Percepções da realidade

Com relação ao que chamamos de realidade, geralmente consideramos existente aquilo que pode ser percebido pelos órgãos dos sentidos, assim como o que é concebido pela mente e sentido pelo coração. O que escapa a essas referências é como se não existisse, embora possa ser percebido por outras pessoas de sensibilidade mais aguçada ou ampla. Essa diferença perceptiva se expressa no fato de existirem realidades e dimensões sutis da vida reconhecidas e experimentadas por indivíduos chamados de sensitivos, médiuns ou místicos, conhecidos em todos os tempos e lugares, culturas e religiões. Os (verdadeiros) artistas também possuem uma sensibilidade especial que os coloca em condição diferente daquela das pessoas comuns.

Segundo uma visão evolutiva da vida, à medida que o ser se desenvolve espiritualmente, existe uma progressiva e crescente ampliação da consciência, e quem atinge determinado amadurecimento consciencial adquire percepções inacessíveis aos que vivem apenas nas dimensões materiais da existência (ou seja, física, emocional e mental). A mente racional, limitada como é, não concebe nada que esteja além das suas fronteiras, mesmo quando acredita ser livre para escolher e trilhar seus caminhos. Além disso, a razão, sem a intuição, a sabedoria e o amor, mostra-se completamente incapaz de resolver os complexos e desafiadores problemas da existência.

Aquele que alcança níveis superiores de percepção passa a enxergar o que antes lhe era desconhecido, portanto pode reconhecer o que não lhe convém, as influências que não objetivam a sua nem a evolução dos demais, bem como as situações e os aspectos obscuros que devem ser transformados ou curados em si mesmo, nas pessoas e no mundo como um todo. Consegue, desse modo, imunizar-se contra as interferências que incessantemente procuram afetar as pessoas, pelos mais diversos tipos de propaganda, seja política, ideológica, religiosa, comercial, cujo interesse de disseminar atitudes, condutas e comportamentos nem sempre é construtivo ou saudável.

Quando se empreende um caminho espiritual, através de estudo e reflexão, oração e meditação, acompanhados de um trabalho de aprimoramento do caráter e de serviço altruísta, amplia-se a consciência e atingem-se níveis em que são percebidas realidades imateriais, além de se revelarem aspectos de si mesmo e do mundo que podem passar despercebidos a quem lhes esteja insensível. As revelações acerca da vida além da matéria, trazidas por incontáveis videntes, sensitivos, místicos e profetas tem sido material de estudo, reflexão e inspiração para quem haja entrado em contato com o que disseram ou escreveram, até que, um dia, venham a experimentar por si mesmos o que até então fora objeto de crença.

Os caminhos verdadeiramente espirituais – de caráter educativo e libertador – permitem que se amplie a percepção da realidade e se atinjam níveis cada vez mais elevados de consciência, a partir dos quais se podem receber revelações inspiradoras e intuições preciosas. Tal condição propicia um estado de lucidez, de harmonia e de propósito existencial que transcendem fenômenos ou circunstâncias exteriores. A conquista desse estado dinâmico (já que todos estamos em permanente construção) traz em si um potencial de emancipação e de novas possibilidades a um ser humano cada vez mais livre (e consequentemente responsável) em sua jornada existencial.