Peça reproduz dores,paixões e angústias dos negros no Brasil

teatro Baseado em livro de Marcelino Freire, Contos Negreiros do Brasil será às 21h, no Sesc Piracicaba. ( Foto: Letícia Godoy)

Contos Negreiros do Brasil, um espetáculo documentário sobre a condição real e atual da população negra no Brasil, seja do jovem estudante, o gay negro, a negra hipersexualizada pela sociedade, o menor infrator, a prostituta ou a idosa, será encenado hoje, às 21h, no Teatro do Sesc. Os atores Milton Filho e Valéria Monã interpretam a peça por meio das estatísticas apresentadas pelo sociólogo e filósofo Rodrigo França. Todos os personagens estão no livro “Contos Negreiros”, de Marcelino Freire. Com preços entre R$ 5 e R$ 17, os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria ou no site do Sesc.

O drama leva o público a presenciar índices estatísticos contextualizados com cenas que reproduzem dores, paixões, medos, alegrias e angústias. No espetáculo, a carne negra é exposta em suas dimensões e experiências reais, sociais e culturais. O ator e idealizador da peça Rodrigo França explica que o espetáculo têm como objetivo provocar a reflexão crítica no público, diminuir ou erradicar o racismo social. “Cada conto contém uma análise que faz com que a plateia reflita. As cenas são construídas de maneira a costurar pontos a partir de dados numéricos, com inúmeras reflexões bastantes criticas, filosóficas, sociológicas e geográficas”, detalhou.

Contos Negreiros do Brasil está há 18 meses em cartaz e já passou pelo Rio de Janeiro, Recife, Grande São Paulo e Capital, além de ter recebido o prêmio Questão de Crítica. “Durante a encenação percebemos dois tipos de público. O primeiro tem a consciência de que o país é desigual e, por meio da peça, acaba verificando a desigualdade. O outro público é constituído por aqueles que sempre acreditaram na igualdade e através do espetáculo conseguem perceber a desigualdade ainda existente no Brasil. Apresentamos através da ficção, a real situação étnica-racial brasileira”, ressaltou.

Ele acrescenta que as pessoas saem impactadas do teatro por desvendar as questões da realidade muito difícil para os negros do Brasil. “No topo da pirâmide social está o homem branco heterossexual. As mulheres, por exemplo, estão bem abaixo, as mulheres negras, mais baixas ainda. Ao contrário do que muitos dizem, falar sobre racismo não alimenta o racismo, inclusive precisamos sim falar sobre racismo. Espero hoje, em Piracicaba, um público expressivo e que a gente possa afetar as pessoas. A arte é uma ferramenta de transformação”, salientou França.

SERVIÇO — Contos Negreiros do Brasil, hoje, às 21h, no Teatro do Sesc (rua Ipiranga, 155, Centro). Ingressos: R$5 (associados SESC e dependentes), R$ 8,5 (meia) e R$ 17 (inteira). Compras na bilheteria ou no site. Informações: (19) 3437-9292.

(Raquel Soares)