Peixe é pichado pela 21ª vez e caso será levado à polícia

peixe Pichação refere-se a movimento contra presidenciável. ( Foto: Amanda Vieira)

O que era para ser um monumento de boas vindas para quem chega a Piracicaba pela Rodovia Luiz de Queiroz (SP-304) se tornou um espaço para a prática de vandalismo. Agora, são 21 vezes que a escultura do peixe dourado é pichada. Dessa vez, os dizeres “EleNão” se referem a um movimento das redes sociais, encabeçado por mulheres contra um candidato que concorre ao cargo de presidente nessas eleições. Apesar de sempre ser alvo de pichação, essa é a primeira vez que o caso vai parar na Procuradoria Jurídica da prefeitura e o dano ao patrimônio público se tornou caso de polícia.

Isso porque, na tarde do último domingo, um homem e uma mulher postaram uma selfie em suas redes sociais mostrando o peixe pichado com os dizeres “EleNão”. Em poucas horas, defensores do candidato haviam replicado a imagem e, ainda, colocado os dados pessoais da mulher, como endereço e a placa de seu carro como forma de ameaça. Foi a primeira vez que o dano ao patrimônio público mostrou o rosto de pessoas. No entanto, a imagem não comprova que foram eles que praticaram o ato de vandalismo.

A imagem chegou até ser replicada no Twitter do apresentador Danilo Gentili, que fez o comentário “que vândalos arrombados”. Na manhã de ontem, foi passada uma camada de tinta na pichação, porém os dizerem ainda podem ser vistos.

A assessoria de imprensa da prefeitura informou que o peixe já passou pela limpeza. De acordo com a Procuradoria Geral do Município, houve dano ao patrimônio público e, por esta razão, será registrado boletim de ocorrência e o caso deverá ser apurado pela Polícia Civil, no âmbito criminal, inclusive com pedido de ressarcimento desses danos.

O monumento do peixe é uma homenagem a Piracicaba, (que na língua tupi significa o lugar onde o peixe para). É uma referência às quedas do rio Piracicaba, que bloqueiam a migração (piracema) dos peixes. Na época, em 2012, a prefeitura gastou R$ 90 mil para a construção do monumento. Nesses seis anos, a escultura recebeu as mais variadas pichações, desde ditadura militar, futebol, política até declarações de amor.

A primeira pichação no peixe foi em junho de 2012, quando vândalos fizeram a inscrição em inglês “dead fish”, (peixe morto). Em outubro do mesmo ano, as palavras eram contra o reajuste salarial dos vereadores. Em janeiro de 2013 foi registrada outra pichação, com a frase “Feliz 66%”, sob o mesmo tema. Em junho de 2013, durante as manifestações contra o aumento na tarifa de ônibus, “3,40 é roubo”, dizia.

Depois, “Marighella vive!”. Em novembro do mesmo ano, picharam “Agrotóxico mata”.

Em junho deste ano, pichações continham palavras em defesa ao ex-presidente Lula e as palavras “pode pintar que eu pixo (sic)”. Em julho, picharam: “R$ 4,40 é roubo”, em protesto contra o reajuste da tarifa de ônibus. No último dia 10 de setembro, os dizeres foram “Mexeu com uma mexeu com todas”, frase usada para relatar o assédio sexual vivenciado por uma figurinista da TV Globo. Junto havia uma caricatura da vereadora Marielle Franco, assassinada a tiros em março deste ano, no Rio de Janeiro.

No local não há câmeras de monitoramento. Os autores nunca foram identificados. A lei 9.605/98 prevê penas que variam de três meses a um ano de prisão para quem “pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano”.

(Fernanda Moraes)