Os arregões

É de praxe no mundo sindical que as categorias reivindiquem aumento bem acima da inflação e também aumento real acima dos índices inflacionários, para que, durante as negociações com os patrões, os reajustes fiquem dentro de patamares aceitáveis ou que, pelo menos, seja mantido o poder de compra dos trabalhadores.
 
Por isso, causa estranheza o pedido do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de apenas 2,3% de reposição salarial, ao passo que a inflação atingiu 2,86% até janeiro deste ano, se considerar o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
 
Sem contar que o funcionalismo é afetado pela carestia. No ano passado, por exemplo, foi aprovado reajuste de forma escalonada da planta genérica de valores dos imóveis do município. Essa tabela é usada como base de cálculo do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Os valores venais de imóveis, terrenos e construção serão reajustados em 17,5% (!) até 2023.
 
Tudo bem. A conta de energia teve uma redução de 10,5% em Piracicaba ano passado, mas já se fala em revisão da tarifa em 15,4% neste ano. Sem considerar aqui a tentativa de reajustar em 6,94% as tarifas de água e esgoto na cidade, 135% a mais que a inflação oficial, de 2,95. Tudo isso, somado aos aumentos com combustíveis e transporte público, impactam de forma considerável a vida dos servidores. E, para piorar, a negociação do sindicato começa atrasada, como acontece todos os anos, com discussões intermináveis e atrasos nos repasses dos valores aos servidores (ainda que exista o pagamento de forma retroativa). 
 
Por tudo isso, o reajuste pleiteado pelo sindicato não atende as necessidades da categoria. Afinal, não repõe nem a inflação. Fica a impressão que o sindicato está acuado e inerte. Ano passado, no calor da discussão dos cláusulas econômicas e sociais do acordo coletivo, o funcionalismo ameaçou fazer greve, quando o prefeito Barjas Negri (PSDB) ameaçou reajuste “zero” nos vencimentos. Por isso, a própria categoria, insatisfeita e de mãos atadas, apelidou o sindicato que lhe representa de “arregão”. Será que, de novo, neste ano, o apelido vai colar?