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Comprar e vender, eis a questão
Ana Rízia Caldeira
22/05/2017 14h29
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Foto: Claudinho Coradini/JP

 

De atuação significativa nas decisões que envolvem a cidade, o Sincomercio (Sindicato do Comércio) representa há 75 anos um segmento importante da corrente econômica municipal: os comerciantes. Desde sua criação, foi pensado para ser um instrumento de representação dos comerciantes por meio da coletividade. Hoje, são quase 8.000 contribuintes, distribuídos nas cidades de Piracicaba, Águas de São Pedro, Charqueada, Saltinho, São Pedro, Tiete e Torrinha. Atualmente, é representado pelo presidente José Maria Saes Rosa, contador por formação, que se descreve comerciante por vocação. Nascido em Laranjal Paulista, Zé Maria, como é conhecido, mudou-se com os pais para Piracicaba em meados da década de 1940 e, em agosto de 1997, foi consagrado oficialmente como piracicabano, por meio do Título de Cidadão oferecido pela Câmara de Vereadores em uma iniciativa do então vereador Roberto Morais. Iniciou sua carreira como funcionário público estadual, na antiga Estrada de Ferro Sorocabana, passando, depois para a Secretaria de Educação. Em 1968, atendendo ao convite do seu amigo Carlos Arruda Dias, assumiu um cargo no quadro de empregados do Sincomercio e, depois, a presidência, em 1995.

Como atua o Sincomércio na relação com os comerciantes e consumidores da cidade? Filiado ao Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), o sindicato foi responsável pela articulação da vinda para Piracicaba do Sesc, ainda na década de 1970, e, posteriormente, nos anos 1990, do Senac, assim como da construção de sua nova sede, inaugurada em 2013. Entre as grandes conquistas do sindicato estão as articulações junto ao poder público para melhorar o funcionamento do varejo piracicabano e da região. Sua diretoria trabalha ativamente para beneficiar os lojistas e também os consumidores, enfatizando sempre que o comércio e o setor de serviços são a mola propulsora da economia local e os segmentos que mais empregam no país e na cidade.

Em março, foi apontado um aumento na confiança do consumidor piracicabano. Já em abril, ela recuou. A que se deve isso? Movimentos relativamente suaves são normais. Não dá para se definir uma tendência com apenas um ou dois dados. Se a queda de confiança persistir ao longo dos próximos meses, isso efetivamente vai significar uma mudança de humor para pior, porém, não é possível atestar isso nesse momento. Resta manter a atenção nas próximas divulgações.

Como você avalia o ambiente comercial piracicabano hoje? Quais são os pontos fortes e fracos dele? Como na maior parte do Estado, o momento é melhor do que nos últimos anos, pelo menos em termos de perspectivas. Entretanto, ainda há muito o que caminhar para que tenhamos um ambiente realmente positivo para os negócios. O mais importante hoje é reconhecer que o cenário ainda requer muita atenção. O ponto forte é o grau de profissionaliza- ção do varejo local; o ponto fraco, evidentemente, é a baixa perspectiva para o curto prazo, ainda que a percepção para o futuro seja positiva. O segredo é se manter vivo no presente para chegar a esse futuro mais promissor.

O Brasil passa por um momento econômico difícil, que tem impactado diversos setores. Como o comércio tem reagido? O comércio tem reagido como o termômetro desse ambiente político e econômico conturbado. A crise demorou mais para atingir o varejo e o setor de comércio, mas, a partir do final de 2014, instalou-se no segmento também. Em dois anos, o consumo caiu 20% e a retomada para os mesmos patamares de antes da crise somente será possível em quatro ou cinco anos. Vale lembrar que o varejo é o espelho da crise. É a relação final da cadeia produtiva e dá os sinais vitais e mais importantes para os outros setores, como turismo, agricultura e indústria.

Acredita que a economia varejista volte a ficar mais aquecida ainda neste ano? O varejo deve mostrar alguma recuperação, principalmente no segundo semestre. Não é possível imaginar, no entanto, que será algo rápido e indolor. Mas já há alguns sinais positivos, como em vendas de veículos (após vários recordes negativos) e até em supermercados, mas tudo muito tênue e com a promessa de aceleração desde que o cenário político (reformas, Lava Jato, etc.) dê sinais de que está se encaminhando para um bom termo.

Quais as datas mais importantes para o comércio e quais tipos de segmentos são mais bem-sucedidos nelas? Eles continuam se sobressaindo durante o calendário normal? No primeiro semestre é o Dia das Mães, que se reflete principalmente sobre roupas, acessórios, calçados, bijuterias, eletrodomésticos e eletroeletrônicos. No segundo semestre e no ano em geral, a data mais importante, é claro, é o Natal. Além de ter efeito sobre uma gama maior de setores, nessa data o consumidor em geral conta com a injeção de um bom volume de recursos, através do 13º salário. Maio, por conta do Dia das Mães, vende em média 5% a 10% mais do que a média dos meses do primeiro semestre. No Natal as vendas fazem com que dezembro tenha um resultado entre 25% e 30% maior do que a média do resto do ano. As outras datas têm sua importância localizada, mas efeitos muito menores e com menor relevância para o todo do setor.

De que maneira devem agir comerciantes e clientes para que as vendas na cidade não declinem com a crise? Não é uma tarefa fácil. Em primeiro lugar, porque a disputa se acirra entre lojistas e entre localidades. Mas, de forma geral, o comércio deve ser atraente e vibrante (manter ruas temáticas, mais horas aberto, funcionar em feriados), o que faz com que a cidade se sobressaia. Manter a vida econômica o mais vibrante e “colorida” possível atrai consumidores de fora e mantém os locais. A vida econômica dos grandes centros depende desse ambiente 24 horas por dia, sete dias por semana. Talvez no interior de São Paulo ainda não seja possível este padrão, mas buscar, gradativamente, manter um pulso cada vez mais forte e ativo no comércio e na economia local é o segredo não só para enfrentar a crise, mas para o desenvolvimento de longo prazo, em detrimento de quem não acompanhar esse movimento.

Com as reformas previstas pelo governo, é possível obtermos melhoras ou pioras na relação de consumidor e varejo? A Reforma da Previdência Social no Brasil é necessária e urgente, considerando os déficits exponenciais que o regime vem apresentando e a expectativa de que a situação fique ainda pior com o envelhecimento da população. A Previdência é responsável pelo sustento de milhões de famílias brasileiras, e, caso a reforma não seja realizada, não haverá recursos para pagar a aposentadoria dos atuais contribuintes, levando a uma “falência” do sistema. Diante disso, para o varejo, a reforma terá um impacto positivo na relação de consumo no longo prazo. Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, o mercado de produtos e serviços voltados para a terceira idade ganhará espaço. Como os recursos da previdência influenciam o consumo, as vendas do comércio serão influenciadas de forma positiva com tais recursos. Em relação à Reforma Tributária, se realmente for encaminhada para o Congresso Nacional, deve ser discutida com responsabilidade e comprometimento por parte de nossos parlamentares. Se a Reforma for pautada e assumir um perfil de ajuda aos setores da economia, espero que as mudanças sejam para simplificar todos os sistemas de pagamentos dos tributos de União, Estados e municípios e, consequentemente, das obrigações acessórias, devendo ser concluída com a redução da carga tributária no país. Por sua vez, trará maior segurança jurídica para os contribuintes. Com a redução da carga tributária, o consumo voltará a crescer e o desemprego, que acomete em torno de 14 milhões de brasileiros, deverá diminuir, devolvendo o progresso da nossa economia. De outro lado, se a Reforma Tributária vier para tentar compensar as perdas na arrecadação dos Fiscos, impactará negativamente no dia a dia dos contribuintes e de toda a cadeia econômica.

Falando em reformas, você se coloca a favor da trabalhista? Com toda certeza sou favorável. Existe aquela máxima que diz “não se pode esperar resultados diferentes fazendo as coisas do mesmo jeito” e, a meu ver, a legislação trabalhista se encaixa perfeitamente nesse contexto. Há tempos as regras atuais não atendem às necessidades do mercado e dois fatos deixam isso muito claro. O primeiro é o número de Súmulas do TST (Tribunal Superior do Trabalho), mais de 450 , demonstrando que de julgador o Poder Judiciário passou a ser legislador em matéria trabalhista. Se as leis fossem adequadas, isso não seria necessário. O segundo exemplo marcante é o alto número de desempregados. Claro que a desatualização da legislação não é a única razão, mas seus impactos são inegáveis. Portanto, além do fator necessidade, sou favorável à reforma porque a proposta aprovada na Câmara dos Deputados, salvo um ou outro ponto contestável, simplifica as relações do trabalho, proporciona segurança jurídica e, consequentemente, gera confiança, moeda fundamental para empresas e para empregados, e que anda desvalorizada no Brasil.

 
 
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