoridade, menoridade essa como sendo a incapacidade de se servir de seu entendimento sem a direção de outrem. “O indivíduo esclarecido terá a capacidade de opção, de deliberação a respeito de temas fundamentais da vida, em especial: o que afinal queremos fazer de nós mesmos?”.
 
Já Theodor Adorno e Max Horkheimer, no livro “A Dialética do Esclarecimento”, apontam o caráter autodestrutivo do processo de esclarecimento. A própria atividade livre: livre comércio, livre conduta, livre mercado, traz a destruição paulatina daquilo que mais se quer: a liberdade.
 
O indivíduo vê-se anulado ante os poderes econômicos.
 
A marcha crescente do progresso material e tecnológico aprofunda a apatia da sociedade e estimula o individualismo e o consumismo.
 
Não se vê mais nenhuma ideologia política capaz de inflamar as multidões; o vazio é a atual característica.
 
O progresso tecnológico e consequentemente social trouxe uma melhor qualidade de vida e de sobrevivência, mas, em contrapartida, temos a dominação de indivíduos e de grupos sobre o resto da população e sobre os meios de produção de uma maneira sem precedentes.
 
Aumentam a ausência de crítica e de unanimidade de pensamento (ditadura da maioria), elementos que levam à continuidade do status quo não condizente para uma sociedade saudável. Os escândalos de nosso poder judiciário e dos nossos ministros são exemplos estarrecedores.
 
Edgar Morin enfatiza que precisamos de um pensamento planetário visando uma nova via para a humanidade, com reformas nas estruturas mais básicas sob todos os níveis; políticas, econômicas, educacionais, mas em conjunto, cada via não pode progredir sem o progresso das outras.
 
Atrelado a isso é imprescindível o desenvolvimento dos valores humanos, atualmente cada vez mais descurados. O ano 2017 se foi e deixou-me a sensação de ter escorrido por entre meus dedos, sem que tivesse aproveitado esse precioso tempo como deveria.
 
Que 2018 seja um ano de restauração, justiçar os corruptos e ter governantes que busquem o bem de todos e deem exemplo de virtude civil.

José Faganello

é professor


 
 
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