Para ser bem sucedido é preciso paixão

Diretor acadêmico está entre os que implantaram novos cursos e promoveram o crescimento da EEP. (Foto: Amanda Vieira / JP)

Aos 71 anos, o professor piracicabano José Carlos Chitolina conta com orgulho sua trajetória na educação. Logo cedo, ele seguiu as orientações dos pais Ida Bovi e Carlos Chitolina e passou a encarar a educação como a possibilidade de ter condições dignas de vida e a forma com que um país poderia encontrar seu desenvolvimento .

Com este norte, o futuro docente buscou o conhecimento onde quer que ele estivesse, por isso, conquistou títulos no Brasil e no exterior, entre eles a graduação em Engenharia Agronômica, mestrado em Solos e Nutrição de Plantas, doutorado em Agronomia, todos pela Esalq/USP, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas, além de aperfeiçoamento no Japão e pós-doutorado pela Universidade de Nebraska/Lincoln/EUA.

Chitolina é casado com a engenheira civil Madeleine Peron e pai de Cláudia Caldeira Chitolina, 43 anos, formada em Turismo, Solange Caldeira Chitolina, 41 anos, formada em gastronomia e Ivan Caldeira Chitolina, 38 anos, psicólogo.

Nas horas vagas o professor é adepto da caminhada, tênis de mesa e gosta de assistir a jogos de futebol, de basquetebol da NBB e da NBA, jogos lúdicos e de uma boa conversa com amigos. Nesta semana de definições e organização dos eventos dos 50 anos da EEP (Escola de Engenharia de Piracicaba), Chitolina reservou um tempo para esta entrevista ao Persona.

Por que escolheu a carreira na área da Educação?

Desde criança sempre tive a orientação de meus pais de que a educação escolar, além de representar um crescimento pessoal, também representava uma possibilidade de ter condições dignas de vida e era a forma com que um país poderia encontrar seu desenvolvimento atendendo as aspirações do seu povo.

O amadurecimento e o despertar para o ensino senti pelo exemplo dos professores que tive desde o curso primário até o científico na Escola “Sud Mennucci” e no curso superior na Esalq/USP que faziam um diferencial de que, pela educação, conseguiam gerar impacto na vida dos seus alunos.

A decisão pela área veio desse propósito pessoal exatamente de impactar os outros e para isso o melhor que aconteceu comigo foi uma aliança entre profissão e vocação, que se iniciou quando ainda era estudante de graduação e fui professor de química do curso Luiz de Queiroz – Preparatório para Vestibulares, sentindo-me hoje plenamente recompensado e realizado profissionalmente, mesmo porque para ser bem sucedido há uma palavra chave: paixão. A beleza da educação é o dinamismo que ela apresenta.

Quais funções já desempenhou na EEP?

Na Escola de Engenharia de Piracicaba fui contratado por concurso público em 1998 para ser responsável pela disciplina de química aplicada à engenharia mecânica; atuei como vice-diretor acadêmico de 04/2002 a 12/2003, diretor acadêmico de 12/2003 a 06/2009, coordenador dos cursos de engenharia civil, mecânica, ambiental, administração e ciência da computação e novamente como diretor acadêmico de 02/2016 até a presenta data. Além destas atividades na EEP, também estive à frente da diretoria executiva da Fumep (Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba) de 06/2004 a 06/2006.

Nestas situações, tive a oportunidade de colaborar na aceleração do crescimento da EEP aumentando a oferta de cursos no período noturno e criando novos cursos, pois o cenário de concorrência que se estabeleceu desde então no Brasil relativo ao ensino superior obrigava a Instituição e a Fumep a estarem preparadas para uma nova etapa de crescimento e se sustentarem de forma sólida. Uma vez que a Fumep, mantenedora da EEP, depende financeiramente das mensalidades de seus alunos.

Esta situação de concorrência foi acirrada pelo fato de o governo federal autorizar a abertura de inúmeros cursos superiores particulares, bem como pela expansão econômica do país.

Podemos considerar que esta condição é bastante motivadora, pois o conflito de concorrência pelo oferecimento de mais vagas e de preços pode ser salutar para a Educação, desde que sejam preservadas as condições de qualidade do ensino. Considero este momento por que passa o ensino superior privado brasileiro dentro de um humanismo evolucionário que apresenta soluções diferentes para o problema das várias experiências de conflito de concorrência. O conflito, por ser a base da seleção natural, pode ser um agente propulsor para impulsionar a evolução educacional para outros patamares, rompendo o modelo existente para outro em que os alunos e professores possam ser copartícipes em tempo real de situações de ensino/aprendizagem capazes de transmitir o conhecimento de uma forma agradável, com o aluno sentindo-se estimulado a ser o melhor profissional possível.

A EEP completa 50 anos em 2019, qual a importância da instituição para a cidade em seu ponto de vista?

A visão dos mentores iniciais da Fumep e da EEP e seus fundadores, representados pelo Sr. Luciano Guidotti, prefeito de Piracicaba em 1967, estava focada, em meu entender, nas necessidades de oferecer oportunidades para os jovens piracicabanos realizarem curso superior na própria cidade devido ao escasso número de vagas ofertadas pelas universidades públicas, duas delas em Piracicaba (Esalq/USP e FOP – Faculdade de Odontologia/Unicamp); visão esta alinhada também com o desenvolvimento da cidade e do país que, pelas suas dimensões e prioridades de ações governamentais, necessitavam de profissionais de engenharia. O governo federal incentivou naquela época a criação de fundações públicas municipais para o oferecimento de cursos superiores não gratuitos.

Ao longo dos seus 50 anos de existência, tendo formado aproximadamente 6850 profissionais, percebemos que a EEP se fundamentou em pilares educacionais como diferenciação, representada pelo foco em pontos importantes na sua área de atuação; relevância, pois os cursos por ela oferecidos têm importância para o mercado; estima, uma vez que os seus egressos e atuais alunos sentem orgulho da Escola; conhecimento, pois a ciência e a tecnologia hoje disponíveis não são processos prontos e acabados, mas sim condições para adquirir novas capacidades e, em particular, desenvolver novas tecnologias. Ou seja, o novo ainda se está por descobrir e não se têm respostas para todos os questionamentos.

Considerando as situações expostas, pode-se dizer que a EEP pela sua atuação de formar profissionais altamente qualificados, impulsionou o desenvolvimento de Piracicaba e região nas áreas da construção civil, mecânica, robótica, informática, computação, administração e ambiental, com inúmeros projetos elaborados e desenvolvidos por nossos ex-alunos, em empresas públicas ou privadas, e que, evidentemente visaram e visam sempre o bem estar da população.

O que não vai faltar nas comemorações de Bodas de Ouro da EEP?

É importante que o marco simbólico de 50 anos de vida institucional deva ser comemorado com a importância que a EEP merece em conjunto com a cidade que a promoveu e acolhe.

Assim, criamos a Comissão de 50 Anos de Festividades da EEP que, sob o comando do professor Milton Rontani Júnior, planejou as comemorações que se transcorrem ao longo de 2019.

Chegado aos 50 anos, quais expectativas para o senhor com relação à EEP para os próximos anos em termos de projetos e atuação junto à comunidade?

A EEP iniciou suas atividades acadêmicas em 1969 com o curso de engenharia civil. Com os pés no chão e um crescimento gradativo, outros cursos foram criados como engenharia mecânica, ciência da computação, engenharia ambiental, administração, engenharia mecatrônica, tecnologia em fabricação mecânica, engenharia de produção e engenharia da computação. Mais recentemente criou o Centro

de Pós-Graduação, onde são oferecidos cursos de especialização abrangendo várias áreas do saber. Como a EEP é, principalmente, uma instituição voltada para o ensino, porém realiza o desenvolvimento de trabalhos tecnológicos e de pesquisa por meio de seus alunos nos projetos de conclusão de curso ou em outras situações com a devida orientação de professores, chegou brilhantemente até os dias atuais pela qualidade de ensino que nela se pratica formando profissionais que exercem suas atividades com responsabilidade e competência em empresas ou firmas próprias, espalhando o nome da EEP não só em Piracicaba e região, bem como nacionalmente. Isto é motivo de muita satisfação para a Escola bem como para os alunos.

Assim, as minhas expectativas são olhar o futuro com a responsabilidade do que o passado nos legou e avançar nas nossas competências de formação de recursos humanos compatíveis com os anseios e envolvimento dos jovens com as tecnologias hoje facilmente disseminadas e outras que num futuro próximo estarão disponíveis para numa ação interativa professor e aluno desempenhar sua vocação de formar excelentes profissionais em um novo contexto didático extremamente motivacional para o entendimento mais simples e rápido de conhecimentos mais complexos e que preparem os alunos para atuação profissional não somente para o mercado de trabalho brasileiro, mas internacionalmente, com a visão ampliada de sentir-se um cidadão do mundo.

É pretensão criar cursos de graduação e pós-graduação e seguir da mesma forma empreendedora e inovadora como a EEP se consolidou ao longo dos seus 50 anos.

Se o senhor pudesse dar um presente hoje à EEP, qual seria e por quê?

Eu reuniria todos os alunos, professores e funcionários que por aqui passaram e os atuais, partícipes da vida e da construção da Escola, e todos unidos num gesto de um significativo abraço carinhoso e apertado na EEP em reconhecimento e reverência aos seus gloriosos 50 anos, dando um brado uníssono de Viva a EEP!

Os estudantes de quase todo o país têm saído às ruas em manifestações contra o contingenciamento de verbas para as universidades anunciado pelo governo federal. O que o senhor acha dessas manifestações?

O governo brasileiro é voraz em arrecadar verbas por meio de impostos e taxas em quaisquer atividades desenvolvidas por seus cidadãos e com retorno social com muitas deficiências nas áreas essenciais de interesse de seu povo.

Pessoalmente, eu só pude realizar o curso superior pelo fato do mesmo ser gratuito e, por formação, considero importante esta situação.

Por outro lado, temos o gerenciamento das verbas públicas governamentais e o gerenciamento das verbas alocadas às universidades pelo governo.

Quanto ao gerenciamento das verbas governamentais, se o valor não é suficiente o governante imediatamente pensa em aumentar impostos de várias naturezas para o equilíbrio fiscal, sem apresentar ao país projetos desenvolvimentistas de curto médio e longo prazos.

Isto já não é aceitável, pois não cabe mais no bolso dos brasileiros. E, como cidadão, fico pensando que falta gestão responsável, pois os casos de corrupção são incontáveis, com a drenagem de dinheiro público para as mais inimagináveis finalidades longe do interesse da população. Então, esta situação deve ser combatida de frente com todo empenho, pois o déficit governamental é inadmissível pelo que o governo arrecada.

Beto Silva
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