PCJ alerta para possível crise no abastecimento de água em 2018

O Consórcio das Bacias PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) alerta para uma nova crise no abastecimento de água em 2018, semelhante a que aconteceu no ano de 2014 em evento extremo considerado mais grave dos últimos 90 anos, onde o volume estratégico (volume morto) teve que ser utilizado já que os indicadores de abastecimento do Sistema Cantareira então encerraram os anos em níveis similares em dezembro de 2013 e 2017. 
 
A avaliação foi realizada por equipe técnica e especialistas do Sistema de Gerenciamento dos Recursos Hídricos, ambos do Consórcio PCJ, que compararam as precipitações médias anuais e o volume de reserva do Cantareira. “Em 2013, ano que precedeu a crise hídrica de 2014, verificou-se situações de alerta quando o Sistema Cantareira apresentava 30% de capacidade de reservação. Em 2017, a exemplo de 2013, a capacidade do sistema encontra-se em índices críticos, em 40%”, informou o secretário-executivo da entidade, Francisco Lahóz.
 
Neste período de escassez hídrica, o ano de 2017 foi o que demonstrou melhor índice de chuvas, conforme explicou Lahóz, no entanto, foi no ano passado que o “medo de uma nova crise” apareceu. “Com a mudança climática, os eventos extremos podem se tornar mais comuns. Ano passado choveu bem, porém não o suficiente para recuperar nosso lençol freático, o que nos alertou para a possibilidade de uma nova crise”, afirmou.
 
Com base nesses dados históricos, se não ocorrerem chuvas significativas no primeiro trimestre de 2018, as reduções de consumo pelos setores agrícola, industrial e urbano, terão que ser repetidas novamente, como aconteceu em 2014 e 2015. “Para fazer frente aos eventos climáticos extremos, somente com forte trabalho de proteção das nascentes, utilização de cisternas, reservatórios, reuso da água, entre outras, é que poderemos diminuir os riscos de desabastecimento. Nós incentivamos isso com projetos aqui no PCJ”, completou Lahóz.
 
Hoje, conforme explicou Flávio Forti Stênico, assistente técnico do PCJ, o preocupante ainda não é a baixa vazão do Sistema Cantareira, que ontem registrava o abastecimento de 18m3/s para a capital e 0,5 m3/s para as bacias PCJ mas sim a vazão dos efluentes. “A média histórica para o mês de dezembro é de 46m3/s. Em 2013 registramos 12 m3/s e, em 2017, 15m3/s, ou seja, já estamos entrando em uma situação crítica”, ponderou.
 
EDUCAÇÃO — Nos últimos anos, de acordo com o secretário-executivo do PCJ, o consórcio trabalha com a conscientização da população para atingir a meta de consumo diário de água, por habitante em 120 litros. “Aqui na nossa cidade, a média é de 200 litros por dia para cada pessoa. É muita coisa. Se chegarmos a esta meta atingiremos os indicadores da ONU e é possível ir além, já que em diversos países europeus este indicador é de 70 litros por habitante. Mas para isso, a comunidade não pode desperdiçar”, disse Lahóz.
 
PREVENÇÃO — Francisco Lahóz enfatiza que a entidade não quer causar desespero na população com a notícia, mas informar que a situação, novamente, não está favorável. “Não está chovendo nas cabeceiras que alimentam o Cantareira, o que já prejudica bastante, porém nós não estamos queremos ser alarmistas, mas pelo comportamento climático de estiagem que vivemos, precisamos nos previnir. As primeiras medidas já começamos a tomar com a redução no envio de água do Sistema para São Paulo e PCJ”, finalizou.