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Foco na qualidade de vida
Da redação
09/11/2016 15h05
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Uma das duas mulheres que atuarão na Câmara de Vereadores é Coronel Adriana (PPS). Após participar da segunda eleição consecutiva em busca de uma cadeira no Legislativo, Adriana Cristina Sgrigneiro Nunes, 49, coronel da Policial Militar, obteve 2.104 votos no pleito de 2 de outubro e demonstra vontade em iniciar seu mandato em 2017.

Sem experiência anterior na política, mas com quase três décadas de trabalho na PM, ela disse na entrevista para a seção Persona que espera poder “enriquecer os debates relativos, direta ou e indiretamente, à segurança da cidade” e seu foco na política será “melhorar cada vez mais a qualidade de vida no município”. 

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(Foto: M.Germano/JP)

Como se sente tendo sido eleita para ocupar uma cadeira na Câmara de Vereadores?

Sinto-me feliz por ter atingido o objetivo a que me propus e realizada, pois, mais uma vez, pude comprovar que um bom planejamento, calcado em conhecimento e propósitos bem definidos, aliado a uma equipe motivada e que acredita poder fazer a diferença para a população, são fatores primordiais para o sucesso em todas as missões.

A senhora já se candidatou outras vezes. Quantas? O que a motivou a querer ser vereadora?

Me candidatei em 2012, ainda como Major da Polícia Militar. Fui motivada pelo fato do ex-comandante do CPI-9 não ter permitido que eu, quando da promoção a Tenente Coronel em dezembro de 2014, assumisse o comando do 10º BPMI, para o qual me preparei e já fazia de fato desde 2013, colocando-me em uma função exclusivamente administrativa, que não me permitia diretamente ajudar a melhorar a cidade em que nasci e na qual vivo até hoje. Assim que essa porta se fechou, fui buscar abrir outra, pois todo profissional motivado e que conhece suas potencialidades não deve se acomodar. Desta forma, o cargo de vereadora me pareceu uma ótima maneira de continuar trabalhando para a população piracicabana.

Levando em conta o cenário político e econômico atual, o que pensa sobre poder estar por quatro anos como legisladora?

O cenário atual é de descrença na classe política e de grave crise econômica, que pode levar a um agravamento de comportamentos e eclosão de casos de violência e desordem social. Para que esses atos não se concretizem é preciso que os legisladores tenham consciência que as normas devem objetivar, acima de tudo, o interesse público. O cidadão não aceita mais normas elaboradas em prol de pequenos grupos e interesses. Neste contexto, coloco-me como uma cidadã que nunca teve receio de mostrar que as coisas podem ser feitas, mas desde que com ordem e consideração aos direitos dos demais, que o poder público deve ter respeito e seriedade na utilização do erário e que, muitas vezes, o “não” é necessário, em que pese boa parte da classe política ter dificuldade em usar essa palavra porque, na maioria das vezes, significa a perda de apoio político.

Há quantos anos está na Polícia Militar? Quanto tempo está como coronel? Hoje quais as suas atribuições frente aos PMs do município?

Ingressei na Polícia Militar em 1987. Sou Tenente Coronel há quase dois anos, contudo, em razão da legislação, não exerço nenhuma função na PM, pois estou agregada desde junho deste ano para concorrer ao cargo de vereadora e, por ter sido eleita para o mandato legislativo, sou obrigada a inativar. Assim sendo, em 4 de novembro dei entrada com o pedido de passagem para a inatividade, podendo assim me dedicar exclusivamente às missões da vereança.

O fato de pertencer a um segmento da sociedade, neste caso, representando os órgãos de segurança, pode ter o auxiliado na obtenção de votos?

Depende do ponto de vista. Sob a ótica da carência de legisladores técnicos, creio que boa parte dos meus eleitores identificou a necessidade de um vereador com experiência profissional nesse setor, a fim de contribuir na Câmara Municipal em questões atinentes a ordem e segurança pública. Afinal, grande parte dos problemas sociais geram consequências na área da segurança, desde um bairro mal planejado, até questões ligadas a mobilidade urbana, saúde ou educação. Já sob a ótica eleitoral há que se considerar que, infelizmente, o número de policiais militares que vota em Piracicaba é pequeno, cerca de 22% do total de PM, que havia outros candidatos da própria PM, da Guarda Civil e da Polícia Civil, porém, acredito que vários profissionais da área de segurança e seus familiares tenham votado em mim.

Que estratégia usou para essa campanha que foi diferente de outras que participou?

Trabalhamos desde o início com força total. Não deixei para intensificar a campanha na reta final, procuramos dar a maior visibilidade possível para que nossa mensagem chegasse ao maior número de cidadãos e esses me tivessem como uma opção qualificada de voto e pudessem sair do círculo vicioso do voto no colega, no vizinho, no parente, no conhecido, simplesmente por não ter em quem votar, tudo, porém, muito bem planejado e focado.

Como a senhora avalia o trabalho de um vereador hoje?

O legislativo é um dos três poderes do Estado. Existe para regular a vida em sociedade. Assim o considero fundamental já que todas as ações do Executivo e do Judiciário dependem das leis propostas ou aprovadas pelo Legislativo e é dai que vem o seu real valor. O vereador é muito importante nesse contexto pois é ele que legisla sobre as coisas, pessoas, fatos e comportamentos que ocorrem nas cidades, que é onde as pessoas vivem de fato e sentem os reflexos de leis ruins e que não atendem ao interesse público.

O que pretende fazer enquanto legisladora?

Trabalhar com dedicação exclusiva ao cargo para o qual me elegeram, conhecendo os bairros e mazelas da nossa cidade, afim de propor leis exequíveis e que satisfaçam os legítimos anseios da população.

Na última legislatura o salário dos vereadores e prefeito, para esta próxima, permaneceu congelado. O vencimento dos políticos é sempre uma discussão polêmica. O que o senhor acha do salário atual dos vereadores?

Considero que, como nas boas empresas, quando se quer captar os melhores profissionais, há que se ter atrativos para aumentar a concorrência e escolher os mais capacitados e no serviço público não é diferente. A meu ver, o trabalho do vereador não se resume a comparecer às duas sessões camarárias semanais, vai muito além. Requer disponibilidade e qualificação, articulação com segmentos, atividades de pesquisas entre outros que implicam em custos, dispêndio de tempo e dedicação exclusiva, tanto é que estou me inativando. Agora, se o vereador exerce uma, duas ou até mais funções, públicas ou privadas, não tendo dedicação exclusiva, executando seu mandato sem o compromisso que ele requer, nesse caso considero o salário é elevado.

O que pensa da participação popular nas decisões legislativas? Como trabalhar isso?

Penso que cada um quer defender o seu lado. É muito raro o cidadão que seja desprendido o suficiente para abrir mão de seu interesse em prol da coletividade, por isso o legislador tem que ter um olhar moderador e atento para identificar a demanda legítima e prioritária e não permitir que o interesse de uns se sobreponham aos direitos da maioria. Se um dia chegarmos a um nível de desenvolvimento desse porte acredito que nem serão mais necessários vereadores.

Seu gabinete já está montado? Quais critérios a senhora utilizou ou utilizará para escolher sua equipe de gabinete?

Já está montado e os principais critérios que adotei para a escolha foram lealdade, empenho e qualificação.

Acha que o fato de ser da base aliada do prefeito eleito pode refletir de alguma forma no seu mandato? O que pensa a respeito?

É um facilitador, mas não um impeditivo de atuar sob o mandamento da lei e em prol da ordem e do interesse público.

Como pretende desempenhar seu papel de fiscalizar o poder Executivo?

Com conhecimento, olhar crítico e presença constante.

Há alguma área ou setor em que pretende atuar mais?

Naturalmente pretendo atuar de forma mais abrangente nos assuntos ligados a segurança pública e ordenamento social, todavia, as áreas se interligam.

O que pode trazer de sua experiência de vida para o trabalho com o povo?

Nasci em Piracicaba, onde sempre estudei em escolas públicas, fui guardinha mirim e trabalhei em empresas de nossa cidade. Servi ao cidadão na Polícia Militar por quase 30 anos sendo mais da metade deles na Zona Leste de São Paulo, onde também morei pelo mesmo período. Minha experiência de vida me ensinou a identificar as agruras enfrentadas pela sociedade, as agressões diárias sofridas pela população de um modo geral e pelas mulheres e crianças em especial. Aprendi a reconhecer espertos e oportunistas que se aproximam apenas para se beneficiar com poder e favores. Como Comandante da Polícia Militar, percebi que todo poder é efêmero e torna-se inútil, se não for canalizado para melhorar a qualidade de vida das pessoas e creio que essa experiência me dará um bom suporte para avaliar situações e tomar as decisões mais adequadas.

Para a segurança pública o que pode ser feito ou o que pretende fazer enquanto representante da Câmara de Vereadores?

A segurança existe quando diversos fatores caminham unidos para promovê-la. Não há como falar desse tema sem um intenso trabalho de prevenção a drogas e à violência, sem uma lei de posturas que dê instrumentos para o Executivo fiscalizar e punir as diversas desordens urbanas geradoras de medo e insegurança, sem equipamentos públicos que garantam dignidade aos agentes que prestam serviços na área de segurança, sem um trabalho intenso de retomada de espaços públicos, sem a consciência de que a verticalização desenfreada que hoje ocorre na cidade provoca o afastamento das pessoas que deixam de ter a sensação de pertencimento e passam a não se importar com a comunidade, entre outros. Meu conhecimento e experiência no trato dessas e outras lacunas do poder público me permitirá atuar de forma a auxiliar na minimização desses problemas e, entre outros, facilitar a parceria e atuação entre os órgãos desse segmento.

 
 
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