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Somos donos do quê?
Plinio Montagner
06/02/2018 16h37
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Desde o nascimento até o fim de nossa vida, tudo que temos e nos rodeia não nos pertence, nem pertenceu nem pertencerá definitivamente. Não somos donos de nada, do tempo, do espaço, da luz, da natureza, nem de nosso corpo.
 
O homem tem a mania de imaginar que tudo que ele conquistou, comprou, usufruiu, sugou e explorou da terra e das pessoas lhe pertence para sempre. Esquece que o mundo existia há milhões de anos antes de se intrometer no planeta.
 
Então ele apareceu e começou a bisbilhotar. E foi tomando para si como dele fosse o que precisava e o que lhe deleitasse.
Tudo que abrigou e conquistou foi acumulado, bens materiais, armas, alimentos. O que foi arrebatando veio de graça para seu sustento, proteção e sobrevivência, talvez provindas de herança divina. O mérito do homem nessa história é zero.
 
O sol, a terra, os rios, os animais, o ar, a natureza foram benesses servidas à humanidade nos banquetes da natureza.
 
Em outro patamar, as heranças materiais e espirituais, nossa casa, nosso carro, bicicleta, chácara, dinheiro, discos, ferramentas, tudo será retido na alfândega terminal da vida, cairão em outras mãos, que também não deterão posses definitivas.
 
Quem nos criou deu aos seres o passe da liberdade, o livre arbítrio. Mas esse ser ontológico que criou o Universo programou um código de posse com cláusula de retenção e devolução.
 
Nem todos agradecem, tampouco a um ser mitológico, pelas dádivas, principalmente, a maravilha do existir. Nossa pequenez nos impede de agradecer.
 
Nosso corpo é um invólucro vivo à mercê de todas as intempéries naturais e circunstâncias da vida. De repente seremos uma caixa de surpresas, que pode estar vazia ou com chocolates, ou um cofrinho de quinquilharias ou de luxuosas surpresas. Não temos o direito de modificar e destruir o que nos abrigou e acolheu. 
 
Chegar à idade avançada com saúde é uma dádiva rara. O tempo é lento, mas um dia todos vão perceber que o corpo se afrouxa e a mente se cansar.
 
Nada se perde e nada se cria, tudo se transforma. Uma saudação a Lavoisier. E assim se completa o ciclo em que também seremos perdas àqueles que por ventura chorarem por nossa saída. 
 
Que assim seja!
 
Sob esse foco a vida não é injusta. Injustos somos nós que saímos do foco sem pagar nossas dívidas à natureza, e sem nada retribuir. As belezas são para ser contempladas e sem pagar ingresso. O homem faz pouco para merecer tanta beleza e suplementos.
 
Não existem desapegos espontâneos; as perdas ocorrem contra nossa vontade. O que queremos não é mais importante do que o que temos, exceto a saúde e a paz.
 
Há quem nada deixa de herança, outros deixam muito e outros deixam dívidas e problemas. Mas nada era nosso mesmo. Perde e deixa para trás quem tem.
 
O que é permitido, mesmo sob a ótica da teoria francesa do laisser-faire, é manter firme nosso direito de liberdade de dispor como quisermos o nosso corpo.
 
Liberdade conquistada gera responsabilidade que poucas pessoas assumem.

Plinio Montagner

 
 
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