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De quem a máxima culpa?
Da redação
29/01/2018 17h36
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Quem os fez assim tão distantes do mundo real, alienados, a ponto de fazer Anitta, a cantora, guru, e ter nos “eme ci” seus arcanjos? 
 
Nada contra. Já os ouvi e, da cantora, gosto da voz, quando, sem esforço, faz incursão pela música popular brasileira de qualidade. Dia destes pude ouvi-la cantar Tom Jobim, com desenvoltura e respeito. Foi lindo!
 
Preocupa-me saber que se transformou em formadora de opinião e conta, na forma moderna de medir prestígio, com milhões de seguidores, supervalorizada por isso, num momento de participação efetiva da juventude em favor de causas menos fúteis que parar o baile para vê-la dançando ou determinar que, no repique do bumbum, vá, malandra!
 
Nos funkeiros, confesso, encontrei letras com depoimentos convincentes, denúncias bem elaboradas contra miséria e violência. A grande maioria, no entanto, se escora no abominável, na pornografia explícita, na miséria humana.
 
Como me fere a alma observar a juventude incapaz de traçar, na caminhada em busca do futuro, seu próprio caminho. Quem os levou a este estado de coisas? O que lhes faltou para escarafunchar onde encontrariam a base do pensamento humano, formas de sentir e agir que lhes dessem discernimento necessário para não se deixar envolver por equívocos, falsas lideranças, mentiras descabidas?
 
“A ignorância popular, mãe do servilismo e da miséria, formidável inimigo” permeia o país há algum tempo. Vivi em meio a esta transformação e assisti, pesaroso, o esgarçamento da sociedade e a razão de ser da escola como fonte do pensamento, da criatividade.
 
Trabalhei numa instituição em que trafegava na contramão da rota estabelecida. Tenho plena consciência de que ensinei tudo e mais do que propunham os programas de ensino. Os próprios colegas condenavam o exercício pedagógico feito com otimismo e esperança e muitos dos alunos não reconheciam naquela forma de orientar o aprendizado o objetivo que os levara àquela escola.
 
Tenho comigo, até hoje a bendição do instante em que trouxe para dentro da sala de aula ações pedagógicas antagônicas às propostas: amorosidade com os livros para uma leitura prazerosa, mesmo quando obrigatória; leitura de poemas até alcançar o misterioso receio provocado pelo novo, a ponto de sentir a alma estampada na pele. Assistir a espetáculos que fizessem pensar no que deles ficava, num tempo marcado pela censura.
 
Muitos dos colegas, em especial os que se dedicavam às ciências exatas, de forma nem sempre elegante, deixavam entrever que nada daquilo era importante. Importância havia no que pudesse levá-los a responder com precisão testes de múltipla escolha com base na decoreba programada. Mas, e o resto? O que de fato os faria formados para o exercício da profissão escolhida com amor e respeito na sua relação consigo mesmos e com o outro?
 
Com que alegria hoje, passados anos, posso saber, de muitos, quanto ficou destas ações recolhidas na sua formação secundária. Foi o que despertou sentido, o que lhes revelou a essência de ser. A escola bem orientada é, ainda, o melhor caminho para retomar o que se perdeu. A instituição, no entanto, existe para ser a alavanca do desenvolvimento e do progresso social, onde seja possível reconhecer o certo e o errado, o lógico e o ilógico, a virtude e a perversidade.

Da redação

 
 
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