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Muito mais que um lar
Ana Rízia Caldeira
16/02/2017 13h36
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Nascida em Ipuã, caçula de três irmãs, Cyonea Ed Ramos tornou-se, no ano de 2013, a primeira diretora residente do Lar dos Velhinhos. Ex-professora, gerente de banco e chefe de departamento de uma grande empresa, mudou-se de São Paulo, onde viveu durante grande parte da sua vida, para Piracicaba, e há 20 anos encontrou no Lar um lugar para desfrutar da aposentadoria concebida aos 51.

Apaixonada pelas belezas do Véu da Noiva, Cyonea, que nunca se casou ou teve filhos, aceitou o dever de comandar a entidade em um dos momentos mais difíceis de sua história. Aos 81 anos, ela chega ao fim do seu segundo mandato na presidência com o sentimento de missão cumprida. Ela contou ao Jornal de Piracicaba as dificuldades, conquistas e bem feitoria que a entidade recebeu no último ano.

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Atualmente, quantos residentes moram na instituição?

Nós temos cerca de 450 abrigados que são divididos em duas partes: o que estão bem de saúde e podem conduzir suas vidas de forma independente e aqueles que são mais necessitados de ajuda, como cadeirantes e acamados. Quanto a parte de finanças, existem os que pagam e são também independentes, vivendo em chalés. Esses necessitam da ajuda do Lar apenas em casos de emergência, como algum problema eventual de saúde, mas fora isso eles vão às suas consultas sozinhos, dirigem, saem para passear, entre outras coisas por conta própria. Os que estão em pavilhões pagos são também livres de uma grande dependência, mantendo-se economicamente. Temos ainda os que estão em total carência, que recebem ajuda do poder público e um salário de aposentadoria ou pensão. Deste salário, o Conselho do Idoso permite que 70 % seja destinado à instituição para ajudar na manutenção deles e os outros 30% restantes ficam com o próprio residente para que ele possa utilizar como quiser. Atualmente temos 140 idosos em total carência.

No último ano, o Jornal de Piracicaba e a Revista Arraso promoveram uma campanha para doações ao Lar dos Velhinhos. Qual foi o balanço das contribuições?

Nós recebemos bastante coisas. Um exemplo são as roupas usadas e móveis. O que serve para nossos idosos em roupas nós separamos e destinamos a cada um e o que resta, devido à grande quantidade de doações, vai para o nosso bazar. No bazar, que funciona das 12h às 17h, é feita a venda das peças e objetos. Mesmo nessa época de crise ele nos está gerando uma renda de 20 a 25 mil reais por mês, o que parece muito, mas sabemos que o bazar tem condição de render muito mais. Ainda não conseguimos descobrir como conseguir aumentar as vendas, mas o que é conseguido por mês ajuda um pouco nosso Lar.

Além das roupas, quais foram os itens mais recebidos?

Conseguimos muitos envios de alimentos. Nós temos uma classificação prévia desse tipo de doação assim que chega, feita por data de vencimento. Temos um estoque atual de produtos com validade até 2018, tudo doado no ano passado. Algumas coisas estão acabando, como o leite, mas esse foi um dos itens que mais recebemos em questão de doação de alimentos. Posso dizer que nesse sentido a entidade ficou tranquila e não tivemos que comprar nada que seja da categoria não perecível. Fiquei encantada com Piracicaba, porque é somente a gente “abrir a boca e falar” que imediatamente chega o socorro para nossas necessidades.

Contando com os alimentos e produtos de higiene, quais são os outros tipos de doações que o Lar recebe?

As muito pedidas fraldas geriátricas. Por um bom tempo pudemos ficar sem comprar, mas agora elas estão chegando ao fim e logo teremos que fazer algum tipo de campanha. Nós sempre precisamos de ajuda, pois o que recebemos de doação do poder público não cobre a demanda e custo que os internados nos dão. O que nós precisamos muito e sempre continuamos a pedir também são luvas, para uso nos procedimentos da parte de saúde, que se usa muito. É uma exigência da atualidade, pois antigamente se fazia tudo junto do velhinho sem luvas. Hoje elas são usadas para realização de curativos, quando se é feita uma barba, entre outros, e assim que terminado o trabalho elas são descartadas. Esse é o custo da modernidade e cuidados com a saúde de todos.

À parte da caridade, a entidade possui outros meios de manutenção?

Fazemos eventos para voltar as atenções ao nosso espaço. São almoços e jantares beneficentes que podem nos ajudar. Existem pessoas também que telefonam para fazer doações em dinheiro, algo que precisamos muito pois, mesmo com a verba recebida, existem muitas questões para pagarmos, como os quase 220 funcionários da nossa folha de pagamento. Isso dá bastante custo porque todos que trabalham aqui são profissionalizados e temos que estar de acordo com sindicatos entre outros que geram custos e encargos, sendo os mesmos de empresas comuns. Necessitamos muito de dinheiro, porque o que a Prefeitura nos dá não alcança a nossa folha. Infelizmente, sempre que vamos fechá-la existe algum problema, por isso nos pedimos associados que possam contribuir mensalmente. Temos um telemarketing bem pequeno, mas, mesmo assim, os que participavam há muito tempo com contribuições de 10 ou 15 reais seguem nessa ajuda. Temos ainda os pavilhões pagos e os chalés, que são alugados ou vendidos, pois o que salva o Lar na maioria das vezes são as vendas dessas habitações.

Existem necessidades fixas e frequentes de algum item especifico?

A folha é sempre uma pedra no sapato, mas graças a Deus conseguimos pagar em dia. Parece que no momento mais difícil aparece um bem feitor, uma pessoa generosa, que vem ao nosso socorro. Ano passado tivemos vários episódios de alguém assim chegar na hora em que mais precisávamos de dinheiro. Na metade do ano estávamos desesperados, pois no dia do fechamento da folha não tínhamos o suficiente e no final da tarde chegaram dois senhores, empresários da cidade, que queriam doar dinheiro para o Lar. Isso nos salvou e foi de grande felicidade. Nessas horas sabemos que Deus está presente e Ele está olhando para as coisas acontecerem no momento certo.

A ajuda filantrópica também pode ser oferecida em forma de voluntariado. O Lar tem espaço para pessoas que desejam ser voluntárias?

A entidade precisa de muito trabalho desse tipo. O voluntariado vem de duas partes: uma é a pessoa que se doa, e outra é a pessoa que recebe muita coisa ao ter o prazer de servir. O serviço gratuito é muito bom, ele preenche a pessoa de felicidade, mesmo ela não sabendo o porquê. Nós temos trabalhado com as notas fiscais que as pessoas não registram em seu CPF. Ano passado, em outubro, recebemos R$ 200 mil e isso foi uma maravilha que também nos tirou de um momento de aperto. São 40 voluntários que vão buscar as notas das pessoas que se comprometem a juntar para nós e as trazem aqui para separar, digitar e enviar para depois recebermos os resultados posteriormente. Outros trabalhos voluntários são feitos por jovens que levam os cadeirantes para as atividades e os ajudantes na fabriqueta de fraldas. Tem ainda pessoas que vêm uma vez por semana trazer lanchinhos pela tarde e os Voluntários do Forró, uma banda que toca para animar os internos. Nossa diretoria também é formada por voluntários.

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(Foto: Claudinho Coradini/JP)

Quais são os planos para mobilizar mais a sociedade piracicaba a ajudar em 2017?

Acredito que com o grito de socorro, dado em duas ocasiões no ano passo, Piracicaba se despertou para o Lar. Tinha-se a impressão de que a entidade era rica e ouvimos várias vezes pessoas dizendo que fariam doações para outra instituição, pois o Lar dos Velhinhos não precisava. Precisamos sim, tanto quanto as outras entidades, pois temos 450 abrigados. Alguns se sustentam e ajudam a sustentar os outros, mas mesmo assim não é suficiente. Existem muitas coisas acontecendo aqui dentro que não chegam ao conhecimento público, por isso a falsa impressão de que não precisamos. Por agora não estamos fazendo planejamentos quanto a isso para não deixar nada descontinuado para a próxima gestão, mas tenho certeza que essas pessoas vão tomar comando e farão o que for possível para seguir mantendo aqui.

Como avalia esses quatro anos da sua gestão no Lar dos Velhinhos?

Ao tomar a presidência, pensei em fazer coisas que fossem mais a favor do conforto dos moradores, principalmente dos pavilhões carentes. Cuidamos da manutenção com reformas das habitações. Espero que a nova diretoria possa fazer grandes coisas que acabamos não podendo fazer. Penso que, da minha parte, não existe algo que eu poderia ter feito diferente, porque sei que existe a limitação pessoal em algumas questões. Fiquei conhecida e busquei o melhor. Estou muito grata por tudo que aconteceu aqui e por toda ajuda que recebemos não somente nesse tempo que estive à frente, mas por todos os anos. A sociedade piracicabana sempre se comoveu em estender a mão aos idosos da sua cidade e a ela eu dou meu muito obrigada.

 
 
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Comentários

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    Nilton - 19/02/2017 22h15
    Tragam um troféu para essa mulher. E doações para o Lar dos Velhinhos!