Parabéns, doutor Pedro

Sim, os médicos cubanos vão fazer falta e terão que ser repostos. Prova disso que é que Secretaria Municipal da Saúde de Piracicaba lançou ontem a proposta de um plano de emergência para minimizar a saída dos 23 profissionais, que por causa do fim da participação de Cuba no Programa Mais Médicos vão deixar o País.

Esses profissionais – ainda que tenhamos críticas ao governo cubano, ao falecido Fidel, à Nasa e ao Afeganistão e à uva passa nas comidas de final de ano – tinham uma função importante em nossa rede e estavam no atendimento mais próximo das famílias de baixa renda, as Unidades de Saúde da Família (USFs). Para quem não sabe, são essas unidades com médico, enfermeiros e agentes de saúde que rodam os subúrbios da cidade para um trabalho ativo de prevenção, manutenção e acompanhamento das famílias e pacientes, especialmente, os acamados e outros em situação de risco. Eles visitam casas, algumas nem casas chegam a ser, levam remédios e acompanham exames, num trabalho quase pedagógico de saúde.

O secretário de Saúde, Pedro Mello, teve agilidade em pensar em ações que ajudem cobrir eventuais faltas, que incluem o redirecionamento de demanda dos pacientes das áreas de clínica médica, pediatria e ginecologia para as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e os Crabs (Centros de Referência à Atenção Básica), além da realização de mutirões aos sábados e a escalação de médicos da rede, ou seja, das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) para as unidades da família. Os mutirões começam já neste sábado. Ou seja, é coisa para ontem.

Que destaque-se a agilidade do secretário de Saúde e também médico, Pedro Mello, que buscou nos recursos que tinha disponíveis uma solução – ainda que provisória – para a situação, enquanto o governo federal tenta arrumar a casa e repor os profissionais que devem deixar o país.

Ninguém quer discutir as condições em que esses médicos são mantidos por Cuba, porque nosso entendimento é sempre parcial e viciado pelas sagazes mensagens de Facebook e Whatsapp, mas destacar que a chamada Atenção Básica que é a porta de entrada da rede de Saúde não pode ficar sem a figura do médico, assim com não pode ficar sem o enfermeiro, o assistente de enfermagem e o agente comunitário, porque é lá que estão as mazelas da nossa sociedade, os mais fracos socialmente e, muitas vezes por isso mesmo, quase afônicos. Mas, se eles não têm voz, que pelo menos nós tenhamos um olhar mais fraterno com quem não sabe sequer ler uma bula de remédio.

(Alessandra Morgado)