Pedro Motoitiro Kawai: Aprendizado na Câmara e futuro na política

Vereador assume pela 1ª vez a vice-presidência da Casa pensando em novos projetos e estuda candidatura a prefeito (Crédito: Amanda Vieira/JP)

O vereador Pedro Kawai, 47, está em seu segundo mandato na Câmara de Vereadores de Piracicaba. Neste ano, o tucano disputou as eleições para deputado federal, tendo expressiva votação. Para ele, valeu a experiência e condiciona uma nova tentativa às decisões do PSDB. Primogênito do casal Inês Teresinha e Naoki Kawai, Pedro Motoitiro Kawai é irmão de Kássia e David. Casado com a auxiliar administrativa Graciani Moreira, Kawai é pai da estudante Luana, 16 anos. Nesta semana, ele visitou a redação do Jornal de Piracicaba para ser entrevistado na seção Persona e abordou as expectativas para seu novo cargo com vice-presidente da Câmara no próximo biênio, dos projetos no Clube Nipo e de uma “possível” candidatura a prefeito de Piracicaba.

 

O senhor é vereador de segundo mandato, poderia fazer um breve histórico de sua atuação no Legislativo nesse período?

Foi um aprendizado muito grande, até chegar na Câmara tinha uma visão muito diferente do que era o Legislativo. Quando cheguei, tinha experiência de articulação porque fui, durante seis anos, assessor na Secretaria de Cultura, como diretor da Estação da Paulista. Era muito presente na Câmara, então quando cheguei lá e assumi a responsabilidade de ser vereador, a cobrança foi e é muito forte, principalmente naquele ano difícil, pois estávamos passando por um período de muito protesto por causa do aumento do salário dos vereadores, o Reaja Piracicaba e do Pula Catraca, com relação a tarifa do ônibus, então foi um choque muito grande de realidade. Você estava do lado de fora participando como convidado e passa a ser integrante da Casa, num momento turbulento. Você aprendeu a se posicionar mais forte nas questões do município e isso me ajudou bastante no início do mandato.

 

Isso ocorreu em 2013?

Sim, na legislatura anterior eles acertaram um aumento de salário, e também teve a tarifa dos ônibus, que deu muito problema para nós vereadores em início de mandato. Mas o dia a dia foi mostrando que a gente poderia contribuir como agente público nas questões que sempre trabalhei, que eram as questões sociais. Usar a força do cargo em prol, por exemplo, da difusão do Fumdeca (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), sendo que já fui membro do conselho da criança e adolescente. Então você usa a força do mandato para divulgar e defender este segmento da população, foi um aprendizado muito grande. O balanço que faço desses dois mandatos, é que nós conseguimos primeiro: aprender muito, no dia a dia, do funcionamento da máquina pública, do Executivo e Legislativo, mas principalmente como funciona a gestão da prefeitura porque nós vamos ter de fiscalizar, afinal esse é o papel do vereador.

 

O que o motivou a ser vereador?

Eu sempre fui envolvido em movimentos políticos, desde a época da escola, grêmio estudantil, cheguei a participar de reuniões da UNE (União Nacional dos Estudantes) na época, mas o que me motivou foi, primeiro, ser convidado para representar a colônia japonesa, pois até então a colônia tinha como representante a Cida Abe, casada com o Cláudio Abe, e a Márcia Pacheco esposa do Sérgio Pacheco, muito atuantes na colônia japonesa. Nós fomos pesquisar e nunca teve um descendente japonês vereador, teve sim secretários municipais, mas vereadores nunca teve. Foi aí que assumi. Na época, o deputado federal Mendes Thame me convidou para ser candidato em 2004, na primeira campanha, não fui eleito. Na segunda campanha, não queria sair candidato, já era diretor da Estação da Paulista, e pensava em ficar lá continuar fazendo a gestão da estação, mas aí o Barjas Negri (prefeito) insistiu muito. Foi aí que pulei de 543 para mais de 1.200 votos, e vi que estava no caminho certo: se eu dobrasse novamente, seria eleito e foi o que aconteceu. Quatro anos depois eu pulei de 1.200 para 2.329 votos. Então o que me motivou foi isso, primeiro o envolvimento da colônia japonesa, se fazer representar politicamente. Eu já tinha noção da importância das entidades, em 2012 já estava no Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e era uma demanda que precisava de mais representatividade dentro da Casa. Todo vereador tem um bandeira, uma demanda que ele atua e defende. Não tinha ninguém que defendesse a causa da criança e adolescente que é uma causa que abrange várias coisas você a educação, cultura, saúde , então são várias atitudes que você precisa tomar e, na Câmara, não tinha.

 

Nas eleições deste ano o senhor saiu candidato a deputado federal, como foi essa experiência? Pretende concorrer novamente nas próximas eleições?

Foi mais um aprendizado, primeiro porque não é igual a campanha para vereador, é totalmente diferente, é uma estrutura enorme que você precisa ter. Segundo, porque Piracicaba ficou carente de uma representatividade federal, tanto é que não foi eleito nenhum candidato. Nós tínhamos dez bons candidatos e não elegeu nenhum, porém a gente entende que foram 13.000 votos, quase 300 cidades com registro de votos, então acho que meu nome está apto para uma nova candidatura, mas depende do partido. Mas agora o foco é pensar em Piracicaba, de novo, voltar em 2020 forte, tentar a reeleição, colocar meu nome à disposição da população de Piracicaba de novo. Foram 9.000 votos na cidade e com tudo o que aconteceu politicamente no Brasil neste ano, foi um bom resultado. Primeiro, Piracicaba, infelizmente, deu 50.000 votos para um candidato de um partido e nenhum desses se quer pôs o pé na cidade e nem sabe onde fica Piracicaba. O PSDB, em nível federal, também não decolou, então essa foi uma das razões de eu ter feito só 13.000 votos, mas se você parar para pensar: primeira campanha, pouco recurso, PSDB em baixa em nível nacional, fenômeno Bolsonaro. Como tinha pouco recurso, qual era a nossa ideia? Era fazer o famoso marketing de rede. Bolsonaro não, quero o Alckmin, e não conseguimos. Mas foi um aprendizado gigantesco, que me dá coragem de tentar daqui a quatro anos e meio de novo, porém, tenho que entender é que o foco agora é voltar para a Câmara de Vereadores. Tenho de voltar a trabalhar, ir para a rua para poder, mesmo com essa nova responsabilidade de vice-presidente, fazer o corpo a corpo na rua e fazer meus atendimentos, coisa que sempre fiz.

 

Você pretende, no futuro, a disputar o cargo de prefeito de Piracicaba?

Por que não? Nada impede. Acho que é uma sequência natural, assim como os cargos que estou ocupando na mesa diretiva são uma sequência natural. Logo que entrei na Casa fui suplente de Secretaria, depois fui duas vezes 1º secretário e agora sou vice-presidente. Então é uma sequência natural. Na minha opinião, para você ser prefeito, você tem de estar muito bem preparado. Hoje não me sinto preparado para isso, quem sabe daqui a oito, 12 anos, o futuro a Deus pertence e tudo vai depender do partido, se ele achar que estou preparado.

 

Na Câmara, o senhor compôs a chapa com o presidente eleito Gilmar Rotta. O que muda agora em suas atribuições como vice-presidente e como conciliar com a rotina de vereador?

É possível porque a vice-presidência não é um cargo que exige a presença na Casa como o 1º secretário. Ele assina com o financeiro da Casa e é obrigado, assim como o presidente e o 2º secretário a cumprir quatro horas na Câmara, aí fica mais difícil você trabalhar externamente.

 

Há alguma ação que a nova Mesa Diretora pretende desenvolver para incentivar a participação popular na Câmara?

Sempre é importante a participação popular. Recentemente, o Observatório Cidadão nos avaliou com 88% de transparência, então nós estamos no caminho. Algo desses 12% acho inviável, questão de segurança. Eu, por exemplo, não gostaria de divulgar minha agenda online para todo mundo saber, quem tem de saber é quem marcou comigo. Mas o caminho, o momento político no Brasil exige isso, se nós não nos adequarmos ao momento político e à realidade, nós vamos ficar uma Câmara mal vista, não reelege ninguém, porque não merece ser reeleito, o político que não é transparente mostrando o que ele está fazendo, como ele está fiscalizando, não merece ser reeleito.

 

Além de vereador, você é membro do Clube Cultural e Recreativo Nipo Brasileiro de Piracicaba, que comemorou os 100 anos da imigração na cidade. Quais expectativas do clube para 2019? Há novos projetos?

Foi um ano sensacional, marcante, começou com as festas tradicionais todas no calendário oficial do município, depois veio a apresentação com a Orquestra Sinfônica de Piracicaba, que foi magnífica. A expectativa é que possamos continuar a mostrar a cultura japonesa. O forte da colônia japonesa em Piracicaba é divulgar o tradicional, tanto é que nós temos poucos grupos contemporâneos. Nossa grande força é manter as tradições porque no Estado de São Paulo são vários os clubes que estão se mantendo ou crescendo, e nós estamos crescendo. A primeira grande movimentação nossa foi o centenário no Brasil e 90 anos em Piracicaba, foi aí que o Clube Nipo ressurgiu. Nós começamos com o Japão na Praça e a Festa da Primavera. A nossa grande meta para o ano que vem é manter tudo isso, e fortalecer, trazendo novos membros. Hoje o clube é uma associação aberta, nossa meta é revitalizar a sede campestre, o campo de beisebol, a nossa ideia é essa, fortalecer a tradição e os costumes.

 

(Beto Silva)