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Amor com adjetivos
José Faganello
05/06/2018 12h39
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“O amor tudo vence” (ditado latino)
 
Certamente, entre as palavras, amor é a mais usada, versejada e cantada ao longo dos séculos. A ela vários significados são atribuídos e muitos “amores” tornaram-se do conhecimento público, enriquecendo a literatura e despertando a curiosidade geral.
 
A palavra amor significa, antes de tudo, a atração profunda por alguém ou alguma coisa. Na maioria das vezes. a palavra amor é acompanhada de um adjetivo que lhe determina a natureza. Amor à liberdade, à pátria, a Deus, aos livros. Pode significar o objetivo da atração: - “Tu és o meu amor”. Pessoa ou coisa digna de ser amada: “Ela é um amor”, Relação amorosa: os amores de Messalina. Amor platônico, admiração puramente ideal que não procura a posse física do ser amado. Na linguagem das artes significa paixão, entusiasmo: “esse quadro foi feito com amor”.
 
A “palavra amor entra, em muitos adágios e sentenças: “Amor com amor se paga”, “amores novos esquecem os velhos”, “Feliz no jogo, infeliz no amor”.
 
Ele, no entanto, excluindo aqueles que se dedicam ao amor espiritual ou amor divino, traz a conotação de amor físico, amor carnal, amor erótico. Está, portanto, ligado a dois significados inseparáveis: prazer e pecado.
 
A cultura cristã, principalmente, sempre tentou coibir, com os castigos eternos, o desejo sexual. S. Paulo e Santo Agostinho foram os paladinos em incutir nos cristãos, que o corpo era uma fera a ser dominada e não um senhor a quem se deve servir. A única concessão que Paulo fez ao sexo está no capítulo 7 da Primeira Epistola aos Coríntios: “é bom que o homem não toque a mulher... Digo aos solteiros e às viúvas que é bom se permanecerem assim como eu. Mas se não têm continência, que se casem; porque é melhor casar-se que abrasar-se”.
 
O antigo testamento já é menos rigoroso. O “Cântico dos Cânticos”, que segundo Rabi Akivá é santíssimo - “As Escrituras são santas, mas o Cântico dos Cânticos é santíssimo, no entanto, é um hino à luxúria”.
 
No mundo moderno, Freud e seus seguidores atestam a natureza incuravelmente sexual do homem, denunciando os males e a inutilidade da repressão sexual.
 
A Enciclopédia católica assim se refere à luxúria: “A ação luxuriosa é o emprego ou busca desordenada do prazer sexual; desordenada não apenas porque escapa ao sentido moral, social e biológico da atividade sexual, mas também porque o fazê-lo sujeita o que há de espiritual no homem ao domínio dos valores materiais mais grosseiros, atuando como força desintegradora da personalidade”.
 
Sem dúvida, o sexo é um grande desordenador da sociedade. As proibições religiosas, no entanto, foram incapazes de conter as torrentes de libidinagens que avassalam nossos tempos, não obstante o atual e implacável repressor: o HIV.
E assim caminhamos nós, entre outras tantas dúvidas, com mais esta: o sexo é um bem ou um mal? Sem ele não existiríamos! Baudelaire teria razão ao afirmar que o ato sexual é uma manifestação do mal?
 
A perseguição a este pretenso mal só faz aumentar a libido. Hoje a banalização do sexo, nos trajes, na letra das músicas, na incrível facilidade das conquistas amorosas, vem tirando aquele sabor, que só o proibido tem. Amor e pecado continuam unidos, hoje com muito mais pecados, menos amores e, principalmente, menos sabores, pois cada vez mais é proibido proibir.

José Faganello

é professor


 
 
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