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Força da mulher na Câmara
Lilian Geraldini
29/11/2016 11h12
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(Foto: M.Germano/JP)

Com experiência política por atuar em diversos movimentos, Nancy Thame, 57, é a segunda mulher que fará parte da Câmara de Vereadores a partir de 1 de janeiro. Engenheira Agrônoma por formação, ela hoje é presidente do PSDB Mulher Estadual e segunda vice-presidente no PSDB Mulher Nacional.

Esposa do deputado federal Antonio Carlos Mendes Thame (PV), Nancy se candidatou pela primeira vez e obteve 1.781 votos no pleito de 2 de outubro. Entusiasta da participação da mulher nos espaços de poder e decisão da sociedade, que será uma de suas áreas de atuação enquanto parlamentar, ela focará também em questões ligadas à agricultura e ao empreendedorismo. Nancy disse que considera o trabalho de um vereador desafiador e que fará um mandato baseado em ouvir opiniões e ideias.

A senhora já tem uma ligação com a política. Qual é? Por que o desejo de entrar como vereadora?

Sempre gostei de política, pois considero que é o espaço de transformação da sociedade. Quanto mais participarmos, melhores serão os eleitos e mais eficientes serão os organismos de transparência. Participo ativamente da política interna partidária e de outras instituições que promovem a democracia, como Fundação Konrad Adenauer KAS Alemanha, Rede Ação Política pela Sustentabilidade RAPS (como empreendedora cívica) e Mulheres do Brasil MdB. O desejo de entrar como vereadora veio das inúmeras capacitações que organizamos para termos mais mulheres preparadas nos espaços de poder e decisão e pela vontade e disponibilidade de ajudar mais.

Como se sente tendo sido eleito para ocupar uma cadeira na Câmara?

Sinto-me extremamente grata ao povo de Piracicaba pela oportunidade e muito animada para fazer um mandato participativo. A responsabilidade é bastante grande, principalmente por vivermos um momento de muita descrença nas instituições públicas.

A senhora já se candidatou quantas outras vezes?

É a primeira vez que me candidato.

Levando em conta o cenário político e econômico atual, o que pensa sobre poder estar por quatro anos como legisladora na cidade?

É muito clara a indignação da população em relação aos políticos, principalmente em relação aos partidos, que estão cada vez mais distantes da sociedade. Em Piracicaba, por exemplo, tivemos perto de 38% de abstenções, votos nulos e brancos. Isto requer uma análise mais aprofundada. O momento é de crise, com imensa demanda por políticas públicas e com recursos escassos para as prefeituras. Há emergências principalmente nas áreas de saúde, educação, segurança e geração de renda. Porém, considero que é preciso, paralelamente, de uma visão maior de planejamento estratégico a longo prazo e de investimento em cultura política. Neste sentido, foquei minha candidatura em três eixos principais, que são: agricultura e cidade sustentáveis, empreendedorismo e fortalecimento da mulher nos espaços de poder e decisão. São áreas que estudo e nas quais já atuei.

Que estratégia usou para essa campanha que foi diferente de outras que participou?

Costumo dizer que entrei quase que no segundo tempo do jogo, pois minha candidatura surgiu somente na véspera da convenção municipal. Sendo assim, precisei me organizar com agilidade e ter foco. Procurei espaços de voto consciente e de afinidade ideológica, pois não tenho redutos. Tive muita sorte com a equipe que trabalhou comigo, pois todos foram fantásticos. Além disto, muitos amigos me ajudaram e sou eternamente grata por isto.

Como a senhora avalia o trabalho de um vereador hoje?

Desafiador, esta é a palavra. Franco Montoro, que era um municipalista, já dizia que a verdadeira transformação está nos municípios. Acredito nisto. Precisamos valorizar os espaços públicos municipais, entender o conceito de cada um e exigir qualidade. O vereador, através da legislação e da fiscalização, interfere diretamente na qualidade das políticas públicas e na vida dos cidadãos. Cabe aos eleitores acompanhar o trabalho de seus eleitos. Por isto é tão importante o investimento em cultura política.

Quais projetos e ações tem em mente para atuação como vereadora?

Quero fazer um mandato participativo. Gosto de ouvir, de analisar ideias divergentes e de procurar um caminho do meio. Aproximar dos eleitores é fundamental. Pretendo atuar principalmente nas áreas que já comentei anteriormente, porém, isto não exclui uma ideia nova. Já comecei a fazer um levantamento do que temos na Câmara e a fazer um paralelo com outros municípios, onde tenho contatos com vereadores. Devo salientar que temos um corpo técnico de qualidade na Câmara de Piracicaba, com o qual quero contar.

Na última legislatura o salário dos vereadores e prefeito, para esta próxima, permaneceu congelado. O vencimento dos políticos é sempre uma discussão polêmica. O que o senhora acha do salário atual dos vereadores?

Quando decidi ser candidata, seria com ou sem salário. No entanto, acho justo que tenha uma remuneração, que deve ser condizente com a realidade local. Não é o salário que deve atrair um candidato, mas sim a vontade de servir ao seu município. Parece utopia, mas não é. Temos muita gente que ajuda em instituições na cidade, por solidariedade ao próximo. Se estas pessoas estiverem em espaços públicos, poderão fazer ainda mais. A escolha é da população, pois vivemos em democracia. Neste sentido, quero salientar que mais do que o salário é preciso ver o custo de cada vereador, que não é relativo somente ao salário. Há uma estrutura que deve ser otimizada e que tem que funcionar como uma empresa.

O fato de seu esposo ser deputado há bastante tempo pode ter refletido em sua votação?

É claro que é positivo estar ao lado de um político como Mendes Thame, um exemplo em eficácia, sensibilidade e retidão. Tenho muito orgulho disto, realmente é uma honra. Sem dúvida, ajuda na votação. No entanto, Thame é deputado e parceiro de muitos dos candidatos e candidatas. Presenciei sua preocupação, orientação e ajuda a muitos deles.

Por já acompanhar o trabalho dele enquanto parlamentar e sua atuação política e já conhecer a cidade, isso deve facilitar seu trabalho enquanto vereadora? De que forma?

Certamente, pois sempre fui muito presente e interessada no trabalho dele. Estudo bastante, participo, gosto de aprender e de ter interlocução com pessoas que atuam na política. Facilita pela experiência, pelos contatos e pela facilidade nas fontes de informação.

O que pensa da participação popular nas decisões legislativas? Como trabalhar isso?

Gosto demais deste tema e precisamos ampliar esta participação. Ao mesmo tempo é preciso investir em cultura política e em educação. Compactuo da proposta de “visão global e ação local”. O espaço do Legislativo tem, além das funções de legislar e fiscalizar, a oportunidade e a responsabilidade de promover debates e fortalecimento da cidadania.

Seu gabinete já está montado? Quais critérios o senhor utilizou ou utilizará para escolher sua equipe?

Não inteiramente. O critério é técnico, atendendo às necessidades da legislatura e do meu perfil.

Acha que o fato de ser da base aliada do prefeito eleito e do PSDB pode refletir de alguma forma no seu mandato? O que pensa a respeito?

É diferente ser de situação ou de oposição. É claro que devemos ter diálogo e propostas conjuntas da base aliada. No entanto, nada deve ferir os nossos valores e convicções.

Como pretende desempenhar seu papel de fiscalizar o poder Executivo?

Acompanhando as atividades com muito diálogo, estudando e ouvindo a população. É preciso investir cada vez mais em mecanismos de transparência, o que é bom para quem governa e para os munícipes.

O que pode trazer de sua experiência de vida para o trabalho com o povo?

Realmente só podemos oferecer o que nossa história de vida sinaliza. Tenho muito orgulho de ter feito engenharia agronômica na Esalq (Escola de Agricultura Luiz de Queiroz), onde ainda jovem fui contagiada pelo valor do conhecimento técnico, respeito à história e às Instituições. Por exemplos familiares, tenho a vida pautada em trabalho, estudo e seriedade. Sem dúvida as características de perseverança e determinação estarão presentes neste novo momento de trabalho e aprendizado que tenho a honra de assumir.

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