,
Clique e
assine o JP
Televendas: 3428-4190
Classificados: 3428-4140
Comercial: 3428-4150
Redação: 3428-4170
Últimas notícias:
  • Emicida celebra a carreira e o bom momento do rap com a gravação do 1º DVD
  • Sequência de 'Animais Fantásticos e Onde Habitam' ganha data de estreia
  • Em DVD, a face roqueira de Gal Costa

Diretor presidente do grupo Supricel diz que ‘luz no fim túnel’ pode estar próxima
Danielle Gaioto
16/11/2015 16h14
  |      
ENVIAR     IMPRIMIR     COMENTE              
 

A atual crise política e econômica traz impactos aos mais variados setores produtivos e tem se estendido por vários meses, mas para o diretor presidente do grupo Supricel, Luís Guilherme Schnor, já há indícios de uma recuperação, ainda que sejam apenas “soluços” da economia.

“Existem várias indústrias que estão retomando produção, outras não, mas isso gera um certo balanceamento. Aquelas que trabalham com matéria-prima estão voltando primeiro, aquelas que trabalham com produtos acabados, destinados ao consumidor final, ainda estão demorando um pouco mais para retomar, mas já está havendo uma luz no fim do túnel”, apontou.

Para o empresário, que tem atuação nos ramos da indústria da construção civil, do comércio e do setor de transporte e logística, é hora de ser ainda mais criativo e de cuidar com ainda mais atenção do orçamento para passar com mais tranquilidade por este período de mudanças econômicas.

Schnor integra a série de entrevistas especiais do Jornal de Piracicaba com autoridades e empresários sobre a atual crise e seus reflexos em Piracicaba.

Como a crise atual tem impactado o mercado? Como atuamos em vários segmentos, temos facilidade de enxergar as perspectivas por vários prismas. Nós estamos na área do comércio, na indústria da construção civil e na área de serviços, transporte e logística. É muito interessante, porque temos condição de ver os vários segmentos do mercado e cada um deles vive momentos diferentes. Todos eles têm sentido os reflexos da crise, mas vivem situações diferentes.

E como está cada um deles? A construção civil, por exemplo, é muito baseada nas políticas nacionais. Hoje há duas indústrias no país que mais repercutem que são a construção civil e a automobilística, elas são o carro-chefe da economia do país e todo mundo está sabendo o que acontece nestes setores. Não é novidade que há uma certa parada nos novos lançamentos, nos novos projetos, e você tem que ter muito mais cuidado, trabalhar com uma sintonia muito mais fina para saber o que o mercado está precisando para lançar produtos. E, na parte da construção, você tem que concluir aquilo que já vendeu. Você vê que tem muita coisa construindo porque são as unidades que eventualmente não foram vendidas agora, foram vendidas há dois, três anos. Nós vamos sentir o reflexo (do que não foi vendido agora) daqui dois, três anos. Já no comércio, e no nosso caso específico da alimentação envolvendo o consumidor final, você percebe que tem e vai continuar existindo muita sazonalidade. As pessoas, ao mesmo tempo que têm dificuldade para fazer algumas atividades de lazer, elas também são uma válvula de escape. Talvez você não possa ir toda a semana ao cinema, ao restaurante, mas você vai procurar ir uma vez ou outra, para desestressar um pouco.

E com o setor de transporte? Gosto de dizer que o transporte é um excelente termômetro da economia. Ele não tem estoque, você transporta aquilo que a indústria produz ou que o comércio compra, então toda a vez que há uma movimentação, estamos medindo exatamente aquilo que está acontecendo na economia, principalmente por trabalhar com diversos segmentos como é o nosso caso. Em geral, o transporte, neste momento, está em uma fase curiosa. Existem várias indústrias que estão retomando produção, outras não, mas isso gera um certo balanceamento. Aquelas que trabalham com matéria-prima estão voltando primeiro (à produção), aquelas que trabalham com produtos acabados, destinados ao consumidor final, ainda estão demorando um pouco mais para retomar, mas já está havendo uma luz no fim do túnel de retomada industrial. No mês de outubro, especificamente, para nós, conseguimos atingir e até superar nossas metas na empresa de transporte.

Quer dizer que o pior já passou... Não necessariamente. O que a gente aprende com as crises é que, antigamente, em dois três meses elas já melhoravam e melhoravam sistemicamente. Neste momento, por precaução, a gente prefere analisar isso como um período um pouco mais longo. E um mês talvez não seja suficiente (para analisar), porque a gente precisa prestar atenção que podem acontecer “soluços”. A gente viveu isso na época da inflação. O soluço dessa época era o aumento de preços. Toda vez que se falava em aumento de preços, o pessoal saia correndo para comprar. Neste momento, os sinais que estamos recebendo ainda não são suficientes para saber se é uma retomada ou se é um “soluço” da economia.

Ou seja, não dá para falar ainda em retomada... Eu digo que já é um bom sinal. Mesmo que sejam retomadas por “soluço”, que sejam pontuais em alguns meses, é melhor do que uma série contínua de quedas.

Dentro dos três setores de atuação do grupo Supricel, qual está melhor hoje? Serviços, transporte e logística. Ele foi menos impactado e mostra que a indústria e o comércio estão se movimentando já. Quer dizer, algumas indústrias em alguns segmentos. Não estou dizendo que não existam segmentos que estão sofrendo mais com a crise. Existem segmentos que estão passando por reduções de 20%, 30% até 40% na produção, enquanto outros estão se mantendo, estão crescendo 5%. São mais raros os que estão mantendo ou crescendo, mas eles existem. Quando você tem mobilidade, às vezes pode até fazer uma adaptação, pode se preparar e neste momento, inclusive, esse é o antídoto para você poder minimizar o impacto de uma crise. É usar criatividade, abrir um pouco mais a sua janela de observação. Alguém duvidava que a gente ia passar por momentos difíceis neste ano, independente do governo que viesse, todo mundo sabia. Talvez não soubéssemos que fosse nessa proporção, mas que todo mundo sabia, sabia. Daí a pergunta que fica, lembrando (da fábula) da cigarra e da formiga, é o que você fez sabendo que alguma coisa ia acontecer. Você se preparou para o inverno? Você tentou reduzir suas despesas, tentou controlar mais seu orçamento, tentou expandir seu horizonte de clientes, tentou ter um pouco mais de mercadoria diferente? Você tentou fazer alguma coisa? Essa é a pergunta. Na crise, você tem duas opções: pode sentar e chorar ou pode levantar, até chorar um pouco, mas enxugar as lágrimas e sair para fazer alguma coisa.

O setor de transporte sofreu menos que os outros, mas a alta sequencial dos combustíveis atrapalhou, não? Como fizeram para driblar isso? Há um tempo atrás fiz palestra para meus funcionários sobre “a ponte entre o vermelho e o azul — o orçamento”. Desde aquele tempo e sempre eu insisto que, seja pessoa física, empresário de pequeno, médio ou grande porte, todos têm de ter um cuidado a mais com o orçamento porque ele é básico. Quando uma despesa aumenta, você tem que reduzir uma outra. Quando uma receita diminui, você tem que diminuir uma despesa, é matemático, você tem seus ganhos, sua vida está baseada nisso, se amanhã você tiver que reduzir o que ganha, vai ter que reduzir alguma coisa que você gasta, é simples assim. É muito difícil, eu sei que é, se fosse fácil todo mundo fazia e todo mundo tinha superávit, todo mundo tinha dinheiro sobrando. Às vezes é doído. Tem hora que dá para cortar na gordura, mas tem hora que tem que cortar na carne. Às vezes você corta hoje, mas mais para frente você recupera. E é melhor fazer isso e ter um certo equilíbrio do que fingir que está tudo bem. Você pode não gostar de matemática para fazer equação de segundo grau, mas fazer conta de mais e menos para saber quanto você ganha e quanto você gasta, você tem que saber fazer. E o que a gente passou a fazer foi ser mais criterioso nesse mais e menos. Porque toda vez que isso acontece (esse aumento de combustível) em uma economia competitiva e apertada como estamos vivendo hoje, não dá para você falar que vai repassar. Você não vai repassar. Você vai ter que olhar outras contas para ver como e onde compensar essa despesa a mais que vai ter. Não tem outro jeito. Por isso tem que estar sempre de olho em ser criativo, competitivo. E o brasileiro sempre se vangloriou de ser muito criativo, muito perspicaz para poder sair das situações de dificuldade, está ai, estamos vivendo isso e este é em um excelente momento para você mostrar isso.

E como está o nível de emprego nos três setores? Está equilibrado. No nosso país temos dificuldade muito grande de olhar para o emprego como talvez ele devesse ser olhado. Em um país estável, uma indústria, um comércio, ele pode até se dar ao luxo de falar que sempre teve 50 funcionários, por exemplo. Mas, em uma economia instável como a nossa, é normal que em determinado momento você tenha 50 funcionários, depois 30, depois 50, depois 70, porque é a nossa realidade. A crise é um momento sazonal, só queé muito mais delicado e doloroso. Nós, como empresários, temos gosto de falar que empregamos pessoas, não conheço um que fale com goste de demitir. Mas, por outro lado, se ele não fizer isso, corre o risco de amanhã ter que demitir todo mundo e não só aqueles. Só que demitir hoje não significa que amanhã você não recontrate aqueles ou outros (profissionais). Infelizmente, faz parte da dinâmica de uma economia instável como a nossa. Não foram os empresários que criaram a regra do jogo, eles têm que jogar dentro da regra.

Ano que vem será melhor para a economia e para Piracicaba ou uma recuperação de fato só será vista em 2017? É complexo porque se dependesse exclusivamente do nosso esforço eu diria que sim, com certeza (sairíamos da crise em 2016), porque aqui é um lugar diferenciado. Como não depende só da gente, depende de situações estaduais, nacionais, internacionais, eu diria que ainda tem um ponto de interrogação. Mas, se não estiver bom para uma série de pessoas, uma série de lugares, aqui, com certeza, estará um pouquinho melhor, porque é questão de preparação. Eu vejo a cidade, a população e as lideranças mais bem preparadas do que em outros lugares. Então, havendo uma certa conjuntura que facilite, a gente sai mais rápido da crise. Havendo certa melhoria na conjuntura político-econômica, a gente já sai na frente.

 
 
Voltar

Comentários

Nome:
E-mail:
Comentário:
 

  • Seja o primeiro a comentar