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Condicionamentos e liberdade
André de Paiva Salum
18/04/2018 18h11
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Somos de tal forma condicionados que não nos damos conta da dimensão e das consequências desse processo. Crenças, tradições, convenções sociais, preconceitos, medos, imposições religiosas acabam moldando nosso comportamento e cerceando a genuína expressão do nosso ser. Muitas dessas influências são passadas de modo inconsciente, pela repetição de padrões aprendidos. Outras vezes existe a intenção de se influenciar pessoas e grupos, atendendo a diversos interesses, nem sempre os mais nobres.
 
Até certo ponto é natural e inevitável sermos condicionados, pois estamos inseridos em um contexto familiar, cultural, histórico, e refletimos em certa medida a época e a cultura em que vivemos, bem como os valores e princípios vigentes. A questão torna-se um problema quando somos condicionados negativamente e não percebemos seus efeitos destrutivos.
 
Podemos ser condicionados a considerar ruim o que seja diferente, a hostilizar quem expresse pontos de vista diferentes dos nossos, a reforçar divergências e a criar conflitos tão inúteis quanto desnecessários; a seguir certos modismos, independentemente do quanto possam ser nocivos.
 
As diferentes formas de fanatismo e de fundamentalismo, sejam religiosos, ideológicos ou outros, revelam a sujeição a um forte condicionamento, promotor de conflitos e das mais diversas formas de violência.
 
A hostilização a alguns grupos étnicos, a perseguição a certas expressões de fé e a credos religiosos e a demonização de determinadas orientações sexuais podem ser reflexos de condicionamentos, sem que haja uma reflexão sobre o porquê de tais atitudes.
 
Condicionamentos conseguem nos impedir de enxergarmos realidades mais amplas, nas quais aparentes divergências podem se complementar ou ao menos coexistir; restringem nossas possibilidades diante de desafios e problemas, ao nos prenderem a nossas aparentes certezas e verdades.
 
Uma mente condicionada aceita, de forma passiva, o que lhe é imposto, ostensiva ou sutilmente, sem que haja reflexão, análise ou questionamento.
 
Parece importante reconhecermos até que ponto estamos sendo autênticos ou simplesmente reproduzindo padrões que aceitamos e assimilamos, sejam religiosos, políticos ou culturais, de consumo ou modismos, atendendo a interesses que podem ser escusos e estar habilmente controlando e manipulando o comportamento humano.
 
Será que conseguiríamos, pelo menos em parte, nos livrar de condicionamentos negativos, vivendo com maior lucidez e liberdade? Talvez o primeiro passo seja reconhecermos o quanto estamos condicionados e distantes de um agir consciente e livre. Podemos também, como exercício de autoconhecimento, reconhecer as sombras interiores que carregamos, as quais podem servir de terreno fértil sobre o qual os condicionamentos criam raízes. Se formos menos condicionados, possivelmente poderemos reconhecer nossa identidade mais profunda, essencial, possibilitando um viver mais verdadeiro, íntegro, a se expressar em relações mais fraternas e saudáveis.

André de Paiva Salum

É médico homeopata


 
 
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