Pedro Caldari, o menino que desentortava pregos

Valdiza Maria Capranico

Perdemos na segunda feira o ex-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, Pedro Caldari, que liderou o nosso Instituto nos anos de 1994-95 e, mais recentemente, no período compreendido entre 2008-12.

Filho de imigrantes de Padova, na Itália, nasceu e cresceu no bairro da Vila Rezende, onde iniciou sua vida profissional aos 9 anos de idade, como desentortador de pregos da Codistil, por onde trabalhou durante 52 anos, saindo de lá como diretor financeiro e administrativo.

Um grande empreendedor e ativista social no seu bairro, foi do tempo em que os meninos enciumados com a presença de outros meninos que moravam “do outro lado da barranca do rio vinham de bonde para querer namorar as meninas do seu bairro. “Os meninos que se atreviam saiam de lá aos pescoções”, lembra em um dos seus livros de memória sobre o bairro onde viveu e se envolveu intensamente na vida social. Dos jogos de bocha às causas literárias; da ajuda social à colaboração direta para a internacionalização do grupo Dedini.

Formado em administração de empresas pela Escola de Economia, Contábeis e Administração, a famosa ECA, foi um dos alunos da primeira turma, que se iniciou em 1964. Antes, passou pela “Universidade do prof. Zanin”, como era conhecida a Escola Técnica de Comércio Cristóvão Colombo, que funcionava perto do cinema Politeama, na praça José Bonifácio.

Escreveu três livros de memórias sobre o bairro de Vila Rezende que deu origem a Piracicaba. Afinal, Piracicaba foi fundada na margem direita do Rio que lhe empresta o nome, para a qual vieram trabalhar nas lavouras de cana e café muitos dos imigrantes italianos no início do século XX. Escreveu outro sobre as origens da matriz da Imaculada Conceição, também no bairro. E sobre os 50 anos do Clube de Campo, que ainda hoje possui muitos associados “do outro lado do Rio”.

Como presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba por três mandatos, colaborou decisivamente pela institucionalização dos nossos projetos administrativos, culturais e históricos. Sob a sua liderança emergiu uma nova geração de pesquisadores e colaboradores que hoje dirige o Instituto. Deixou um grande legado para a história de Piracicaba. Um legado que o nosso Instituto haverá de honrar hoje e sempre.

É presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba