Os facultativos

Os candidatos terão um trabalho redobrado para convencer os eleitores a deixarem o conforto de suas casas para votarem. Terão de gastar muita saliva para convencer os eleitores que não são obrigados a votar

Os especialistas são unânimes em afirmar que essas são as eleições mais sui generis dos últimos tempos. Isso porque a campanha eleitoral vai durar apenas 45 dias. Em segundo lugar, os candidatos estão tentando conquistar os votos através das redes sociais e os aplicativos de comunicação, ao ponto até de incomodar. E os candidatos terão um trabalho redobrado para convencer os eleitores a deixarem o conforto de suas casas para votarem. Terão de gastar muita saliva para convencer os eleitores que não são obrigados a votar. Em Piracicaba há 30.451 pessoas que não precisam votar – são os casos dos eleitores com 16 e 17 anos e os maiores de 70 anos.

Esse número é bastante significativo e pode até mesmo definir o resultado da eleição para deputado. Os marqueteiros de plantão terão de adotar estratégias convincentes para estimulá-los, principalmente diante deste desânimo generalizado com o mar de lama que atingiu Brasília e que se espalhou praticamente para todos os estados da Federação.

A juventude, por ser a fase da vida em que as pessoas querem mudar o mundo, pode até ter essa disposição de votar. Mas os maiores de 70 anos, por causa dessa desilusão e até por problemas de saúde, poderão desistir de exercer o direito de escolher seus candidatos. Ainda é muito cedo para falar isso e fazer uma estimativa. Temos que esperar até 7 de outubro.

Contudo, ainda é muito cedo para mensurar se essa parcela irá ou não às urnas. Os marqueteiros terão muito trabalho para convencer os eleitores facultativos a votarem, depois de tanta bandalheira, de impeachment de dois presidentes, de prisão de um ex-presidente e da detenção de centenas de políticos que arrombaram os cofres públicos.

Mas deveria ser justamente o contrário. Até por causa deste mar de lama, os eleitores – mesmo os facultativos – devem ir às urnas para exercer o seu direito e tentar escolher os melhores candidatos, que, de fato, estejam comprometidos em melhorar a vida dos brasileiros. E não o contrário, que estejam interessados em melhorar de vida através da política. Somente com o exercício da cidadania – pelo voto – que todos podem aprender a votar. E assim, escolher os melhores candidatos. Mesmo que se arrependa depois, votar ainda é o melhor caminho.

(Claudete Campos)