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Nacionalismo
José Faganello
19/06/2018 12h49
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Um dos grandes perigos dos nacionalismos, quando não têm heróis autênticos, e fabricá-los com a matéria de heróis de aldeia”. (Gregório Marañón)
 
As ideologias, geralmente, são nocivas, pois o sistema predominante de ideais e normas torna-se arma de repressão, por meio da qual a classe dominante legitima seus próprios valores e a classe trabalhadora é iludida e ludibriada.
Embora as ideologias estejam bastante desgastadas e depreciadas, viceja em não poucos seguidores.
 
O nacionalismo é uma delas; procura embasar-se em uma nação estruturada na identidade geográfica, étnica, linguística, cultural, histórica ou religiosa.
 
As idéias nacionalistas originaram-se na Baixa Idade Média, com o declínio da autoridade eclesiástica e da feudal. Houve, então, a necessidade de uma comunidade política abrangendo um território mais amplo, inicialmente alicerçado no lema: “um rei, uma lei, uma fé”.
 
O nacionalismo europeu contribuiu para o imperialismo do século 19, com todas as atrocidades e saques, principalmente nas colônias.
 
Dele também derivou o Fascismo, forma de nacionalismo radical, exclusivista, no qual o chefe encarna a nação, portanto com um status sagrado, ao qual, todos os demais interesses se subjugam.
 
O patriotismo é o lado pessoal do nacionalismo, sentimento de orgulho, amor e lealdade à nação. Os chamados patriotas, em geral, são chauvinistas, têm inabalável crença na superioridade nacional e, mesmo sabendo da fraqueza de suas forças armadas, nutre sentimentos militaristas e acreditam que “a clava forte” pode abater quem quer que seja.
 
Einstein, diante do nacionalismo europeu cúmplice nas duas Grandes Guerras Mundiais, chamou-o de “doença infantil... o sarampo da humanidade” e esperava que a humanidade, um dia, iria de ele curar-se.
 
O grande historiador H. G. Wells conseguiu tirar proveito de suas pesquisas históricas ao chegar à conclusão de que “A nossa verdadeira nacionalidade é a humanidade”.
 
Devemos amar a pátria em que vivemos e trabalhar para que ela seja generosa com todos seus filhos, não apenas para pequena parcela deles. Não devemos, porém, odiar nenhuma outra nação. A cultura, riqueza, poder e glória manifestam-se, de uma forma ou outra, em todas elas; em todas há pessoas que seguem os grandes princípios que são: amar, compadecer e ser útil, mas a maioria não.
 
Devemos evitar que nossa nação seja o que Julian Huxley definiu: “Uma nação é uma sociedade unida por um erro comum quanto à sua origem e por sua aversão aos vizinhos”.
 
Um exemplo é a letra do hino chinês estabelecido em 1949, com a Nova China: “Levante-se povo que não quer ser escravo. Vamos juntos construir uma nova Grande Muralha com nossos corpos. Nossa nação enfrenta grandes perigos. Cada um de nós deve gritar com todas suas forças. Levantem-se, levantem-se, milhões em um só coração. Enfrentemos o risco do fogo e dos canhões inimigos. Avante, avante”. 
 
A maioria dos hinos nacionais tem letras parecidas com as do hino chinês, predispondo à guerra e à belicosidade. O paradigma é a Marselhesa e o nosso não fica atrás, com sua clava forte, contra as armas nucleares.
Saber que os chineses são embalados por tal hino, que teve a força para motivá-los a ficar em primeiro lugar nas Olimpíadas, com 51 medalhas de ouro, é preocupante.
 
A Copa do Mundo do Futebol é um dos eventos que acirra os nacionalismos. Torcer pela sua seleção é inerente, no entanto o esporte deve ser um congraçamento e, nem sempre o melhor vence. Os primeiros resultados estão ensinando.
José Faganello é professor 
Jfagao@gmail.com

José Faganello

é professor


 
 
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