Oportunidades e qualidade de vida do Brasil atrai venezuelanos

Mesmo os que recebem um salário mínimo por mês, declaram que viver no Brasil é maravilhoso. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Mesmo enfrentando dificuldades para ingressar no mercado de trabalho brasileiro e ganhando, em média, um salário-mínimo por mês, famílias venezuelanas refugiadas em Piracicaba preferem tentar a vida no Brasil, ao retornar a seu país de origem. Isso devido à escassez de produtos básicos, falta de segurança e inflação, que disparou nos últimos anos na Venezuela.

De acordo com o venezuelano José Gregório Navas, que trabalha como montador de armário para um amigo da Igreja Jesus Cristo de Todos os Santos, há muita dificuldade de conseguir um trabalho por causa do idioma, porém, com o salário que recebe, é possível ter uma vida digna. “Estou no Brasil há dois meses. Com o salário que eu recebo, eu passo o mês tranquilamente. Consigo trazer alimento e bebida para minha casa. Na Venezuela, o dinheiro do mês acaba em 10 minutos. Basta comprar arroz, Coca-Cola e meio quilo de carne que o dinheiro se vai. Tenho a expectativa de crescer aqui no país e viver o resto da minha vida aqui, e, se possível, em Piracicaba, que é uma cidade que me adaptei muito rápido”, disse Navas.

Além do salário e a qualidade de vida, a hospitalidade dos brasileiros impressionou os venezuelanos, segundo a estudante do primeiro ano do fundamental Michelle Navas. “Desde meu primeiro dia de aula, todo muito veio conversar comigo. Em uma semana, eu já estava adaptada e integrada. Todos os professores e colegas da minha classe me dão todo suporte para que eu consiga acompanhar. É impressionante. Parece que estou na cidade há anos. Não esperava isso. Estou muito feliz aqui”, disse.

Atualmente, Piracicaba conta com mais de 40 venezuelanos. As famílias chegam na cidade com o apoio da Igreja Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Os refugiados entram no Brasil a partir de Roraima e, de lá, são encaminhados aos estados e cidades que oferecem ajuda.

Segundo a diretora de ações públicas da igreja, Liliane Elotério da Silva, a instituição oferece todo conforto para que os refugiados possam seguir sua vida na cidade. “Procuramos uma casa para todos eles, o máximo possível que conseguimos depois mobiliamos com geladeira, armário, fogão e roupas. Muitas vezes, eles chegam aqui com apenas a roupa no corpo. Nos primeiros três meses, damos todo o suporte para que eles consigam um trabalho e, a partir daí, tenham sua vida”, relatou.

Amarildo Santos, também diretor de ações públicas da igreja, explicou a importância de receber os refugiados. “É gratificante para nós ajudar quem precisa. Temos que nos colocar no lugar do próximo. A missão da igreja é que todos tenham uma vida digna. Estamos fazendo um ótimo trabalho. Mais de 60% dos refugiados já têm um trabalho e, em breve, todos terão”,afirmou.

Para sair da Venezuela, as famílias enfrentam algumas adversidades. Muitas pessoas passam dias e noites na fronteira de Pacaraima, na Venezuela, à espera de uma liberação para viajar, explica Robson Villa. “Eu e minha família dormimos duas noites na rua e passamos muito frio. Estávamos na espera de liberarem nossos documentos e analisarem se tínhamos mesmo a necessidade de sair do país.”, lembrou Robson.

Marcelo Uliana

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