Pai é preso acusado de estuprar e matar filho de 1 ano e 5 meses

Um desempregado de 26 anos é acusado de ter estuprado e matado o próprio filho, um bebê de um ano e cinco meses, que morreu anteontem, na favela do Pantanal, no bairro Monte Líbano. A vítima foi encaminhada desacordada à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) “Frei Sigrist”, na Vila Cristina, com sinais aparentes de violência sexual e espancamento. O acusado foi preso pela Guarda Civil após comparecer na base da corporação no mesmo bairro. Mesmo após ver o filho morto, na unidade de saúde, o pai não chorou ou mostrou sinais de arrependimento, segundo a Guarda Civil. O enterro aconteceu na manhã de ontem, no Cemitério da Vila Rezende. Os familiares do pai da criança foram proibidos de acompanhar o enterro. A Justiça manteve a prisão preventiva do acusado.
 
O caso chocou até mesmo quem está acostumado a lidar com crimes todos os dias. O subinspetor Antonio Carlos Bueno disse que a corporação foi chamada pela equipe médica. “Fomos chamados pela médica que diagnosticou que os hematomas na região da barriga seriam em decorrência de uma suposta violência sexual. A criança provavelmente teria morrido em decorrência de hemorragia”, comentou Bueno.
 
Segundo o subinspetor, a avó paterna e um tio do garoto teriam levado a criança até a UPA. “Estranhamos, inicialmente, o fato do pai não estar presente, mas a avó teria afirmado que o pai da criança alegou que estava dando banho no menino e ele teria caído de barriga no chão. Ela afirmou inclusive que estava lavando roupas e não ouviu o choro da criança”, relatou o subinspetor.
 
Uma equipe da GC esteve na moradia da família, onde comprovou marcas de sangue e fezes no banheiro. Os guardas registraram através de fotografia e preservaram o local até a chegada da perícia do IC (Instituto de Criminalística).
O bebê João Vitor morava na favela com o casal de avós paternos, o pai e um tio. Assim como o pai, a mãe foi usuária de entorpecentes e chegou a morar na rua.
 
 
SOCORRO—“Tenho outros três filhos que residem com a minha mãe. Cheguei sim a morar na rua, mas voltei para a casa da minha mãe, voltei a frequentar a igreja e estava lutando para ter minha família completa novamente”, comentou a mãe da criança, a desempregada Simone Miguel da Silva, 32.
 
A mãe do bebê disse que a última vez em que viu o filho com vida foi no sábado, na véspera do crime. “Tinha combinado com o pastor da igreja que me ajudaria a passar o domingo com meu filho, pois a família do meu ex não permitia o nosso contato. Naquele dia, tentaríamos passar o dia no zoológico”, desabafou Simone.
 
A avó materna Antonia Pinheiro São Miguel, 57 anos, disse que uns três dias antes da morte do neto ouviu choros de madrugada e tinha certeza que o bebê estava sofrendo. “Na sexta-feira (16) fui até a casa deles, que fica pertinho da minha, mas não deixaram ver meu neto. Parecia que ele me pedia socorro, mas não consegui ajudá-lo a tempo”, disse a avó, aos prantos.
 
 
PRISÃO—O acusado vai responder por estupro de vulnerável, resultando em morte, de acordo com o artigo 217A, artigo 4º, do Código Penal. O crime é considerado hediondo e se for condenado pode pegar pena de até 30 anos. O caso sobre o abuso será apurado pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). O acusado foi encaminhado para a audiência de custódia, onde o juiz manteve a prisão preventiva. Ele será encaminhado para a Cadeia de Sorocaba, unidade exclusiva para envolvidos em crimes sexuais.