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Wagner Lopes destaca que impeachment ou renúncia de Dilma é solução da crise
Danielle Gaioto
30/11/2015 16h16
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Para o empresário Wagner Lopes, 65, a regra para que o panorama econômico brasileiro melhore e para que o país retome o ritmo de crescimento é uma só: a saída da presidente Dilma Rousseff (PT) do cargo.

“O Brasil vive como se tivesse um freio”, disse.

CEO da Ananda Metais, Lopes foi um dos idealizadores de um movimento realizado no último dia 11 no distrito industrial Uninorte, em que trabalhadores e empresários paralisaram as atividades para pedir mudanças de governo e a saída da presidente.

Nascido em Pirajuí (SP), Lopes vive em Piracicaba há mais de 40 anos, já recebeu o Título de Cidadão Piracicabano e se emociona ao lembrar como foi sua chegada à cidade.

“Foi amor à primeira vista, daquelas coisas que acontecem uma vez na vida. Quando o ônibus entrou em Piracicaba, eram umas 18h30, vi a cidade. Me emociono até hoje, senti uma coisa muito forte dentro de mim e senti que nunca mais sairia da cidade. E nunca mais saí”, relembrou. “Tenho uma dívida de gratidão muito grande com Piracicaba. Foi aqui que me fiz”.

Lopes integra a série de entrevistas especiais do JP com especialistas e empresários sobre a crise econômica e seus reflexos em Piracicaba.

O momento da economia no país é extremamente delicado, houve aumento no desemprego e o país está em recessão. Como Piracicaba tem se saído nesse setor? Piracicaba é uma cidade com poder aquisitivo bastante alto. É uma cidade que tem elevado número de carros e renda per capita. A cidade não está se saindo tão mal embora não esteja bem, porque o setor sucroalcooleiro que é o forte da cidade está um pouco caído. Mas a indústria, infelizmente, teve que dispensar muita gente. A crise pegou para valer, as vendas caíram. A única perspectiva que temos de um Brasil melhor é a queda da presidente Dilma Rousseff, seja por impeachment ou renúncia. Fora disso, não existe perspectiva nenhuma. Continuando com esse governo, vamos até 2018 caindo aos pedaços. Não é só questão do PT ser geneticamente corrupto, mas é geneticamente incompetente e esse é o grande problema. A situação está bastante crítica, então, só enxergamos um futuro com essa condição sine qua non — tirar o PT do poder. Fizemos um movimento aqui no Uninorte, chegamos a colocar 1.700 pessoas no pátio. Foi uma manifestação em prol da saída da presidente Dilma.

O senhor acha então que, com a saída da presidente, o país começaria a andar ou isso atrasaria ainda mais um processo de retomada de crescimento? Sinto isso na minha empresa: o Brasil vive como se tivesse um freio. Temos muito campo para investir, temos riquezas absurdas, oportunidades, só que ninguém investe hoje. Quando você investe, precisa de capital emprestado e com os juros de hoje, não tem como. E sem perspectiva, não há investimento. Não trabalho com previsão na minha empresa, trabalho com orçamento abaixo do real. Os custos elevaram e a margem caiu. Aqui, dependemos muito de dólar por causa das importações e falo que, se a Dilma cair, o dólar despenca, seja lá quem assumir o cargo dela. Ela é a causa de tudo isso. Vejo o Temer (Michel Temer, vice-presidente) como uma boa alternativa, a situação chegou em um ponto tão crítico, a incompetência do PT é tão exagerada que qualquer coisa que você colocar lá é melhor que ela. Não acho que tem que ter golpe, militares, não sei de onde o pessoal tirou isso, eu vivi a ditadura e eu sei o que foi aquilo. Tem que ser o caminho democrático. Processo de impeachment é demorado, a nossa oposição é extremamente fraca, o PSDB é uma decepção enorme. Você percebe que, no fundo, todos têm o rabo preso. Mas não tenho dúvida que, com a queda da Dilma, as coisas melhoram. A economia vive da expectativa do empresário. Se o empresário tem boa perspectiva do futuro, ele investe e vira uma bola de neve: começa gerar demanda e mercado. Mas hoje, com a prevenção que temos, é difícil investir.

Como o senhor vê as medidas econômicas do governo Dilma? Não vejo nenhuma medida econômica e vejo um governo que não tem capacidade de formular nenhum projeto econômico. Qualquer alternativa econômica tem que vir de outro presidente, desse governo não sai mais nada. O Brasil tem que aprender com essa experiência que tivemos e partirmos para o Estado mínimo — o Estado não pode e não tem que intervir na economia. O Estado é uma máquina engessada, corrupta e incapaz. To da vez que qualquer governo se mete na economia, ele quebra as forças de mercado. Cria privilégios para uns, prejudica outros. O Estado precisa ser fiscalizador, mas não tem que entrar em produção. Se produzir, produz mal, e pior, veja a Petrobras, vira um antro de corrupção. Entendo que o Estado tem que ser um fiscalizador do funcionamento da economia. Também tenho convicção de que temos que passar por um parlamentarismo. O presidencialismo gera uma ditadura dentro da democracia, isso porque tem um grupo de cinco ou seis que mandam no país, mostrando para nós a incompetência e incapacidade deles e nós estamos aqui pelejando. Em países como o Brasil, em que o povo vota mal, o parlamentarismo consegue dar respostas melhores. Se a Dilma fosse primeira- ministra, já tinha caído há muito tempo. Além disso, há reformas profundas que precisam ser feitas, além da reforma política, como a reforma tributária, administrativa e jurídica. Precisamos chacoalhar o país e começar quase do zero. Temos um cara que se pegasse o governo, ia ser fantástico, o José Serra. Infelizmente é um cara antipático, não tem carisma, mas de capacidade é um dos melhores quadros que temos no Brasil. Não acredito que o Aécio Neves fosse a pessoa, não acho que tem estatura. É uma tarefa muito grande.

Já que o senhor falou em interferência do Estado na economia, esta semana o Ministério do Desenvolvimento sinalizou a possibilidade de elevar a alíquota do imposto de importação sobre o aço. O que isso significaria para o setor? Isso significaria um desastre. No Brasil, a produção de aço é um oligopólio com três empresas que dominam o mercado. Há dez anos, fui um dos pioneiros a trazer material de fora. Quando conseguimos fazer isso, conseguimos pegar material de fora 35% mais barato do que no mercado interno. As usinas do Brasil também não têm capacidade de atender à demanda total. Agora, com a dificuldade de importar devido ao dólar alto, é difícil se virar com o mercado interno, nossa oferta não é suficiente. Isso é uma estupidez, é o governo se metendo onde não é chamado. Estamos muito preocupados com essa notícia. Subiu o imposto, vai subir o preço do aço no mercado interno. Subir o imposto só vai fazer com que o aço suba também para o consumidor final.

Como os empresários têm lidado com as dificuldades e também com as demissões? Da maneira de sempre: olhar dentro do seu quintal e fazer da melhor maneira possível. Porque do lado de fora, não tem o que fazer. Fizemos uma passeata, tentamos, mas não sei que repercussão isso tem. Temos políticos analfabetos, ignorantes, que estão ditando regras. E a classe empresarial está calejada, sabe trabalhar. Deveríamos ter uma representatividade maior para poder influenciar. No fundo, o sucesso do empresário é o sucesso do empregado. No nosso protesto, juntamos empregado e empregador, todos juntos. Essa conversa de que empregador é o diabo e o empregado é o esfolado é coisa do passado, é coisa que o PT impôs, até para se manter no poder e ficar jogando. Estamos mal.

O que poderíamos falar sobre os pontos fortes de Piracicaba? Piracicaba tem uma infraestrutura que é das melhores do país. Veja as estradas que temos servindo a cidade, são de primeira qualidade. Temos várias companhias de transporte, que facilitam locomoção e promovem redução de custos. A Ananda tem fábrica em Cuiabá e Três Lagoas e atuando lá, vemos como nossa região é abençoada. Embora a indústria esteja caindo há alguns anos, a região ainda vem crescendo nos últimos anos. A Hyundai significou uma alavanca para a nossa população. O nível cultural de Piracicaba também é muito elevado e isso facilita você ter uma mão de obra adequada para as necessidades neste mercado complexo. Piracicaba tem tudo para, quando mudar de governo, sair na frente. A cidade está preparada.

Quais as perspectivas para a cidade então? Pós-Dilma, a perspectiva é muito boa. A própria Hyundai ainda tem uma capacidade de produção muito grande ainda a ser explorada. Mais de 70 empresas no Uninorte e não há uma em que não houve demissão e que não está trabalhando abaixo da sua capacidade. Se houver uma mudança de governo e o país começar a andar, Piracicaba está na ponta.

E se não houver essa mudança de governo até as próximas eleições? Não dá nem para enxergar. A economia vai declinar ainda mais e não está se fazendo nada para melhorar. Eu acho que se o Henrique Meirelles voltasse (para o Banco Central), teríamos algum alento até terminar 2018.

E como fica a população até 2018, na sua opinião? Cada vez mais desempregada, com a inflação subindo cada vez mais. A inflação é cruel e pune todo mundo, mas pune mais os assalariados. Estamos vivendo um momento de estagnação e inflação ao mesmo tempo, isso é uma anomalia, não existe. Como que você pode ter uma economia caindo e os preços subindo cada vez mais? É uma contradição.

 
 
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Comentários

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  •         Responder
    Roberto Ferro - 01/12/2015 11h55
    Temmer não,pelo amor de Deus.Volta dos militares sim, 90 % dos politicos civis são corruptos e já acabaram com o Pais!