Os novos territórios da saúde

Atualmente com uma filha de 2 anos de idade, me viro nos 30 para me manter atualizado para estudar e ler alguns artigos. Em dois deles me levou a uma reflexão dos tempos modernos. As leituras para as quais  me baseei para fazer este artigo foram sobre o livro  “A fisiologia do gosto” do autor Jean Anthlme Brillat Savarin e um outro artigo sobre o livro do Nobel de Literatura Mario Vargas Lhosa  “A civilização do espetáculo”.

A leitura destes textos me levaram há alguns anos, quando eu via na tv aberta, o monopólio dos comerciais ligados a grandes marcas de roupas, carros, alimentação, bancos entre outros. Não sei os mais novos, mas ainda me lembro dos comerciais da Embratel com o seu DDD, do chocolate tortuguita, do chocolate baton e do McDonald’s. Ver um comercial sobre academia, saúde, exercício e atividade física quase não se tinha, sendo deixado  esta parte para os programas de esporte como Esporte Espetacular, Globo Esportes, Stadium etc…

Atualmente, o que vemos por meio das mídias sociais e  seus smartphones e computadores foi a democratização da informação. E estamos vivendo a Era da Beleza, a Era da Saúde e porque não, a Era do Hedonismo. Postar selfies fazendo exercícios, postar fotos de pratos, postar dicas de alimentação e saúde é o que domina algumas mídias sociais como o Instagram e Facebook. Falar sobre saúde hoje em dia tornou-se tão importante quanto falar de violência, problemas do Brasil e sexualidade.

Esta tendência contemporânea é a identificação forte do individuo em se tornar importante para o outro, baseado em novas ideologias, seguindo cunhos de importância social. Se a pessoa é magra e tem não sei quantos mil seguidores (mesmo que metade destes seguidores são perfis falsos segundo as pesquisas mais atuais) ela é importante e, portanto, a pessoa gostaria de ser ela. Além disso, ocorre a mudança alimentar, muitas vezes baseadas em cunho religioso, de orientação como a natural, a social como comer de forma sustentável, a calórica que se baseia em comer poucas calorias ou a estética, como a comida gourmet.

Com esta democratização e quantidade de informações  surgiram os novos “gurus” ou “sacerdotes” e “sacerdotisas” do sucesso que nos dizem o que devemos comer, de que forma, com que quantidade para se chegar ao emagrecimento ou saúde. Manipulando através de seus milhares de seguidores, que os apoiam, os nossos novos valores sociais que ligados ao bom, ao agradável e ao belo, fazem da busca do reencantamento do mundo uma aventura baseada nos dizeres e valores delas para outras pessoas, sem precedentes na nossa história. Estão quase nos dizendo que fora do que eu faço não há salvação. Eu conheço alguns assim, e você? O bom é que ao mesmo tempo, vejo cada vez mais profissionais da saúde de todas as áreas ocupando estes espaços, com informações relevantes, baseadas em estudos e de qualidade para os seguidores e leitores.

É importante saber que nem sempre fomos assim. Devemos sim usar as informações disponíveis na internet para a nossa saúde, mas buscando sempre a qualidade e não a quantidade. Para discernir sobre isso, não tem jeito, por mais que a pessoa leia, ela terá sempre que se orientar com um profissional da saúde, seja ele médico, nutricionista ou professor de educação física.

Até a próxima!