PCJ discute estiagem e vazões dos rios da região

Em reunião do Conselho do Consórcio, especialistas alertaram que, no ano, precipitações estão 11,38% abaixo do esperado. (Foto: Amanda Vieira/JP)

O Conselho do Consórcio PCJ debateu a estiagem e as vazões nos rios das Bacias PCJ em 2019, especialmente, nos últimos três meses. No ano, as precipitações estão 11,38% abaixo do esperado. A reunião reuniu membros do conselho representantes dos municípios das bacias. Representantes do Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) de Piracicaba participaram do encontro.

De acordo com a autarquia, apesar da falta de chuvas, a cidade não apresenta risco de racionamento. A assessoria de imprensa do serviço lembrou que a medida não foi adotada mesmo na crise hídrica ocorrida nos anos de 2014 e 2015.

No encontro de ontem, foi apresentada a preocupação com o abastecimento em municípios que não são atendidos pelo Sistema Cantareira e, portanto, não possuem reserva estratégica.

O coordenador de projetos do Consórcio PCJ, José Cézar Saad, apresentou na reunião que atualmente o volume útil do Sistema Cantareira é satisfatório, com o índice de armazenamento de 40,2% do volume útil, valor acima do que os reservatórios apresentavam na mesma data em 2018, que era de 34,25%. Porém, esse índice está sendo possível graças à transposição de água da bacia do Paraíba do Sul, feita a partir do reservatório de Igaratá para o do Atibainha do Sistema Cantareira. “Sem essa transposição, o volume útil do Sistema Cantareira hoje seria de 14%”, disse Saad.

O coordenador de projetos apontou ainda que a preocupação atual é com a vazão de afluência natural, ou seja, a quantidade de água que os rios formadores das represas do sistema levam ao reservatório, que no momento se encontra baixa. De acordo com ele, nos últimos três meses deste ano “as precipitações registradas ocorreram na ordem de quase 70% abaixo da média histórica, além de terem sido rápidas e concentradas”.

Saad atentou, porém, que a previsão é de que nos próximos sete dias ocorram chuvas na bacia em torno de 50 mm, o que dará um fôlego aos municípios que captam apenas em rios e ribeirões e não possuem reservatórios municipais ou não estão na bacia que se servem da reserva de água do Sistema Cantareira.

O secretário-executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz, lembrou que o comportamento climático atual se assemelha muito ao ocorrido em 2013, véspera da pior crise hídrica da história, que ocorreria nos dois anos seguintes, em 2014 e 2015. Ele atentou para que os municípios e empresas fiquem atentos às precipitações e às vazões dos rios das Bacias PCJ “e se preparem para executar possíveis ações de contingenciamento que o Consórcio PCJ recomenda para situações de estresse hídrico, como: implantação de bacias de retenção em zonas rurais, piscinões ecológicos em áreas urbanas, implantação de sistemas de reservação de água de chuva, sensibilização da comunidade, entre outras medidas”.

Beto Silva

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