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Persona: Educação como mudança social e política
Ana Rízia Caldeira
03/04/2017 19h06
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Quanto mais o aluno puder permanecer na escola, descobrindo uma profissão, mais isso é válido Administrador de empresas, graduado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) de São Paulo, em 1986, e pós-graduado em Desenvolvimento Gerencial pela Unitoledo, Marcelo Astolphi Mazzei atuou em diversas áreas do setor empresarial, oportunidade que possibilitou aumentar seu conhecimento em multifuncionalidade dentro de grandes corporações. Filho de professora do primário e secretário da agricultura, esteve sempre ligado as áreas da educação e das politicas pública. O primogênito de três irmãos dedica parte do seu tempo a música, uma de suas grandes paixões, a leitura e a escrita, com a qual publicou diversos artigos reunidos no livro Responsabilidade Social, Educação e Ética: Textos Para Reflexão, Ação e Conhecimento, obra lançada no primeiro semestre do ano passado. Como atual diretor do CAT (Centro de Atividades) do Sesi (Serviço Social da Indústria) Piracicaba, ele contou para a nossa reportagem sua visão da educação em dimensões institucionais e nacionais, além de opinar sobre a metodologia necessária para elevar o nível de qualidade dentro do tema. 

Como iniciou sua carreira no Sesi? Estava trabalhando em uma empresa de Araçatuba, no final de 1999, quando surgiu a oportunidade dessa vaga como diretor na unidade da cidade. Participei de um processo seletivo, com outras 300 pessoas, e passei em primeiro lugar. Assumi assim o cargo, ficando por lá durante 5 anos e sento transferido para a unidade de Tatuí, em 2005, onde permaneci até 2007, quando tomei direção aqui em Piracicaba. Desde o início, meu papel foi transformar os lugares por onde passei. Como tenho perfil para resolver problemas, e haviam muitos nas unidades, consegui colocar nelas uma ordem. O Sesi não é somente uma escola de gestão, mas de vida também, um lugar cujo o objetivo é prestar um serviço social muito nobre. Para mim, que vinha da área financeira, aquilo foi uma mudança de ares muito grande. Trabalhando com questões mais sociais, de educação e cultura, pude acompanhar a mudança na vida de várias pessoas. Posso dizer que sou muito feliz por isso, pois o Sesi me oportunizou e oportuniza até hoje.

Quais os principais focos da sua gestão? Quando cheguei aqui, um dos pontos importantes foi a estrutura. A unidade de Piracicaba fica um pouco afastada, geograficamente, e ela não tinha uma projeção merecida dentro da cidade. Foi necessário um trabalho de aproximação junto as entidades públicas e privadas, informando que o Sesi existia e que ele poderia se encaixar nas diversas necessidades dos munícipes. Então começamos a mudar um pouco essa visão de inacessibilidade mantida durante tanto tempo. Outra atuação foi na cultura, com desenvolvimento muito forte dentro do tema e criação de diversos programas, ações e atividades, na qual participamos de projetos de grande extensão e importância para a cidade, como o Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba) e Feimep (Festival Internacional de Música Erudita de Piracicaba) (promovido pelo Jornal de Piracicaba e Revista Arraso). Com essas parcerias, ajudamos ao município a desenvolver a cultura e colocamos o nome da rede entre os fomentadores de cultura. Quais os principais desafios na administração de uma rede de ensino? O maior é deixar um legado as pessoas que transitam, seja na escola ou no teatro. O Sesi tenta servir, com a melhor qualidade possível, a todos os propósitos. Se falamos em ensino infantil e médio, falamos de educação de qualidade. Se o tema é cultura, esporte e desenvolvimento, isso também tem que ter qualidade. Então o objetivo é disponibilizar um espaço onde as pessoas se sintam bem e para isso lutamos muito, pois é comum encontrar obstáculos, como reformas, que são necessárias para possibilitar a evolução do espaço. Temos ainda a questão do nosso ensino, um dos serviços mais cobiçados e que passou por muitas transformações nos últimos anos, não só na metodologia, mas também na infraestrutura, com aplicação de ensino em tempo integral e laboratórios de informática, coisas que não existiam há 15 anos, por exemplo. A escola sempre veio se transformando e ofertando serviços aos nossos alunos, e isso tem dado resultado, porque o Sesi se configura entre as melhores escolas do mundo, em questões de robótica, por exemplo. Temos participados de diversos torneiros e trazido medalhas importantíssimas a nível nacional e internacional. Por fim, nosso principal desafio é todo o conjunto, pois queremos transformar as crianças no cidadão de amanhã, através de uma educação de extrema qualidade. 

Qual sua opinião sobre a educação? Como ele pode ser definida? Primeiramente, temos que entender que ela começa em casa, com a família. A escola complementa isso com seu método educacional, no seu meio de agir e os familiares continuam inseridos nesse processo. Sem a primeira fase, possivelmente o indivíduo não consegue complementar sua educação dentro das paredes de um liceu. Atualmente estamos vivenciado um esforço conjunto para a melhoria da educação e acho que ainda estamos longe. Vemos que a questão de qualidade do ensino é muito regional, pegando, por exemplo, escolas do Nordeste (não é uma regra), que estão ainda muito aquém do que deveria ser. Vejo, entretanto, uma vontade pela melhoria da educação como um todo, pois acredito, piamente, que somente com ela nós podemos mudar a realidade nacional. Se não existir uma oferta de qualidade e se não proporcionarmos um crescimento externo e interno para as pessoas, nunca nos livraremos das situações que estamos acompanhando atualmente, como a corrupção e defasagens na política ou outras esferas. 

Em que sentido a educação influencia nas crises pelas quais passamos? Esse momento que estamos passando não é só econômico, mas politico, e isso é fruto de uma concepção de educação que muitos dos nossos colegas brasileiros não têm, que é avaliar efetivamente quem são aquelas pessoas que se apresentam como nosso representante na sociedade. Acho a falta desse conhecimento um pouco mais objetivo, pois não possibilita um discernimento pessoal do que é melhor para si e para outras pessoas. A educação influi nesse processo de fazer com que as pessoas não tenham essa análise errônea do que é certo ou errado para o país. Se esse aspecto fosse um pouco diferente, com certeza teríamos uma representatividade diferente e também pensaríamos diferente, buscando o melhor para o país e não para poucos. 

Existe alguma perspectiva para o setor educacional em 2017? Continuamos analisando como o Sesi atua e aquilo que é melhor como metodologia para chegar aos níveis de satisfação dos alunos e pais. Penso que o país também começa a perceber que a influência da educação é muito forte para a mudança do status politico e cultural, por isso, sem uma interferência séria na educação brasileira, talvez não vamos conseguir mudar em curto prazo o que é necessário. 

Em relação a mudanças, o que você pensa sobre a reforma do Ensino Médio? Se pegarmos as estatísticas, é nele onde falta mais vagas aos alunos, por isso muitos adolescentes continuam fora da escola e, ao mesmo tempo, o Ensino Médio não é atrativo para ninguém da maneira como está atualmente. O ensino integral é algo que já fazemos com nossos alunos, pois esses jovens permanecem na escola no período da manhã e depois vão para o Senai. Quando ele se forma, sai com o ensino básico fechado e também com o técnico, ou seja, o aluno pode galgar o mercado de trabalho naquele momento, não sendo necessário fazer uma faculdade logo após sair da escola, se for uma vontade pessoal. O Ensino Médio precisa de uma reforma radical e só o tempo vai nos dizer se é uma boa medida ou não. Acredito que, quanto mais o aluno puder permanecer na escola, descobrindo uma profissão, mais isso é válido. Não podemos ter medo da mudança, pois sem ela as coisas não avançam, então é possível que se isso não dê certo, possamos continuar fazendo algo, o importante é sempre tentar. 

O Sesi é um dos agentes fomentador de cultura na cidade. Quais outros programas são também oferecidos no âmbito social? Além do ensino, temos uma área que chamamos de qualidade de vida, em que estão envolvidas a cultura, saúde e responsabilidade social. Com isso, temos programas de nutrição, cursos Alimente-se Bem, que está na nossa grade desde 1999, e cursos abertos de culinárias, uma forte área de formação nossa. Voltado a indústria, existem atividades e cursos na área de gestão, comunicação, liderança, motivação, gestão ambiental e a aplicação de esportes, com piscina, campus e quadra, oferecidos para que sejam usados de forma livre. Há ainda o Atleta do Futuro, um programa para levar as crianças a partir dos sete anos a terem aulas de esporte e, quem sabe, despertar a vocação nelas depois 14, quando são encaminhadas para as unidades de autorrendimento no esporte desejado. Por fim, possuímos o projeto Novo Mundo, no qual fornecemos a inserção de deficientes físicos dentro das indústrias em uma parceria entre o Ministério do Trabalho, Sesi, Senai e Fiesp.

 
 
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