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A Pedra
José Faganello
10/04/2018 18h17
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Foi a primeira arma e a rústica e inicial ferramenta de nossos pré-históricos ancestrais. Também nela, o homem deixou suas primitivas manifestações artísticas nas pinturas rupestres. Está intimamente ligada com o nascimento da História: os primeiros relatos foram documentados na pedra.
 
Os monumentos, que sobreviveram à ação do tempo e hoje testemunham as gigantescas e incompreensíveis construções das antigas civilizações, foram construídas tendo-a por principal matéria-prima. Entre eles podemos relembrar os Menires e Dólomens pré-históricos, as Pirâmides, os Obeliscos e as misteriosas e imensas estátuas da Ilha de Páscoa.
 
Sobre ela há na Bíblia inúmeras passagens, como a pedra da funda de Davi, que derrubou Golias; as pedras da lei, de Moises e a contundente lição de Cristo: “quem não tiver nenhum pecado, que atire a primeira pedra”.
 
Em nossa história temos a epopéia de Fernão Dias Paes Leme, cantada em versos por Olavo Bilac, onde descreve a obsessão deste bandeirante pelas esmeraldas, e seu malogro ao descobrir turmalinas, pedras sem nenhum valor.
 
Sua importância, seu envolvimento com os homens é tão grande que aparece nas mais variadas expressões: pedra de toque, é uma pedra no meu sapato, pedra angular ou fundamental, pedra de afiar, pedra de ara (a que ocupa o centro do altar), pedra dos dentes (tártaro), pedra de escândalo (pessoa que é motivo de mexericos), pedra filosofal (fórmula secreta que os alquimistas procuravam para transformar em ouro qualquer metal), pedra de mó (para moer grãos); pedra preciosa, que possui maior ou menor valor, de acordo com sua dureza ou propriedade óptica. A mais cobiçada é o diamante. No Brasil, Aleijadinho se imortalizou fazendo esculturas em pedra-sabão. A passagem do Novo Testamento, onde Cristo afirma: “tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”.
 
Carlos Drummond de Andrade conseguiu ligá-las aos obstáculos da vida nos versos da poesia. No meio do Caminho. “No meio do caminho tinha uma pedra”.
 
É dela, esfarelada pelas intempéries, que saem os sais minerais, responsáveis por tornarem mais ou menos produtivo um solo e tornar os oceanos salgados.
 
Todos, ao longo da vida, como Carlos Drummond, encontraram pelo caminho muitas pedras. A maioria estanca ou retrocede por não conseguir ou sequer tentar ultrapassá-las. Outros, ou as escalam com dificuldades mil, ou as rodeiam com esforços sobre humanos, ou seja, vencem os obstáculos, não se atemorizam com as pedras do caminho, pelo contrário, as transformam em preciosas jóias ou constróem com elas sua moradia.
 
Tito imperador romano, chamado, por sua bondade, de “Delícias do gênero humano” com absoluta certeza, sem nenhum preconceito racista, marcava com uma pedrinha branca, que colocava em um caixinha, o dia que considerava feliz e que lhe fora proveitoso (Albo lapillo notare diem).

José Faganello

é professor


 
 
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