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Procurando o sentido da vida?
David Chagas
10/07/2018 07h33
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Se eu me chamasse Raimundo, diz o poema, seria tão somente uma rima, não uma solução. 
 
Assusta-me ver como as redes sociais atacam, de diferentes formas, a falta de conhecimento e leitura. Lançam mão de publicidade em torno de palestras e cursos capazes de salvar os ignorantes da desilusão e do erro. Poucos os ensinam, como fez Tolstoi na sua obra, a descobrirem o sentido da vida.
 
Como pode alguém, com alguma formação pedagógica, participar disso sem o intuito exclusivo do dinheiro fácil? As redes sociais, forma moderna de contato rápido, trazem nas suas páginas, dezenas de ofertas, desde as mais corriqueiras até as mais sofisticadas. Há, em meio delas, quem, tendo aliciado para seu grupo ao longo da vida um sem número de seguidores jovens, lança mão do instrumento para oferecer-lhes caminho de salvação na procura para sua formação.
 
Difícil imaginar que ideias como estas partam de quem, algum dia, possa ter debruçado seus olhos sobre filosofia de Educação ou coisa que o valha, procurando saber a respeito dos princípios morais que regem a vida em sociedade. Se assim fosse não procurariam, com seminários oferecidos, atingir grupo específico pressionado pelo tempo para vencer concursos, entendendo nestas ofertas seu caminho de redenção. Só há uma solução possível: leitura e estudos. A leitura permitirá descobrir a verdadeira vocação e o estudo a solução possível para alcançá-la. 
 
O Brasil, nos últimos anos, encontrou entre muitos oportunistas, o desejo de realizarem-se em palestras, graças à retórica fácil, a eloquência e o dizer esvaziado. O que lhes dá prestígio é a ignorância que remete o Brasil aos últimos lugares na avaliação mundial de Educação, distante cada vez mais do compromisso moral de transformar o aluno em ser pensante, a quem se revele, ao longo da sua formação, a grandeza do existir que transcende o viver.
 
Como responder ao desafio das seleções impostas pela vida se nada e ninguém ensinaram a discernir, a dialogar, a comunicar e participar do que se apresenta diante de si provando, com isso, a grandeza de existir? Que experiências a Escola passa à vida do jovem com discussões em torno de temas da História e da Cultura nas mais diversas áreas de conhecimento apresentadas, fazendo-o Sujeito integrado à realidade, sem medo de transformá-la? Quem lhe dá espaço, em discussões como esta, exercitando a criticidade? Quem lhe permite demonstrar sua capacidade de criar, recriar, decidir? 
 
O jovem, de quem se roubou a essência do existir minando o pensamento e impondo o medo à liberdade, esmagado, diminuído, acomodado, formatado segundo o que lhe pôde oferecer a Escola e, por que não, a família, converteu-se em espectador de quem não o auxiliou a construir nada, pelo contrário, destruiu a sabedoria da infância e o brilho da existência naturalmente concebida.
 
Assim, fica fácil ir atrás destas ofertas como se fossem produtos de beleza que transformam, que perfumam, que maquiam. Nada mais que isso. E como aqueles com que comparo, também custam caro.
 
O que tento aqui? Repetir o aprendido numa lição de Tolstoi: “Todo homem de Estado, todo sociólogo, descobrirá, na sua crítica aprofundada da nossa época, visões proféticas, todo artista se sentirá entusiasmado pelo exemplo de quem torturou sua alma por querer pensar por todos e combater, pela força da palavra, a injustiça da terra”. 

David Chagas

É jornalista e professor.


 
 
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