,
Clique e
assine o JP
Televendas: 3428-4190
Classificados: 3428-4140
Comercial: 3428-4150
Redação: 3428-4170
Últimas notícias:
  • Mercadorias ilegais são apreendidas
  • Semae anuncia ampliação da ETA Capim Fino
  • Raízen abre processo para estágios

História e geografia em destaque
Sabrina Franzol
03/10/2016 14h15
  |      
ENVIAR     IMPRIMIR     COMENTE              
 

Piracicabana nascida em 29 de julho de 1943, Valdiza Maria Capranico, que desde abril deste ano ocupa a função de presidente do IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba), é amante declarada da natureza e da história. Filha de Dante Luiz Capranico e Ermida Françoso Capranico, tem três irmãs: Maria Wally, Walda Aparecida (in memoriam) e Waldizete Maria. Cursou o ensino infantil no Grupo Escolar Dr. Alfredo Cardoso. Depois, o ensino fundamental fez na Escola Sud Mennucci e o ensino médio no Colégio Piracicabano. Cresceu cercada de plantas, o que contribuiu para nutrir o amor pelo meio ambiente. Graduou-se em ciências biológicas na Universidade Católica de Santos. Fez, ainda, curso de complementação em biologia na Faculdade Sul Mineira. Foi professora em escolas de Piracicaba e região, além de ter trabalhado na prefeitura. À frente do IHGP, prepara um 2017 repleto de atividades celebrativas ao meio século do instituto e sonha com o dia em que a entidade terá sede própria, para continuar perpetuando a história da Terra da Pamonha. 

03-010-008.jpg

Por que optou pela biologia?

Meu pai gostava muito de plantas, animais. Meu avô paterno era fazendeiro. Crescemos vendo meu pai cuidando de plantas e bichos e gostei disso, por isso segui nesta área.

Onde lecionou?

Comecei como professora em 1967. Dei aulas em Santos, em Leme, em Santa Bárbara d’Oeste. Em Piracicaba também, inclusive me aposentei na cidade, na escola técnica Cel. Fernando Febeliano da Costa, em 1994.

Qual a sua avaliação da relação dos piracicabanos com o meio ambiente?

É fraca. É pobre. Andando pela cidade, parece que a maioria das pessoas não gosta de plantas. Vejo as sacadas dos edifícios sem nem uma florzinha ou plantinha, algo que não só embelezaria, mas traria uma qualidade de vida melhor. Vejo que as pessoas não replantam as árvores que caem na rua, pode ser que por raiva. Certa vez, inclusive, teve uma árvore que caiu em cima de um carro meu novinho, durante um temporal. Muitos ficaram caçoando de mim, falando que eu protegia as árvores e que elas haviam danificado meu carro. Eu falei que não tinha problema algum. Depois que me aposentei, trabalhei na Sedema (Secretaria de Defesa do Meio Ambiente) e, por baixo, em projetos variados pela cidade, plantei quase 100 mil árvores. Tendo oportunidade e espaço continuo plantando.

Quantos livros já escreveu e lançou?

Comecei escrevendo livros para crianças. Acho que só na área ambiental escrevi uns dez. Ao todo na minha vida foram uns 15. Escrevi muitos trabalhos que foram premiados em Brasília, em Gênova (Itália). Fui, também, orientadora de projetos de educação ambiental no Museu da Água e por lá ganhamos muitos prêmios. Tivemos um prêmio do Canadá que foi um veículo para o projeto Aquamiga, para fazer análises de águas de nascentes, de bicas, de lagoas, com crianças nos bairros. Depois que saí do Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto), fui fundar uma universidade livre de meio ambiente em Leme. Fiquei por lá alguns anos e de lá fui convidada para montar a mesma universidade na Terra do Fogo, na Argentina.

E como surgiu seu envolvimento com o IHGP?

Começou justamente porque eu escrevia para o Jornalzinho, que era um suplemento infantil do Jornal de Piracicaba. Toda semana mandava uma historinha, que fui guardando. Conversei com alguns amigos sobre o desejo de lançar um livro com este material e me sugeriram procurar o IHGP. Levei meu pacote de publicações lá e nasceu, então, meu primeiro livro infantil, chamado Contos para Pequeninos. Depois que entrei lá, não saí mais. Me tornei associada em 2007. Em seguida, fui convidada para fazer parte da diretoria, até chegar como presidente, função que ocupo atualmente.

Em 2017, o IHGP completa 50 anos. Haverá atividades celebrativas da data?

Muitas coisas. Já estamos com várias frentes de projetos caminhando. Será um ano diferenciado. Estamos fazendo reuniões para parcerias e tudo está caminhando para que seja um aniversário maravilhoso. Aliás, não só os 50 anos do IHGP, mas de Piracicaba, que completará 250 anos, porque tudo o que fazemos é voltado à história da cidade. Já começamos, inclusive, um ciclo de palestras chamado História Ambiental de Piracicaba, em parceria com a Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), que nos cedeu uma sala para as palestras, que acontecerão mensalmente até junho do ano que vem. Isso resultará em um livro. Todas as palestras são com profissionais conceituados da área.

Durante este meio século do IHGP, quais foram os principais trabalhos do instituto?

Com certeza as impressões de livros. Teve anos, por exemplo, que o instituto conseguiu imprimir oito livros e, além disso, as palestras, que nos últimos anos tiveram que ser cessadas, por conta de espaço físico, mas agora, com a parceria da Acipi, esta situação está mudando. Tudo o que envolve a impressão de livros é feita com o repasse que a Semac nos faz, porque o IHGP é mantido com as anuidades dos associados. Temos mais de 100 associados, mas os que pagam, mesmo, são 50. Todos da diretoria são voluntários e trabalham com entusiasmo. É o amor à cidade que nos leva a fazer isso.

Quais as maiores dificuldades do IHGP?

Para você ter uma ideia, em 1988 a prefeitura conseguiu um espaço para o IHGP no prédio do antigo Fórum, mas como o prédio é agora da Secretaria da Fazenda, vão fazer uma reforma, que é muito necessária. Então, a Semac (Secretaria Municipal da Ação Cultural) nos cedeu uma escola desativada pequenina no Jaraguá. Estamos lá com todo nosso acervo e aguardando apoio financeiro para fazer o resto da mudança, porque temos um acervo jornalístico enorme, pesadíssimo, desde 1830, um pouco após a Independência. Isso está lá ainda. Mas a nossa maior dificuldade mesmo é conseguir uma sede própria. No centro da cidade há muitos casarões antigos fechados. E o sonho dourado do instituto é se instalar em um casarão assim, ficar definitivamente neste local e preservá-lo. Precisaríamos ter um ponto no Centro, porque ali existe um corredor cultural maravilhoso, com o Centro Cultural Martha Watts, o Instituto Beatriz Algodoal, inaugurado recentemente, a Biblioteca Municipal. E gostaríamos demais de permanecer neste espaço. O IHGP é um local de preservação da história municipal.

Acha que o piracicabano se preocupa em conservar a história da cidade?

Para falar a verdade, recebemos pesquisadores, professores universitários, doutorandos para consultarem o nosso acervo de outras cidades e até Estados. E depois que o último presidente, o Vitor Pires Vencovsky, colocou na Internet parte do nosso acervo, recebemos acessos no nosso site não só do Brasil, mas de variados países. Os piracicabanos não acessam muito. Os jovens também não vão muito ao Instituto, mas quem entra lá sai boquiaberto. Se não preservarmos a história da cidade, teremos uma cidade sem memória, e uma cidade sem memória está fadada a desaparecer.

Como está a digitalização do acervo?

Conseguimos a aprovação do projeto pela Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura) para a digitalização total do nosso acervo de jornais, mas, talvez, por conta da crise econômica, não encontramos uma empresa, um parceiro que se dispusesse a fazer isso. Temos esperança de ainda conseguir.

Vocês editam uma revista anual. Quem pode participar? Qualquer pessoa, com qualquer tema, desde que seja ligado à história da cidade. Os textos são avaliados no IHGP e as pessoas são orientadas em como proceder. A próxima revista está no “forno”. Neste ano já lançamos dois livros. Em outubro lançaremos mais dois e até o final do ano a revista.

03-010-009.jpg

Valdiza Maria Capranico (Foto: M.Germano/JP)

 
 
Voltar

Comentários

Nome:
E-mail:
Comentário:
 

  • Seja o primeiro a comentar